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Entrevista: Metaleiro (Florianópolis/SC)

YouTube trouxe muita diversão e entretenimento para milhares de nichos, para a música não seria diferente, claro. Metaleiro lançou uma versão da música que estourou no ano de 2011. Na época Metaleiro tinha um outro projeto e lançou a ‘versão metal’ da música, que bombou com os headbangers na época.

De lá pra cá foram milhares de versões e o projeto Bonde do Metaleiro que fez turnês e tocou por todos os cantos do país. Após um hiato dos trabalhos audiovisuais, Calone Hoffmann ou Metaleiro como é conhecido na internet, retornou as atividades e nos procurou para falar sobre esse novo ciclo.

Primeiramente é um prazer te ver novamente na ativa e queremos saber, por onde andou durante este pequeno hiato?Metaleiro: Fala Maykon e toda equipe d’O Subsolo, primeiramente obrigado pelo espaço, é um prazer imenso estar de volta na ativa e bombando novamente como antigamente, só que dessa vez de uma forma um pouco diferente e numa pegada mais vertical. Hehehe… Bom, comecei em 2011 a fazer vídeos musicais de entretenimento misturando o rock com outros gêneros, até que em 2018 eu fiz uma pausa. Na verdade nesse momento eu dei por fim o projeto “Metaleiro”. Mas durante a pandemia em 2020 retornei do além. Acredito que para muitos essa fase de quarentena foi bem reflexiva, e para mim não foi diferente. Vou contar resumidamente o que aconteceu na minha vida no tempo em que estive longe das câmeras. Em 2018 a minha conta não fechava, o que eu gastava com produção vs o que eu tinha de retorno. Foi quando precisei tomar uma atitude pois muitos vídeos não eram monetizáveis e isso me deixava desmotivado e sem grana. Pedi emprego para um grande amigo chamado Alexei Leão e ele me colocou para cuidar dos estúdios dele na Celula Showcase em Florianópolis. Ali eu tive uma experiência incrível de poder viver aquele clima de shows e ensaios diariamente. Pra quem já foi lá sabe como é da hora o ambiente. Na frente funciona o palco de shows e nos fundos são 4 salas de ensaio simultâneos que eu ficava mais encarregado. As vezes era loco quando tava tocando um reggae numa sala, um metal na outra, um ska em outra e um pop na outra, surgiam uns matchs musicais absurdos. Acho que de certa forma essa fase me motivou a deixar a chama do sonho de viver da música ativo. Então aproveitei essa fase para estudar produção musical e até me aventurei em tocar como DJ. Fiz um curso pra aprender a mexer com os equipamentos na intenção naquele momento de tentar levantar uma grana tocando na noite. Até que chegou a pandemia e eu não tinha muita opção pra pagar as contas a não ser voltar com o canal do youtube que estava abandonado. Então em 2020 eu retornei pro youtube fazendo o mesmo formato de antigamente, mas aos poucos fui percebendo que a pegada agora era outra. Fui me adaptando aos novos formatos e pensando em outra forma de trabalhar com meu conteúdo. Até que um belo dia eu peguei minhas bases de mega funk da época em que eu tocava na balada e resolvi misturar com uma acapella do Metallica. Pronto, isso iria mudar o rumo de tudo pois ali nascia o Dj Metaleiro que agora ganhava um upgrade e novo formato. Então graças a plataformas como o Tiktok os vídeos começaram a bater números altos e me ascendeu a chama de acreditar que eu poderia viver disso novamente fazendo o que gosto, que é misturar os gêneros musicais e poder fazer shows com essa bagunça musical.

Metaleiro ficou famoso com o “Vou não, quero não” e dali pra frente foi hit atrás de hit. Quais as músicas que marcaram essa carreira do Metaleiro na tua opinião?
Metaleiro: Essa sem dúvida foi bem marcante, foi o primeiro video que lancei e bateu 500 mil views na mesma semana, isso pro YouTube naquela época em 2011 já era muita coisa pra um primeiro vídeo. Depois teve Ah lelek com 1 milhão de views em uma semana e o Quadradinho de 666 que toco até hoje e está indo a rumo de 4 milhões. Pra mim que vim do underground, de rolê de banda independente, poder atingir números assim é muito astronômico pra mim e sou muito grato a tudo isso.

Crowdfunding sempre foi um ponto forte e te ajudou a lançar bons trabalhos. Como tem sido a recepção deste financiamento coletivo atual e qual será o intuito?
Metaleiro: Cara a galera já me ajudou com 8% da meta, e isso pra mim já ajuda muito, amanhã é o último dia da campanha e ainda tô na esperança de conseguir um 20% pelo menos pra cobrir meus custos com a produção.

Para um Youtuber acredito que o mais difícil é se reinventar cada vez que o conteúdo se torne monótono podemos dizer assim. Como surgiu a ideia de fazer um “reverso”, transformar Metal em Pop?
Metaleiro: Eu antigamente seria contra essas misturas, mas hoje em dia os tempos são outros e acho que de forma natural essas misturas vão ser cada vez mais normais de acontecer. Quando eu descubro um canal que faz mashups musicais eu passo horas assistindo, então poder trampar com isso pra mim soa muito natural pois eu sempre curti a bagunça e a farra. Eu tinha as bases de mega funk no computador da época em que eu tocava na noite pra tentar levantar uma grana. Eis que um belo dia acordei e pensei, 🤔 porque não misturar uma acapella do Metallica nessa base de mega funk famosa aqui de Santa Catarina. Pronto, a farra estava feita e a primeira sequência de bandas remixadas veio com o primeiro álbum lançado em 2022 intitulado de Mega Funk do Metal. Ali tivemos bandas como Pantera, Rammstein, Guns n Roses, Metallica e várias bandas de new metal que curto muito como System of a Down, Korn, Papa Roach, Linkin Park, Evanescence entre outras. Pra esse novo álbum estou preparando remixes de bandas como Avenged Sevenfold, Killswitch Engage, Lamb of God, Nightwish, Épica, Lacuna Coil, Iron Maiden, Amon Amarth e Slipknot.

