No último fim de semana de novembro, dirigimos 300 km de Helsinque para a cidade de Jyväskylä para acompanhar o festival John Smith Rock Frozen. Este festival de dois dias é uma variante do outro festival homônimo, “John Smith Rock”, que acontece sempre no verão.

O John Smith Rock Frozen já é um queridinho, porque, nesta época do ano, poucos festivais acontecem no país devido ao inverno, que demanda espaços fechados para um evento. Para o John Smith Rock Frozen, no entanto, espaço não foi problema: a área do festival era devidamente preparada para grandes eventos e aquecida para proteger todos do frio de 3 graus do lado de fora. Não decepcionou em nada!

Foto: Luciana Paltila

O espaço do festival contou com dois palcos: o principal e um palco menor para shows acústicos. Os estandes de venda de comida e bebida e de produtos do Rock completaram ainda a área. Devo destacar também a equipe organizadora do evento, incluindo seguranças, vendedores e atendentes da área de guarda-casacos; todos foram muito gentis com a imprensa e o público no geral.

Confira abaixo as bandas que participaram do primeiro dia do John Smith Rock Frozen!

Viikate | Finlândia

Viikate foi a banda que inaugurou o palco principal da noite. A banda, da cidade de Kouvola, está na estrada desde 1996 e tem um nome conhecido entre os finlandeses (seu show na cidade de Helsinque em maio de 2026 já tem ingressos esgotados!).

Quando o Viikate deu os primeiros acordes, o evento ainda não estava muito cheio, mas um grupo grande de fãs já aguardava ansioso na grade. E, a julgar pela empolgação do público, a banda não decepcionou. Para alguém que conhecia pouco a banda e os assistia pela primeira vez, ficou a impressão de um show afiado, com muitas guitarras pesadas e um grupo simpático. Músicas como Kuningas kaiho e até mesmo o solo de bateria (que, convenhamos, nem sempre empolga muito) trouxeram momentos agradáveis para aquele início de noite.

Fotos: Luciana Paltila

Acoustenced | Finlândia

Ok, antes de eu começar a falar desta dupla, preciso contar que se trata de uma banda que brilhantemente adapta músicas da extinta banda Sentenced. Preciso contar também que Sentenced é a banda favorita da vida desta pessoa que vos escreve, de modo que sou suspeita de falar deste show, especialmente considerando que eu nunca vi nada do Sentenced ao vivo antes.

O Acoustenced é formado por Make Pöyhönen (voz e violão) e Janne Heinonen (violão). Os dois subiram ao palco acústico do John Smith Rock Frozen e fizeram uma sessão intimista, potente e sem nenhuma falha. O setlist não poderia ser mais perfeito; entre as músicas estavam Dead Moon Rising, Noose, Cross My Heart and Hope to Die, No One There, I Kill Myself e Nepenth. O show teve aproximadamente uma hora, mas poderia ter sido uma apresentação de três horas, porque os muitos fãs de Sentenced presentes não reclamariam (eu ia adorar…). E devo dizer ainda que a adaptação das músicas do Sentenced para o modo acústico ficou simplesmente excelente, perfeita.

Em um bate-papo com Make Pöyhönen após o show, ele nos contou que o processo de adaptar as músicas para o formato “voz e violão” lhe revelou ainda mais a sensibilidade presente em algumas faixas do Sentenced, algo que pode talvez passar despercebido nas versões não acústicas. Excelente apresentação!

Fotos: Luciana Paltila

Stam1na | Finlândia

Saindo do acústico para um modo mais pesado, o Stam1na entrou no palco principal trazendo todo o seu Death/Thrash Metal e suas músicas em finlandês. O palco, cheio de apetrechos e decorações, já demonstrava que a banda estava pronta para entregar seu melhor. E de fato entregou! A presença de palco e a energia do grupo são impressionantes.

Antti Hyyrynen (voz) e seus colegas abriram o show com a música Ristiriita, do álbum de estreia da banda. Aliás, desse mesmo álbum diversas outras músicas também compuseram o setlist, como Kadonneet kolme sanaa, Koirapoika, Tuomittu, syyllinen, Väkivaltakunta e Koe murha!.

O Stam1na contou ainda com uma artista convidada em três músicas, a cantora Kaisu Kärri. Kaisu é conhecida da banda, pois fez vocais adicionais no álbum de estreia do Stam1na. Como a banda está em turnê de comemoração pelo aniversário de 20 anos de seus álbuns de estreia, músicas do meu álbum favorito, Taival, ficaram de fora, para meu lamento. Mas tudo bem, porque o show realmente foi de alta qualidade. A apresentação terminou com alguns fogos de artifício e uma plateia que não cansava de aplaudir.

Fotos: Luciana Paltila

Rioghan | Finlândia

De volta ao palco acústico, foi a vez da banda Rioghan trazer seu metal progressivo. Eu, que só conheci a banda poucos dias antes do festival, fiquei realmente impressionada pela qualidade da apresentação.

