Como muitos sabem, há mais de 2 anos que o Bruno Sutter (frontman da banda Massacration) vem fazendo uma turnê pelo Brasil com seu show de homenagem à banda Iron Maiden, em comemoração aos 50 anos de carreira da icônica precursora do Heavy Metal mundial.
E no último fim de semana (22/03) foi a vez de Blumenau apreciar esta apresentação que, fortemente promete ser muito mais do que um show, mas, um verdadeiro tributo a essa banda que tanto contribuiu com a cena do Rock e Metal, bem como, faz parte da história de uma massiva parcela de headbangers das mais variadas faixas etárias.
E não é para menos, não é mesmo? Pois com 50 anos de estrada, muitas pessoas cresceram ouvindo esse som, aprenderam história, compraram sua primeira camiseta, ganharam uma mixtape e por aí vai. E Bruno assumiu a responsabilidade de bater no peito e relembrar estes momentos pelo Brasil afora.
Nossa equipe que chegou cedo para ver tudo de perto, e já se deparou com uma fila que ia até a esquina da casa. Dando a entender o que estava por vir.
Antes da apresentação, a banda Ravenna Rocks deu uma baita aquecida no público, trazendo alguns clássicos do Rock e Metal para já deixar a galera animada. A setlist foi bem variada, tocando desde Queen com We Will Rock You, passando por Alice in Chains com Man in the Box, Tom Sawyer de Rush, até War Pigs dos mestes Black Sabbath, entre tantos outros clássicos, mostrando a versatilidade dos músicos, e o intuito de agradar um público bastante diversificado.
O trio blumenauense é composto por Deny Bonfante na guitarra, Anderson Agostinho no baixo e Guto Gaburah na bateria, músicos experientes da cena, também conhecidos em outros projetos, trouxeram o suco do Rock’n Roll para o deleite do público, nesta noite que estava apenas começando.
Como é praticamente inviável ter uma banda que percorra todo o país durante tanto tempo, por cada lugar que passa, Bruno toca com uma banda da região, afinal praticamente todas as cidades possuem uma banda cover de Iron Maiden. E a banda escolhida para tocar neste fim de semana foi a Steel Maiden, de Florianópolis/SC, que inclusive, tocou em sua cidade na noite anterior à Blumenau.
Após os ajustes técnicos de troca de instrumentos, a banda Steel Maiden sobe ao palco sem muitas firulas e já começa com Caught Somewhere In Time seguida de 2 Minutes to Midnight. E aqui cabe uma ressalva pessoal deste que vos escreve: Infelizmente o meu (pseudo) TOC não deixou de perceber que show começou exatamente à meia noite. Se tivesse começado 10 minutos antes, teríamos uma sincronia perfeita da segunda música com o horário de sua execução. Talvez tenha sido a intenção da banda, mas como sabemos, sincronizar horários assim é difícil, até por questões técnicas que às vezes não se pode controlar. Mas tudo bem, que sabe um dia, não é?
A setlist segue com Man on The Edge e The Trooper. Então, uma breve pausa feita para saudar a casa, com direito à uma piadinha envolvendo o filme Tropa de Elite e Flight of Icarus (“sabe voar, estudante?”). Me desculpem, mas essa é só para quem conhece a música e assistiu ao filme.
A noite mal havia começado, e já temos uma surpresa. Para execução do próximo bloco de canções, um convidado especial, que já teve seu nome citado algumas vezes aqui no site. Saulo Xakol sobe para assumir o baixo de Wrathchild, Remember Tomorrow, Killers, Phantom of the Opera, Stratego, e Speed Of Light. Xakol que também é um músico de vasta experiência na cena, honrou o seu posto ao representar Steve Harris.
Observando as músicas executadas até o momento, já pudemos ver que passamos por todas as fases de Maiden, desde Paul Di’Anno, Blaze Bayley, até claro, Bruce Dickinson. Muitas destas canções foram cantadas apenas pelo público fiel, que conhece o lado B da Donzela de Ferro.
Além de talentoso, Bruno Sutter é uma pessoa excepcional, tendo conduzido o show com uma presença de palco e carisma únicos, e cumprindo com a promessa de transformar a apresentação e uma storytelling. E para dar continuidade à esta homenagem, mais uma troca de instrumentos: Desta vez, Xakol desce, e volta ao palco, o baixista Andrey Riley, que por sua vez, estava substituindo Thiago Moser, baixista oficial da Steel Maiden, mas que não pode estar presente devido à sua viagem ao Canadá.
Completando o lineup da banda, temos Douglas Baumer na bateria, nas guitarras, Guilherme Kraieski e Lucio Iannone (importado diretamente da Itália, segundo a banda), e para os vocais Iri Antonio. Sim, continuando a dança das cadeiras, Bruno agora assume a bateria para que Iri possa se apresentar juntamente com sua banda.
Todos devidamente posicionados em seus lugares, seguimos o bloco, as próximas faixas foram Wasted Years, The Evil That Men Do, Wasting Love, Bring Your Daughter… To The Slaughter e The Wicker Man, executadas por Iri Antônio, vocalista oficial da Steel Maiden, que não deixou a desejar, e manteve o nível da apresentação. Inclusive, uma curiosidade: a maioria dos integrantes da Steel Maiden, são professores de música apaixonados por Heavy Metal, então, é claro que teríamos um show de qualidade diferenciada. E enquanto isso, Bruno detonava na bateria, mostrando as suas habilidades multi instrumentais.
Encaminhando-se para o último bloco da setlist, que contou com um total de 21 faixas de todas as fases de Iron Maiden, Iri e Bruno dividiram os vocais, alternando algumas frases. As músicas que encerraram o show foram: Iron Maiden, The Number of The Beast, Fear of The Dark, Hallowed Be Thy Name, e a chave de ouro, Run to the Hills. Destaque para estas últimas 5, onde nos momentos ápice, os moshs que até então, não existiam, se tornaram presentes e violentos, e a cada refrão, era necessário abrir espaço para não ser levado pelo redemoinho de headbangers extasiados com o som.
Durante toda a apresentação a casa permaneceu cheia, onde em alguns momentos, era difícil até se movimentar para pegar uma cerveja ou sair de onde estava. E somente com os moshs, que o pessoal da pista começou a se espalhar, mas o público permaneceu fiel até a última música, que após o seu término, Bruno, que não é bobo nem nada, já aproveitou para fazer um merchan do Massacration, cujo novo disco Metal Is My Life estava à venda, além de camisetas e outros itens, que o pessoal podia comprar e tirar fotos em um breve meet and greet.
Também aproveitou para divulgar o show do Massacration que acontecerá em 21/06/2025 também no Ahoy! Tavern Club. Bruno elogiou a casa, e o calor do público, que de fato, este que vos escreve, pode atestar que não foi demagogia, pois a banda e o público estavam realmente em muita sintonia. Houve até um jovem de 14 anos acompanhado pelos pais, que receberam ovações da banda e do público, por manter o Rock vivo e garantir que a nossa juventude não está perdida.
E assim se encerrou o show que com certeza cumpriu com o papel de reviver memórias de muitos e criar memórias em outros, em uma homenagem à lenda viva chamada Iron Maiden, em seus 50 anos de história, feita POR quem gosta de Rock PARA quem gosta de Rock.
Up the Irons! /,,/