No último domingo, Curitiba recebeu uma das instituições mais respeitadas do Death Metal referente. O Obituary subiu ao palco como quem sabe exatamente o que veio fazer, e fez.

A tarde começou com um esquenta estratégico no Bar do Didi. Minha parceirinha de coberturas, Amanda, e eu já estávamos prontas para mais uma jornada metaleira juntas. Entre risos, conversa e aquele alinhamento profissional de última hora, fazíamos nosso trabalho com diversão, mas com a seriedade de sempre, ainda que acompanhadas por um chopp bem tirado. Cobrir shows também exige preparo.

Enslaver

Pontualidade absoluta: o convite à destruição foi atendido às 19h30 em ponto, com a primeira banda da noite já posicionada. Sem rodeios, os riffs iniciais soaram como um chamado claro, era hora de destruir no melhor sentido possível. Entre uma música e outra, o vocalista agradeceu a presença do público com a informalidade típica do underground: “Muito obrigado a todo mundo que compareceu hoje, porra”. Comunicação direta, sem filtro, como manda o estilo.

Com músicas curtas e riffs acelerados, o repertório avançava a galope firme. As faixas se sucediam com precisão cirúrgica, intercaladas por breakdowns que faziam as “jubas” girarem em uníssono. Juventude e técnica caminhavam lado a lado. Em determinado momento, o vocalista ergueu a mão e pediu para abrir mais uma roda, ordem prontamente atendida, como se o gesto fosse um decreto oficial da noite.

A despedida veio com um “valeu, pessoal”, uma saideira instrumental e uma ovação à altura. Antes de deixar o palco, a tradicional convocação para a foto coletiva aproximou ainda mais banda e público, prática que reforça o espírito comunitário da cena.

Fotos: Amanda Luz

 

Rotborn

Na sequência, a Rotborn manteve o clima aquecido. Além de convidar o público a conferir as camisetas no merch, anunciou uma das músicas de seu segundo álbum. O guitarrista, empolgado, pediu a abertura de mais uma roda, prontamente atendido. A banda então despejou riffs em velocidade de bala, sustentando a intensidade e a euforia lá no alto. Antes de encerrar, reforçou o pedido para que todos seguissem as redes sociais. Afinal, o underground também vive de algoritmo.

Fotos: Amanda Luz

Obituary

Quando o Obituary finalmente assumiu o palco, a casa já estava tomada. Em um breve intervalo entre as bandas, uma saída estratégica para o chopp revelou um detalhe importante: ao retornar, já não havia espaço sequer para “mais uma alma”. O público literalmente encheu o local. Ir ao banheiro? Missão impossível.

Com a casa lotada e o calor queimando pela energia coletiva, a banda agitava o público, incentivando as rodas que se abriam e fechavam com impressionante sincronia. Veteranos do gênero, os norte-americanos conduziram o show com a segurança e a brutalidade características, mostrando por que seguem relevantes após décadas de estrada.

Sem sensacionalismo, mas com fatos: foi uma noite de riffs precisos, público participativo e respeito mútuo entre palco e plateia. Em Curitiba, o Death Metal segue saudável, suado e, felizmente, barulhento.

Fotos: Amanda Luz

Um brinde à parceria🥂

Registro aqui meu respeito pela Amandinha, fotógrafa de talento implacável e profissionalismo exemplar, que tem sido minha melhor companhia nos shows. Foi ao lado dela que a música, que, para mim, nos palcos de Curitiba nas coberturas anteriores havia se convertido em um cenário de dor, voltou a ser vista sob outras lentes: as da parceria, do trabalho sério e do prazer compartilhado pela música extrema.

Amores podem ser passageiros. Amigos são para sempre.”

Então, um brinde à bela amizade que O SubSolo me trouxe, e às muitas coberturas que ainda virão.

Fica também o agradecimento especial a toda a equipe que tornou possível a realização do evento, produção, técnicos, staff e todos os envolvidos nos bastidores. Em especial ao pessoal do Tork N’ Roll, da Caveira Velha Produções e da Tedesco Mídia, fundamentais para que a noite acontecesse com organização, pontualidade e respeito ao público.

Porque, no fim das contas, por trás de cada riff que estremece o chão, existe muito trabalho silencioso, e ele merece ser reconhecido.

Até a próxima cobertura…

Das ilhas do Caribe. Una chica sin filtros e de opiniões impopulares. Licenciada em Design Gráfico com Pós-graduação em Docência no Ensino Superior. Atualmente Designer Gráfico Freelancer - Espanhol Nativo - English as a Second Language - Amante do café, literatura (História, biografias, romance literário) Rock/Metal e uma boa companhia. Ϟ Música é a minha terapia. "I love getting pretty & listening to violent music."︎ ✷ Stay Metal