Talvez, uma das melhores estruturas recentes já feitas no Clube de Campo. Um ótimo uso do espaço interno, para abrir as bancas de merch das bandas e marcas locais. Foi um ponto estratégico -próximo ao banheiro e à compra de comida e bebida, muito bem utilizado, e que garantiu proteção aos produtos na possibilidade de chuva. Um grande acerto da Agosto Negro Produções ao pensar nisso.

O palco, à primeira vista, parecia que deixaria a desejar por estar tão próximo do chão (cerca de 1 metro de altura, ou menos), mas isso criou uma experiência intimista entre bandas e público. Por fim, funcionou e elevou a conexão entre os presentes com as atrações.

Cobertura: 5º Storm of the Century

No entanto, cabem ressalvas quanto à sonorização. Entendemos que sonorizar um evento com tamanha diversidade de subgêneros pode ser desafiador, de modo que nosso compromisso com a verdade e com o público não nos permite fazer vistas grossas, mesmo que nós membros d’O SubSolo, sejamos amigos pessoais da organização. As queixas foram constantes, tanto da parte dos artistas quanto pelo público, seja por dificuldade em compreender a massa sonora produzida ou retorno dos integrantes das bandas.

As bandas foram introduzidas pelo mestre de cerimônias Rudi Vetter que as apresentava, contando um pouco da sua trajetória e seus integrantes e interagindo ativamente com o público, raramente visto em outros festivais.

 

The Wickermen

Foto por Metal com Batata

Abrir o palco de um evento open-air é sempre um desafio. Atrair o público que se espalha em barracas, procura o melhor lugar ao sol e à sombra… mas, quando se trata de Iron Maiden, esse desafio é superado com as faixas das melhores eras da Donzela de Ferro. O tributo prestado pela The Wickermen tem, por essência, resgatar as B-Side da discografia quase cinquentona dos britânicos, mas sem abrir mão de clássicos.

O quinteto, formado justamente em Laguna, apresentou uma grande evolução desde a última vez que o vi ao vivo (por volta de 2018, se não me falha a memória), e fez um baita showzaço, com efeitos teatrais, sonoros, uso de teclado e uma escolha refinada de set list.

Com seu vocalista encarnando o soldado de The Trooper, sendo tomado pelo espírito do Coração Valente empunhando uma reluzente “greatsword” em The Clansman, a banda não teve medo de arriscar canções complexas, como The Sign of the Cross, ou instrumentais, como Transylvannia, e ainda fez um resgate histórico ao buscar na era jurássica do Iron um clássico que provocou as primeiras rodas do Storm of the Century: Prowler. The Wickermen mereceu ser ovacionada pois cumpriu o desafio com louvor, e deixou o palco do evento bem encaminhado após ser inaugurado com pé direito.
Por: Vini Saints

 

Oath of Persistense

Foto por Metal com Batata

Quem não estivesse olhando para o palco, poderia afirmar de forma categórica que o som que ecoava pelo acampamento naquela tarde nublada de sábado, se tratava de uma banda com pelo menos 5 integrantes, tamanho o peso do som propagado pelo agora trio da banda que iniciou como um projeto solo em 2016. Tendo passado um curto período como duo (bateria e guitarra + vocais) após retomar as atividades em 2023, atualmente conta com três integrantes: Christopher Abel (guitarras e vocais), Diogo Marostica (bateria) e Renan Uller (baixo).

Mesmo sendo esta, a sexta apresentação da banda (terceira com a formação completa), é notório observar que se trata de um lineup experiente, que trouxe a bagagem de seus projetos anteriores (ou paralelos) para agregar em um som altamente técnico e pesado, onde tudo acontece ao mesmo tempo. Blast beats, riffs, swipes aparecem e se entrelaçam de forma coordenada, rápida e precisa, onde os instrumentos parecem ser brinquedos nas mãos deste trio que não deixou a desejar quando se propõem a  entregar um bom e velho death metal técnico. A banda executou na íntegra as 9 faixas do seu novo disco Fear of the Unknown, o qual terá sua versão física lançada ainda este ano.