Em paralelo ao ‘Metaleiro’ em si, contamos com o ‘Bonde do Metaleiro’ e queria comentar sobre um dos músicos que tenho um carinho gigantesco. Como é tocar com um monstro como o Doug LP (baterista)?
Metaleiro: O Doug é um monstro e o cara mais profissional com quem já toquei. O cara é a correria em pessoa e tá pegando junto nessa luta. Professor de bateria muito conhecido aqui em Florianópolis formado em música na UDESC e que também vive da noite tocando com diversos artistas. Tenho muito orgulho de poder estar fazendo um som junto com esse guerreiro que tenho como irmão.

Quando você começou no YouTube acredito que a burocracia de tudo era mais simples e hoje existe uma dificuldade maior em bombar e manter a rede. Como foi pra ti essa mudança durante todos esses anos?
Metaleiro: Quem quer evoluir precisa se adaptar e continuar estudando sempre. Eu passei uns 9 meses postando vídeos curtos e todos sem muita visualização, até que experimentei novos formatos e deu certo. O lance é ter a cabeça aberta para novas experiências. Confesso que tenho dificuldade de aprender coisas novas e me adaptar, mas quando vejo que as coisas estão dando certo, a galera dando risada e se divertindo com meu conteúdo, pedindo shows, sinto uma gratidão gigantesca que alimenta mais a vontade de continuar tocando e fazendo vídeos.

Uma coisa que nunca saiu da minha cabeça, principalmente das composições do Bonde. Você por acaso é da escola do New Metal? Vejo muito a característica instrumental do New nas composições ou se não, quais tuas influências musicais?
Metaleiro: Já tive meus momentos de ser muito fanático por New Metal, tive bandas autorais nessa pegada e bandas covers de System of a Down e Papa Roach que eu me aventurava em cantar. Fato engraçado é que meu inglês é péssimo então pra poder cantar bem as pronúncias das melodias eu reescrevia a letra de forma que eu pudesse decorar a fonética das palavras, tipo Arials vira É-RI-AUS. Huehueh, fica a dica pra quem não manja de inglês mas tem vontade de fazer cover. Mas tirando a minha fase New Metal também tive a minha fase Hardcore. Em 2003 eu comecei na música como baterista de bandas de Hardcore, gênero e cena no qual estou sempre presente. Atualmente toco bateria na banda Eutha que mistura Hardcore com Metal, Punk e Rap desde 1992 e no qual tenho muita gratidão em poder fazer parte da história dessa banda.

Fazer vídeos também existe uma correria como gravar, criar, editar, mas assim também existe a logística para shows ao vivo. Qual a maior dificuldade atualmente para ter uma agenda constante para shows?
Metaleiro: A proposta do projeto DJ Metaleiro e Doug LP é tocar meus remixes e versões metal com a bateria do Doug quebrando tudo junto enquanto solto as ‘braba’ na controladora, nesse formato também vou tocando guitarra junto e agitando a galera como uma espécie de DJ Vocalista. Se você for parar pra pensar é a maior locura pois essa mistura dos universos do Metal, Eletrônico e Funk é algo muito novo e não existem muitas festas ainda nessa pegada. Logo a galera que mais tem recebido bem a gente é o público com a mente aberta, que não tem preconceito com as misturas caóticas que fazemos. Nossa proposta é tocar em festas pra galera que curte rock mas também gosta de curtir uns ‘rolê aleatório’, pois nosso som apesar de soar muito pesado com guitarras, berros e pedal duplo, soa mais “festinha”. Então criei a minha própria festa chamada Baile do Metal e acredito que é questão de tempo até que possamos fazer essa festa no Brasil inteiro. Em paralelo sempre surgem parcerias com outras festas e artistas como Ocaradometal que nos levou pra tocar no show de estréia da banda dele no Bar Opinião em Porto Alegre, e como a festa da Emorvvl que tocamos recentemente em São Paulo no Carioca Club que une fans de rock anos 2000, Metalcore, HC, Emo, New Metal e Pop e Funk.

Queria saber quais os planos futuros para o ‘Metaleiro’ e como a galera pode te ajudar além do financiamento coletivo. Pois nas suas redes vemos uma constante presença do público que adora seu trabalho.
Metaleiro: A galera já ajuda muito compartilhando e comentando, pedindo bandas novas pra remixar ou me mostrando músicas do m mento pra fazer a clássica brincadeira de misturar com metal. Fora isso, quem quiser e puder ajudar na campanha vai fortalecer muito.

Queria deixar esse último espaço pra você deixar uma mensagem para os leitores d’O SubSolo e agradecer mais uma vez por lembrar da gente.
Metaleiro: Eu é que agradeço esse espaço pra poder falar um pouco sobre meu trabalho e agradeço a quem leu até aqui. Obrigado tropa d’O SubSolo, tmj! 🤘

Para participar da campanha acesse: https://www.kickante.com.br/pre-venda-coletiva/dj-metaleiro-pre-venda-exclusiva-do-novo-album-metal-envolvente

Gremista, catarinense, gamer, cervejeiro e admirador incessante do Rock/Metal. Tem como filosofia de vida, que o menos é mais. Visando sempre a qualidade invés da quantidade. Criou o site 'O SubSolo" em 2015 sem meras pretensões se tornando um grande incentivador da cena. Prestes a surtar com a crise da meia idade, tem a atelofobia como seu maior inimigo e faz com que escrever e respirar o Rock/Metal seja sua válvula de escape.