A pandemia nos trouxe coisas ruins e hoje, nessa cobertura vamos exaltar uma das coisas boas que a mesma nos trouxe, os festivais online. Entre todos os festivais que ocorrem nesse tempo, o do LVNA chamou a atenção não só por ser uma mídia criada por mulheres, mas sim pela ideologia de ter um festival com bandas com integrantes mulheres em prol de um coletivo de mulheres.



O festival chamou a atenção pela sua excelência não só da execução do festival, mas também pela divulgação que teve vídeos em francês, italiano e outras línguas. As bandas confirmadas dessa segunda edição foram: BLOODHUNTER, Hamen, BrightStorm, No One Spoke, Dark Valley, Lasting Maze, Sinaya, Divine Pain, InRaza, FlowerLeaf, Sacrificed, Able to Return, AnamA, Final Disaster, Quantum, Flowers To The Ground, Lia Kapp, Voccatus, Fenrir’s Scar, Abstracted.


A segunda edição também contou com uma temática beneficente para o coletivo Mulheres de Luz que busca promover e garantir o acesso às políticas públicas e a defesa dos direitos humanos das mulheres em situação de prostituição na região central da cidade de São PauloCom atuação histórica e longa militância dentro do Parque da Luz, o coletivo mais recentemente foi constituído como organização social visando melhorar e ampliar o atendimento de mulheres, em sua grande maioria com idade acima de 40 anos, negras ou pardas, moradoras das periferias e com baixo nível de escolaridade. são responsáveis, ainda, pela principal fonte de renda de suas famílias. (informações retiradas da fanpage oficial do Mulheres da Luz).


Vamos as bandas do festival:

AnamA foi a responsável por abrir o festival com a música Dark Night e chamou muita atenção pelos vocais líricos de alta potencia e afinação. Inclusive por não ter baixista, já que a banda conta com Babi Bueno nos vocais que também se responsabiliza pelos teclados e arranjos, Caio Garibaldi que é guitarrista e também tecladista e Nikolas Marcantonatos na bateria. E o festival começou como? Pegando fogo.
Logo em seguida a Flowers to the Ground chegou com a música Just a Theory com um bom riff no começo que já avisa, vem Metal Alternativo por ai. Os vocais de Shelda Viana (que é uma pessoa e vocalista que eu particularmente admiro MUITO) com um vocal calmo que casa perfeitamente com a melodia da música e quando mais exigida tecnicamente, corresponde a altura. Queria elogiar também que a banda combinou toda a iluminação, ficando bem agradável. Compõem ainda a banda, os músicos Emerson Oliveira e Lucas Mesquita nas guitarras, Lucas Santiago no baixo e sintetizadores e Paulo Aguiar na bateria.

Fechando o bloco, Sacrificed trás a versão da sua música Walking Through Flames em acústico. Apresentando a banda, Kell Hell fez muito mais do que o seu papel de vocalista e sim, entusiasmando quem assistia a doar para o coletivo e falando muito bem de todo o trabalho e como foi a criação do seu material para o festival. 

Iniciando o segundo bloco do festival, uma das bandas mais fantásticas do cenário catarinense, No One Spoke. Contando com duas mulheres na formação, sendo Carla Domingues nos vocais e Iva Giracca no violino. A banda também convida a todos a visitarem o seu financiamento coletivo para o lançamento do seu primeiro disco. Já sobre a música, um vocal lírico fortíssimo e uma música muito envolvente com o violino, puxando para o Heavy Metal oitentista com muita sabedoria.

Agora foi o momento de todos pararem o que estavam fazendo, Fenrir’s Scar chegava na área. Com os vocais poderosos e magistrais de Deze Rezende e com o sempre seu fiel escudeiro André Baida sempre sendo crucial em todo o instrumental e como vocais de apoio, essa banda que tem como coração essa dupla romântica e fascinante, lança mais um single que incrivelmente é mais um para a galeria de boas músicas da banda. Afirmo com todas as letras que adoro essa banda!

Encerrando o segundo bloco Voccatus trouxe uma música e já lançou seu videoclipe Only To Her I. Em muitas da cena do videoclipe que é apenas teclado e vocais, relembra o filme Bird Box. Algumas cenas também com um véu e claro, excelentes vocais de Lais Paes, como sempre.