Ao término do show, o mestre de cerimônias do evento fez o sorteio de brindes para o público que respondesse corretamente a perguntas envolvendo fatos sobre a banda. Uma maneira interessante de engajar o público e valorizar quem acompanha os artistas.
Por: Sidney Oss Emer

 

Dark New Farm

Foto por Clarissa Ribeiro

Vizinha dos anfitriões, a banda baseada entre as cidades de Laguna/SC e Imbituba/SC sobe ao palco para apresentar o seu new metal autoral, carregado de protesto. Entre uma música e outra, a banda fez questão de contextualizar quais as temáticas que permeiam suas letras, que envolvem questionamentos e resistência contra variados tipos de injustiça como homofobia, racismo, violência contra a mulher, imprudência, entre outros. E, claro, ovacionada pelo público que levanta suas bandeiras.

O setlist da banda contou com as seis faixas do seu álbum Farm News lançado em 2019, sendo Collision; Madre; Injustice; Hushaby; La Patria, La Fabula e L.O.V.E., com o adendo de um cover de Blind de Korn, uma de suas principais influências, onde aos primeiros acordes também foi possível ver o entusiasmo do público que não se decepcionou com a sua execução.

Outro destaque fica por conta de que este foi o primeiro show com a nova formação, sendo integrados Ewerton Júnior (baixo) e Vinicius Kuerten (guitarra base), retornando a ser um quinteto após um longo período longe dos palcos, que é completado pelos membros Maykon Kjellin (bateria), Sol Portella (guitarra e vocais) e Harley Caires (vocais).

Como a própria banda costuma brincar com o estereótipo “fazenda”, devido à origem do seu nome, é possível dizer que após toda dedicação do seu plantio, a colheita foi boa, tendo finalizado seu show com uma certa folga de tempo, o público pedindo bis, e certamente com a sensação de dever cumprido.
Por: Sidney Oss Emer

  

Losna

Foto por Metal com Batata

Poucas bandas exprimem tanto a essência de banda “old school” de Thrash Metal como o power trio Losna. Com as irmãs Fernanda e Débora na frente do palco, presenciar um show dessa banda porto-alegrense é ter uma aula de Metal feito para bater cabeça, e a proposta foi essa do início ao fim da apresentação no palco do Storm of the Century.

Quem queria ouvir riffs rápidos em um som amargamente venenoso e presenciar a sincronia impressionante entre os três membros da banda acabou enfeitiçado para o palco, pois foi isso que foi destilado ao longo do set de pouco menos de uma hora de duração. Para quem já conhecia essa receita, seria uma dose extra bem-vinda e um convite para potencial overdose de Metal.

O setlist de Losna serpenteou entre os trabalhos mais recentes dos gaúchos, contando com The Gray Man (2023) e Carmilla (que teve seu videoclipe lançado após o festival). O álbum de 2020 Absinthic Wrangles compôs metade do repertório, dividindo espaço ainda com trilhas extremas como Back to the Grotto, Chapel of Ghouls (do Morbid Angel) e Slowness, um resgate do primeiro full da banda em 2007. O baterista Mateus ainda teve holofotes merecidos para si em seu momento solo no palco, chamando o público para perto e batucando para canalizar toda a energia que o trio emanou do stage em Laguna.
Por: Vini Saints

 

Carniça

Foto por Metal com Batata

Existem bandas que carregam consigo uma experiência que se traduz em diversas atitudes. Seja fora do palco, curtindo o evento de cabo a rabo, ou, principalmente, sobre ele. Carniça representa isso com grandeza: um grupo que está desde 1991 nas estradas, carregando o espírito do underground e tendo consciência clara de seu papel quando é invocada para estar entre irmãos de jornada e fãs de sua trajetória.

O quarteto riograndense subiu para Laguna com o objetivo de levar Metal rápido, intenso e pesado em uma bagagem enorme de histórias. E isso foi cumprido com grande êxito, pois teve aclamação de uma horda de headbangers que foi consumida pelas faixas matadoras apresentadas.

O setlist foi embebido de trilhas desde o debut, Rotten Flesh (1999), até mais recentes, como A New Medium Ages (2022), passando, claro, por hinos como a faixa Carniça, que faz o público entoar o nome da banda à plenos pulmões, bem como a gloriosa Revolução Farroupilha, que foi precedida por um intenso discurso de Mauriano Lustosa (frontman) cruzando a história de Laguna e sua Revolução Juliana com o capítulo gaúcho que dá nome à música, presente no álbum de 2017. Na saideira, uma releitura sensacional de Powerslave, do Iron Maiden, também presente no álbum de 2022, que foi uma forma de mostrar que o Thrash Metal do Carniça é capaz de possuir até os mais clássicos e tomá-lo como seu, com maestria.
Por: Vini Saints

 

Alkila

Foto por Metal com Batata

Ver Alkila em palcos de Laguna é uma mistura de nostalgia com intensidade sonora. Entre idas e vindas, a banda capitaneada por Renato Lopes acumula mais de vinte anos de experiência e teve uma noite de “o bom filho à casa torna”. Desde que havia anunciado seu retorno, em 2022, eu estava particularmente ansioso para ver novamente o Death Thrash Metal da banda, que mistura incontáveis influências extremas em seu repertório autoral.

