Quando partimos para o domingo, o cansaço mesmo nos consumindo partimos para o segundo dia de festival. Apesar do show do Sábado acabar em base das quase 4h da manhã, as 9h de domingo tínhamos encontro marcado para o primeiro show de domingo.
Ser mídia muitas vezes é sobre isso, dormir por último e acordar primeiro e tentar ao máximo não perder nenhum registro. Graças as amizades que o underground nos fornece, não perdemos de registrar nenhum vídeo em nosso instagram com trechos das bandas, fizemos fotos e review de todos os shows e agora você poderá acompanhar um resumo de como foi o domingo, confira:
Sabiá Preto | Rock | Ibirama/SC
Acredito que o horário mais difícil de tocar em um festival de dois dias, é exatamente este, abrindo os trabalhos logo cedo em pleno domingo. Mas em contrapartida, acordar com uma verdadeira aula de clássicos é sem dúvidas uma maneira que particularmente gostei bastante.
Sabiá Preto iniciou sua apresentação emendando dois covers muito clássicos. Nos primeiros acordes de domingo, tocaram Burn in Hell do Twisted Sister e foi na segunda música que prenderam minha atenção no show inteiro da banda, Highway Star do Deep Purple executado com extrema perfeição, uma música que coloca a banda já em um patamar alto pela dificuldade de execução.
Logo após, tivemos uma sequência de músicas autorais da banda, que mostram sua verdadeira sinergia. Praticamente todas as músicas autorais executada pela banda é do seu álbum lançado em 2023, intitulado Sede de Sangue, músicas como Revolta, Colapso e Cansaço foram as que mais gostei, inclusive a última tem uma influência muito pesada de Black Sabbath e com um acréscimo muito importante, todas as músicas autorais cantadas em língua pátria.
A banda alcançou um ápice em sua apresentação quando anunciou que iria tocar Sidney Magal o que arrancou muitas risadas de todos que assistiam a apresentação, ninguém acreditava que isto poderia acontecer, até os primeiros acordes da música e seu refrão icônico. Logo, o que era risadas se tornou aplausos pela excelente versão apresentada, algo que trouxe pegada de Deep Purple com algo algumas linhas mais arrastadas do Black Sabbath, confesso, achei incrível.
Após muitos aplausos a banda anunciou que fecharia o show com sua versão tocando Wrathchild do Iron Maiden e apesar de ter achado uma execução muito boa, achei que o show poderia ter terminado de forma melhor, finalizaria após a execução de Sidney Magal e deixaria um gosto de quero mais, porém é uma opinião pessoal e nada muda a excelente apresentação do Sabiá Preto que ganhou um novo fã.
Formação: Leandro (voz), Jeferson (bateria), Felipe (guitarra), Everton (baixo)
Review: Maykon Kjellin
Fotos: Maykon Kjellin
Rainfall | Hard Rock | São José/SC
Partindo para a segunda apresentação do domingo, a Rainfall subiu ao palco e logo trouxe riffs classudos com notas fortes e um trio de cordas bem afiado. Logo, infelizmente alguns problemas técnicos começaram a surgir, vocal a falhar, os PA’s para frente do palco não tinham som e ouvíamos um clássico de Judas Priest indo por água abaixo em meio ao refrão, era a icônica Breaking in the Law, que foi de 100 a 0 em poucos segundos.
Mesmo com todos os problemas, a banda manteve seu pique e sua energia, tentando manter um bom show. O instrumental estava impecável, mas algo estava em desencontro aos ouvidos, com PA’s falhando e toda a sonoridade sendo ouvida direto dos amplificadores do palco, mas quem ouve clássicos do Hard Rock e acostumado a ouvir essa sonoridade sempre nota o que não encaixa, esse é um dos pontos contra de fazer cover de clássicos muito reconhecidos.
Em perfeita sintonia, gostei da música Mr.Goodman (disponível no Spotify). O single lançado em 2022, traz uma música fincada no Hard Rock oitentista com pitadas de um som mais moderno. A dobra de vocais no refrão deixa o som ainda mais interessante e ao longo da apresentação foram apresentados outras autorais.