A banda, fundada em 2019, é composta por Rioghan Darcy (voz), Teemu Liekkala (guitarra), Tero Luukkonen (guitarra), Antti Varjanne (baixo) e Valtteri Revonkorpi (bateria). A imagem visual da banda nas fotos promocionais já é bem marcante, o que se explica e combina com o show intimista do grupo.

Com raízes profundas no gótico, a apresentação da Rioghan foi mais do que uma experiência musical. Foi também uma experiência visual marcante: as luzes baixas azuis e roxas do palco, combinadas com a excelente performance dos músicos e também de uma dançarina executando movimentos sensuais e delicados, hipnotizavam os espectadores. Esta foi definitivamente uma agradável surpresa para mim! Se você nunca escutou o som da banda, corre agora para conferir!

Fotos: Luciana Paltila

The Halo Effect | Suécia

O The Halo Effect já tinha me deixado uma impressão bastante impactante na primeira vez em que os assisti, no festival Tuska 2025. Assim, a minha expectativa para esse show era grande e entusiasmada!

O grupo reúne Mikael Stanne (voz), Niclas Engelin (guitarra), Jesper Strömblad (guitarra), Peter Iwers (baixo) e Daniel Svensson (bateria). No entanto, o guitarrista Jesper Strömblad está afastado dos shows e, em seu lugar, Patrik Jensen completa o time de peso. A apresentação do The Halo Effect foi simplesmente incrível! Que energia boa essa banda tem ao vivo. Os músicos parecem estar realmente fazendo o que gostam, interagem entre si e também com o público.

A banda iniciou o show com a música Feel What I Believe, seguida de In Broken We Trust. O setlist contou ainda com Detonate (que, por sinal, agitou bastante o público), Gateways e Shadowminds, fechando com chave de ouro a apresentação dos suecos. Um rápido problema técnico com uma das guitarras, logo após a terceira música, não foi suficiente para diminuir em nada a qualidade do show. Mikael Stanne, carismático como sempre, também soube lidar bem com a situação.

As luzes verdes iluminando o palco e combinando com as cores do mais recente álbum, March of the Unheard, deram ainda um toque mais especial à apresentação. Se você ainda não ouviu The Halo Effect e curte um bom Death Metal Melódico, não deixe de prestar atenção nesta banda!

Fotos: Luciana Paltila

Marianas rest | Finlândia

Mais uma vez, voltamos ao palco acústico para prestigiar o Death Metal Melancólico dos finlandeses do Marianas Rest. Ao chegarmos ao local, tudo já estava pronto, e as luzes bem baixas, em tons quentes, indicavam uma apresentação de atmosfera intensa.

O repertório incluiu, entre outras faixas, Sirens e o mais recente single da banda, The Colour of You, que integra o álbum com lançamento previsto para janeiro de 2026. Segundo os músicos, esta foi a primeira vez que o grupo se apresentou em formato acústico e, como espectadora, posso afirmar que isso não transpareceu em nenhum momento: a performance foi impecável. O profissionalismo da banda, aliado à iluminação profunda e às melodias influenciadas por Doom e Black Metal adaptadas ao formato acústico, resultou em uma combinação nota 10!

Fotos: Luciana Paltila

Cradle of Filth | Inglaterra

E, fechando o primeiro dia do John Smith Rock Frozen, o Cradle of Filth subiu ao palco principal como headliner da noite. A primeira vez que vi o Cradle of Filth foi há poucos meses, em junho, no festival Tuska (cobertura aqui!). De lá para cá, a banda esteve algumas vezes em destaque nas notícias do mundo do Metal, devido a uma turbulência que resultou em acusações de antiprofissionalismo e em trocas de integrantes no meio da turnê latino-americana.

De todo modo, ao subir ao palco do John Smith Rock Frozen, Dani Filth (voz), Daniel Firth (baixo), Donny Burbage (guitarra), Kelsey Peters (voz e teclados), Martin “Marthus” Skaroupka (bateria) e Jiří Háb (guitarra) não deixaram o lado musical se abalar pelas recentes mudanças e entregaram um show potente. A banda atraiu muitos espectadores para o palco principal ainda antes de iniciar a apresentação com a música To Live Deliciously, do mais recente álbum The Screaming of the Valkyries (2025). Dani Filth tem uma presença de palco marcante, e seus agudos não falharam em momento algum.

O show do Cradle of Filth contou ainda com músicas como How Many Tears to Nurture a Rose?, White Hellebore, além de Nymphetamine Fix e Her Ghost in the Fog.

Com uma apresentação intensa e envolvente, o Cradle of Filth encerrou o primeiro dia do John Smith Rock Frozen reafirmando seu status como um dos grandes nomes do Metal Extremo contemporâneo.

Fotos: Luciana Paltila

Nosso sincero agradecimento a Jaakko Manninen e ao John Smith Rock Frozen pelo credenciamento! Jaakko Manniselle ja John Smith Rock Frozen festivaalille: Kiitos ja onnittelut upeasta tapahtumasta!