A minha espera foi correspondida à altura, e, ao visto, do público também. Misturar músicas que remontam as origens da Alkila, como Hater by Hate, com os lançamentos recentes -como a poderosa Madness, funcionou muito bem, e em muitos momentos pudemos presenciar mais rodas se abrindo na frente do palco.

Quem chegou perto do quarteto não desgrudou do palco do início ao fim. Faixas do EP Ashes of This World, como Systematic Murder, ditaram o ritmo de cabeças que pareciam não cansar da pegada massiva do novo som da banda, que parece se inspirar cada vez mais nas tendências contemporâneas do Metal para criar nova personalidade ao seu Thrash/Death que dá peso em todos os momentos em palco. Por fim, Alkila agraciou seus fãs mais antigos, que conheciam o grupo desde seus tributos à Sepultura, e também foi uma que encerrou a apresentação com uma homenagem: Arise, um hino do Metal brasileiro, pôs fim ao espetáculo desses lagunenses no palco do Storm.
Por: Vini Saints

 

Volkmort

Foto por Metal com Batata

Por ser uma banda muito presente nos festivais da região onde O SubSolo atua, é muito difícil não assistirmos a um show deles. E na majoritária parte das vezes, este que vos escreve é o responsável por tal cobertura.

Desse modo, sempre que escrevo, me pego pensando se não estou sendo repetitivo, pois, não tem como falar de Volkmort sem falar da imersão produzida pelo quarteto devido à densidade do som que emana do palco, de modo a deixar o público presente em estado de torpor. É possível observar olhos fixos e atentos ao palco enquanto as notas são lentamente tocadas de forma arrastada, e que ora ou outra são substituídas por riffs rápidos e agressivos.

O setlist foi principalmente baseado no seu mais recente trabalho Fallen in the Bloody Field (2023) com as músicas Cold Winds, Returning to the Bloody Field, From Glory to Abyss e Triumphus Mortis, cujo videoclipe fora lançado em meados de 2023, sendo esta, a primeira produção audiovisual dedicada da banda, cuja qualidade atingiu patamares dignos de excelência. Continuando com o setlist, também tivemos Destructive Obsession presente em Battle Desolation (2019) e Decadence as the End lançada em 2010. Estas duas últimas também estão presentes na versão física em cassete Traces of Doom (2015).

Vale observar que, diferentemente dos anteriores, o novo trabalho da banda, Fallen in the Bloody Field, parece carregar um tom (por incrível que pareça) mais soturno, como se a música estivesse conversando com o ouvinte, o que, novamente, corrobora para um ambiente denso e imersivo, capaz de fazer com que um show inteiro se passe como que em poucos minutos.
Por: Sidney Oss Emer

 

Leviaethan

Foto por Metal com Batata

A Leviaethan é composta por Flávio Soares nos baixos e vocais, Denis Blackstone na guitarra e Ratão na bateria. Oriunda de Porto Alegre/RS, iniciando os trabalhos no ano de 1983. Revisitar o meu passado no clube de campo, onde muitas vezes a banda subiu nos palcos dos diversos eventos organizados pela produção, foi nostálgico. Conheci a banda antes mesmo de fundarmos o website e nisso muitas memórias vieram à tona durante o show, mesmo que uma dor de cabeça tendo me predominado e me fazer assistir o show um pouco de longe.

Dessa vez como headliner, a Leviaethan trouxe o Thrash Metal clássico e old school para os palcos do Storm of the Century. Liderada por uma lenda do cenário, o baixista Flávio mostrou que 40 anos de palco com a banda o deixa leve para fazer o seu trabalho. O estridente e robusto baixo era presente na sonoridade visceral da banda, que mesmo com altos e baixos na carreira, nunca desistiu e alcança o posto de head de festivais com maestria e merecimento. Os riffs de guitarra ecoam na mente com facilidade e foi difícil ver pessoas paradas e não batendo cabeça acompanhado de um bumbo estourando junto da bateria vulcanizada do Ratão.