O vocalista Eduardo tem um drive natural na voz que poderia ser mais explorado, sendo o principal responsável por manter a energia da banda nas alturas mesmo com todos os problemas técnicos. Em um resumo, foi uma apresentação em que todos conseguiram manter o profissionalismo, mesmo com todos os problemas técnicos, mas algumas músicas covers em minha opinião, não encaixa bem com o vocalista e precisava ser revisto. Sobre os problemas técnicos, tiro o chapéu pela banda conseguir tirar de letra.
Formação: Cleiton (bateria), Eduardo (voz), Rafael (guitarra), Bruno (baixo)
Review: Maykon Kjellin
Fotos: Maykon Kjellin
Debrix | Hard Rock | São José dos Campos/SP
Eis aqui uma incógnita, nunca havia escutado o termo Extreme Hard Rock para definir uma banda, eu como um amante do estilo Hard Rock estava curioso para conhecer a banda e o som.
Sinceramente fui surpreendido positivamente, mas muito mesmo! As bandas da manhã já estavam numa sequência boa, aí vem uma banda com um som extremamente rápido com a cara do Hard Rock, fez eu me divertir muito. A Debrix tinha um carisma enorme e conseguiram trazer boa parte do público para dentro do salão, pareciam adestrados pelas notas altíssimas do vocalista Felippo.
Claro que a gente acaba prestando atenção em bem mais detalhes que apenas as músicas, mas prestei muito atenção quando a banda contou o caso do baixista (Alisson) que quebrou a mão quase na semana do show, e muito me admira os caras terem se quebrado no meio para entregarem um ótimo show. Os paulistas vieram até aqui pra entregar tudo, se reinventaram, um guitarrista (Frigg) encarou o baixo e aí o cara vê quem realmente respira música e faz de tudo pra entregar o melhor.
Chamava atenção o carisma passado pelo baterista (Albezin) ao executar as linhas de batera, me lembrava muito os grandes da história do Hard Rock entregando alegria e presença de palco, ao executar o som. Bastante som próprio, eis aqui uma banda que quero acompanhar de perto.
Formação: Felippo (voz), Alisson (baixo), Friggi (guitarra), Diego (guitarra), Albezin (bateria)
Review: Frank Rodrigues
Fotos: Maykon Kjellin
Violent Crisis | Thrash Metal | Criciúma/SC
A banda de Thrash Metal Violent Crissis de Criciúma (SC) iniciou seu show por volta de 12:10 do domingo. A banda segue a temática do Thrash raiz com riffs rápidos e vocais violentos; um ponto que me chamou atenção foi que no pedestal do microfone tinha vários negócios estranhos em baixo deixando a estética do show mais interessante.
A banda é composta por 2 guitarras, baixo, bateria e vocal. Em alguns momentos do repertório eles trocam de lugar mostrando bastante confiança no palco, a banda estreiou com o novo baterista neste dia, que inclusive mandou muito bem para o seu show de estreia. Eles tocaram alguns covers no repertório como Slayer, Obituary, Pantera e Sepultura, eles possuem uma boa performance nos palcos e em vários momentos o guitarrista e o baixista cantam algumas partes da música gerando entrosamento e uma mistura de vocais com timbres e flows diferentes.
Mesmo no domingo eu pude ver várias pessoas curtindo e bangueando durante o show (inclusive uma menininha que estava curtindo o show em cima de uma das caixas de som), o fato de terem dois guitarristas na banda deixa o som muito mais potente para o estilo Thrash Metal que a banda segue. Eu encerro dizendo que a banda possui entrosamento, presença de palco e técnica nos instrumentos.
Formação: Gustavo (baixo), Jediel (bateria), Angelo (guitarra), Rodrigo (guitarra), Frank (voz)
Review: Rubia Domeciano
Fotos: Maykon Kjellin
Chaos Synopsis | Death Metal | São José dos Campos/SP
Após descer do palco, respirar uns 10 minutos, empolgado, percebi que parte da banda anterior estava se formando para subir ao palco, só que agora para entregar um Death Metal agressivo para um diabo. Salvo engano subiram Frigg na bateria e Diego ainda nas guitarras, eles que tocaram na banda anterior.
Outra grata surpresa, me chamou a atenção de cara uma música que misturava letra em português e inglês, Son of Light, assim como algumas outras que me pareciam próprias. Composições com cara de Metal brasileiro, com grooves muito bem encaixados no meio de uma quebraceira desgraçada. Riffs pesadíssimos e repito uma pegada de Metal brasileiro, é algo que me chamava muito atenção.
A banda manteve o nível do evento lá em cima, porque o público correspondeu muito, é legal ver a cara de empolgação do pessoal que está na plateia e deixa transparecer a felicidade e empolgação em estar vendo uma ótima banda. Tá aqui mais uma banda que quero acompanhar de perto.
Formação: Jairo (baixo), Friggi (bateria), Diego (guitarra), Darc (guitarra)
Review: Frank Rodrigues
Fotos: Maykon Kjellin
Malefactor | Epic Unholy Metal | Salvador/BA
Agora vamos falar de uma lenda nacional chamada Malefactor, deu de perceber a grande expectativa que o pessoal estava para ver a banda, o calor no salão tava pegando, não sei se era porque o pessoal estava numa quebraceira das bandas anteriores, ou porque estava um calor para cada pessoa, mas tava quente!
Bom, estamos tratando de uma banda que vem desde os anos 90, com seu metal profano, letras temáticas, rodagem inclusive em turnê europeia, uma lenda com 4 discos, e reconhecimento na cena nacional. A ansiedade valeu a pena ao escutar o primeiro petardo executado pela Malefactor, Centurian, quando o pessoal chega com toda essa bagagem e representa logo na primeira música uma qualidade visceral, que ambienta o local, cria a atmosfera, aí é sinal que vem coisa boa.
Vem a segunda música, e uma que a pessoa que vos escreve queria muito ver ao vivo, Cristozofrenia, música que contém um clipe que me passou recentemente na timeline, e ficou na cabeça. O clima tava literalmente quente, tanto que os baianos estavam reclamando do calor, mas considero que estava quente na verdade, por toda a energia do ambiente, resposta do público muito foda para a banda.
Mais dois petardos profanos, Aghori e Necrolust in Thulsa Abbey e cada vez mais ficava impressionado em como a banda conseguia criar a ambientação condizente com as músicas que estavam executando. Era muito mais que uma banda em cima do palco, era sim um ambiente todo. Depois veio The Pit, um petardo de 2003, uma das músicas mais pesadas que já escutei da banda, e ao vivo, é mais legal ainda! Na sequência Baron Samedi. Outra música que sempre foi marcante, Elizabathory, após a introdução vem uma linha de guitarra que te insere dentro da música de uma maneira peculiar.
Quando o show estava se encaminhando para o final, a energia elétrica resolveu parar de funcionar. Mas só a energia elétrica, pois a energia que estava entre o público e a banda não morreu, pelo contrario, se viu músicos de uma humildade gigantesca! Os mesmo ficaram conversando abertamente com o público enquanto aguardavam uma possível volta da energia elétrica. São esses detalhes que mostram o gigantismo das pessoas, pois poderiam ficar emburrados, e fechar a cara, mas não estavam ali, conversando com o público e elogiando o evento, pois estavam encantados com tudo o que estava sendo proporcionado ali. Se já admirava a banda, passo a admirar ainda mais.
Formação: Lord Vlad (baixo e voz), Danilo Coimbra (guitarra), Jafet Amoêdo (guitarra), Daniel Falcão (bateria)
Review: Frank Rodrigues
Fotos: Maykon Kjellin
Captain Cornelius | Irish/Folk Metal | Rio do Sul/SC
Após uma inesperada queda de energia que durou uma hora e meia, veio o anúncio do cancelamento do show mais aguardado do segundo dia do festival. Com as malas já guardadas na van e o gosto amargo de um Otacílio sem despedida, nos preparávamos para a viagem de volta para casa. Mas, repentinamente, a energia voltou.
Grande parte dos headbangers se recusou a ir embora, ainda na esperança de ver o Captain Cornelius. A banda, que já havia desistido da longa espera e retirado os instrumentos do palco, decidiu remontar o show. Subiram ao palco em substituição à Trovoada de Soco, que, devido ao horário, não pode se apresentar.
Na ativa desde 2014, o Captain Cornelius combina elementos de Irish Punk e Folk Metal, criando um ambiente enérgico e festivo. Seu repertório inclui releituras de músicas tradicionais da Irlanda, Escócia e Finlândia, e a banda é conhecida por suas apresentações animadas, que proporcionam ao público uma experiência de festa e dança.