O show trouxe muito mais do que um Thrash Metal executado, trazendo uma aula de dinossauros ao público que degustava de músicas revigorantes e classudas. Destaco a execução de Humanimal que traz uma viagem direto ao Thrash noventista com a visceralidade das guitarras, acompanhado de uma bateria incendiária, os bons vocais do Flávio que alternam tons e mesmo assim mantém um baixo com um groove devastador e poderoso.
Por: Maykon Kjellin

 

Inferno Nuclear

Foto por Carina Langa (Underground Extremo)

Para dar continuidade à quebraceira, sobe ao palco outra banda bastante aguardada na noite. Enquanto todo mundo vai em direção ao Pará tomar um tacacá, a banda Inferno Nuclear atravessa o país, literalmente do Norte ao Sul, para nos agraciar com um rápido e violento metal.

Formada por Wellington Freitas (vocais), Hugo Spell (Hugowar) (baixo), Marcos Ferreira (bateria) e Leonardo Garcia (guitarra), sendo este o último de São Paulo, a banda paraense/paulistana entregou ao público uma dose carregada de puro Thrash Metal raiz, cuja apreciação do público foi nítida devido aos moshs incessantes a cada música executada.

Com exceção do single Insensatez Humana (2017), que foi a penúltima canção do setlist, o repertório do show se baseou em sete das oito músicas de seu último full-lenght Diante de um Holocausto (2021), ficando de fora, somente Vítimas. Portanto, executadas: Evitamos a Vida, Provocamos a Morte; Alienação; Anarquia; Contra-Ataque; Soldados do Mal; Anjos da Guerra; e fechando a apresentação, Unidos pelo Underground.

Mesmo após quase uma hora, a movimentação era intensa, tanto no moshpit quanto no palco, já que a banda como um todo, mas em especial, o vocalista Wellington, não demonstrou cansaço, e entregou sua energia até o último minuto de show, com passagens rápidas e pesadas somadas àqueles vocais agudos que a gente gosta. Denotando que a viagem valeu cada quilômetro rodado, a banda encerrou com agradecimentos à organização e ao público, que em retribuição a ovacionou e demonstrou a vontade de ouvir mais.
Por: Sidney Oss Emer

 

Voorish

Foto por Metal com Batata

Para fechar a noite, e instaurar um clima sombrio para o Storm of the Century, após alguns ajustes técnicos na sonorização, Voorish sobe ao palco para entoar atrocidades e blasfêmias. O calor da noite não foi impeditivo para que a banda se apresentasse com a clássica caracterização de roupas longas, capuz, e claro, o corpse paint do velho BM tradicional.

A banda apresentou as faixas do seu primeiro trabalho que se encontra em fase de gravação, para beve lançamento, a ser: Pray, Satan’s Fall, You Are Nothing, Dark Ages, Right Away, Over my Hands, My Feelings, Make it Real.

Formada em 2022, embora relativamente nova, Voorish é composta por músicos da cena catarinense que já possuem décadas de experiência com outras bandas da região. E isso se refletiu no seu show, onde foi possível observar a intimidade com o palco, e principalmente, com os instrumentos.

Passagens rápidas e agressivas, executadas com muita técnica, somadas aos vocais ríspidos que profanavam letras misantrópicas e satânicas, exalando o que há de mais obscuro e demoníaco.
Por: Sidney Oss Emer

Ghost BC

Para quem aguardava a apresentação da banda tributo a Ghost BC, infelizmente não foi desta vez. Poucos dias antes do evento, a banda teve de cancelar a sua apresentação por motivos de força maior. Não houve substituição, ficando o cast com uma banda a menos.
Por: Sidney Oss Emer

 

E assim encerra o primeiro dia da 5ª edição do Storm of the Century.
Confira a segunda parte da cobertura com todas as bandas que tocaram no domingo.

Especialista em cybersegurança, acordeonista e tecladista da banda Isla de la Muerte. Entusiasta de fotografia, já foi fotógrafo e redator nos projetos Virus Rock e Opus Creat. Não limitado a um subgênero do metal, tem como preferências: folk metal, doom/sinfônico, death metal, black metal, heavy metal. Gaúcho de coração, valoriza a cultura tradicionalista gaudéria, a qual inspira suas composições nas bandas em que toca. Interesses globais: Música, ciência, tecnologia, história e pão de alho.