Na setlist da noite, não faltaram os hinos etílicos: Rumo ao Bar, Hand Of John Sullivan, The Irish Rover, Drinken Dranken Drunken, I’ll Tell Me Ma, Drunk Lazy Bastard, I’m Shipping Up To Boston, Drunken Lullabies, Wanderlust King, A Bottle A Day, Desce Mais Um Gole, Is This Bar Open Til Tomorrow, Vodka e, para encerrar com chave de ouro, Bugger Off.
Nas palavras deixadas pela banda em nosso Instagram: “Foi incrível! A falta de luz só deu mais energia para quem ficou. Obrigado pelo apoio, galera!”
E assim, a 17ª edição do Otacílio Rock Festival se encerrou de forma memorável e satisfatória.
Missão dada, missão cumprida. Pode tocar o sino. Até a próxima cobertura!
Formação: Douglas S (voz, banjo, bandolim e flauta), Fernando A. (guitarra e backing vocal), Fernanda O. (voz), Kiu (acordeon), Tamiris (violino e backing vocal), Gilbran Schramm (baixo), Thomas (bateria)
Review: Karla Sweden
Fotos: Camila Lima
Devido a problemas técnicos decorrentes da falta de energia, a banda Trovoada de Soco não se apresentou.
ANÁLISE TÉCNICA
Estrutura: Mais uma vez o Otacílio Rock Festival deu aula de estrutura. Portando mais uma vez de duas baterias, acelerou muito a troca de bandas. O pano de fundo de palco com a logo do festival, fica atraente aos olhos e demonstra a dedicação da organização e o carinho pelo seu filho que fez mais de 17 anos, visto que não tivemos evento durante a pandemia.
Som e Luz: A sonorização não economizou nem um pouco. À frente do palco, muitos subs e caixas ativas para repassar o que era executado no palco e quem estava na frente chegava a vibrar o coração da potência das caixas. A iluminação estava dando um show desde a primeira banda, mas quando anoiteceu fez parte literalmente dos shows.
Horários: Tendo duas baterias disponíveis, todos os horários iniciaram adiantados, o único show que atrasou foi da Captain Cornelius pelo fato de ter faltado luz após uma pequena ventania, mas foi em parte da cidade. Horários impecáveis.
Cast: Muitos falaram absurdos sobre o cast escolhido, um festival de organização duvidosa em outro canto, atrapalhou a organização em diversos fatores, mas novamente o Otacílio R.F mostrou o motivo de ter sua 17ª edição. Trabalho íntegro e dedicado, não é uma aposta, é uma realidade.
Bar e Cozinha: Refrigerante e água bem gelados e valor até que no preço de qualquer evento ou casa de shows. Alimentação adequada com alimentação típica serrana, disponibilizando o famoso entrevero serrano. Sobre a cerveja, tivemos a cervejaria OG MIL 88, chopp muito bem gelado e saboroso, várias opções e preços justo, recomendamos muito.
FOTOS PÚBLICO
Encerramos mais uma cobertura em um Otacílio Rock Festival. Infelizmente segundo o discurso dos organizadores, não sabemos se realmente o festival ao menos empatou em seus gastos. A verdade é que, as pessoas só valorizam quando tudo acaba. Quantos pubs em suas cidades que acabaram e muitos foram lá deixar mensagem de solidariedade? O mesmo acontece com festivais que hoje não existem. A poucos anos atrás tínhamos no mínimo um festival com camping por mês, na qual os próprios organizadores faziam um calendário anual catarinense de festivais. Hoje, sobraram poucos e esses poucos precisamos mantê-los vivos.
Acreditar em um produtor que aposta em um surto coletivo, que seu trabalho será bem executado pelo motivo de fazer um cast, o qual todos consideram apenas com bandas boas, não é definição correta de um bom trabalho. Trabalho que se preze é aquele que mesmo sobrevivendo pandemia e prejuízos continua de pé para fazer um final de semana de descanso e aconchego para nós. Encerramos a cobertura com essa reflexão e um agradecimento ao Denilson, Nani e Elienai, obrigado por manterem o OTA vivo!