No terceiro bloco a primeira banda FlowerLeaf, que foi uma banda que me conquistou durante as lives d’O SubSolo pelo carisma da vocalista Vivs Takahashi. Antes da música começar ela já avisa, a música foi gravada em quatro países diferentes e com músicos de seis bandas diferentes. As vocalistas convidadas foram Nadine Mittmann do Conspiria, Kelly Thans do Cathubodua, Aliki Katriou do Eight Lives Down e Grazy Mesquita do Lasting Maze. Já a música, ficou excelente, principalmente no refrão que conta com todas as vocalistas juntas, mesclando lírico, vocal limpo e gutural. Banda de qualidade excelente!


A Dark Valley com Ana Carla de Carli cantando e tocando piano, em uma música que chega a arrepiar só de lembrar como foi, pois deu um clima de nostalgia a quem assistia, relembrando muito Amy Lee. Vocais suaves, afinados e alcançando notas altíssimas. Conquistou a todos que assistiam e resultou em vários comentários de quem assistia na hora.


Fechando o bloco INRAZA mais uma vez impressiona, o que já não é novidade. A banda apresentou uma nova versão da música Stuck, chamada (Still) Stuck, readaptada apenas para o festival e quando for lançada no streaming, nos próximos dois anos tudo o que ela arrecadar, será doado ao Coletivo Mulheres da Luz. Não estamos falando apenas de música e sim de pessoas de boa índole. Sobre a música, muito breakingdown, peso e melodias. Detalhe que o baterista Kelvin Aguiar estava tão focado que surgiu um comentário a respeito na hora de que “O baterista está tão focado, que pode acabar o mundo, que ele pede só um minutinho que tem que terminar a música”.


Able to Return abrindo mais um bloco, impressionou pelos vocais  de Caroline Pilletti, gutural coeso e fascinante, bastante ríspido, como o Metal tem que ser. Achei que os músicos poderiam ter caprichado um pouco mais nos cenários utilizados para as gravações, mas super entendo que são momentos que músicos fazem o que podem. A dupla de guitarra muito bem afinada e entrosada, fazendo boas dobradinhas. A afinação pesada deu um brilho a mais na música e muitos comentaram que a banda é a revelação do Metal e eu super concordo.


Parem tudo, absolutamente tudo o que estiver fazendo e procure conhecer sobre a próxima atração do festival, Lia Kiapp. Aqui é claramente o exército de uma mulher só, o que essa garota faz sozinha, não é brincadeira. Deixa muita banda com vários integrantes no chinelo, principalmente pela originalidade da música em si. Virei fã Lia, você é sensacional!


Eis então que a BrightStorm entra em cena para finalizar mais um bloco. Com seu Gothic Metal nos vocais de Naimi Stephanie, que naturalmente deixam todos em êxtase a música tem energia de sobra. A presença constante dos teclados, fazem toda a diferença numa música de Metal, sinto falta de mais presença do mesmo em nossas bandas.  


Quantum é uma banda bem audaciosa, principalmente pela sonoridade que apresenta. Mesclando entre vocais limpos que lembram Rita Lee a um vocal gutural áspero, a banda trouxe sua participação em preto e branco. A edição do vídeo deu bastante contraste ao festival. Os vocais de Lo Ferrera são de alto nível, notável que a mesma se dedica muito as técnicas vocais apresentadas na música.

Já a Abstracted chega com sua nova membro, Carol Lynn nos teclados. Confesso que não conhecia a banda e no começo até achei que seria algo voltado ao Hardcore, mas ao ler sobre a banda, descobri que é uma banda de Metal Progressivo na ativa desde 2013. As influências da banda são Opeth, Machine Head, Atheist e pasme, Death. A banda não tinha tecladista até então e fizeram uma boa escolha, deu uma quebrada excelente na música.

E mais um bloco chega com a excelente banda Hamen. Mais uma banda catarinense no cast, a Hamen com seu metal sinfônico e os excelentes vocais de Monica Possel. Com um instrumental bem trabalhado, solos de guitarras potentes e um baixo bem coeso, a banda faz com que fazer música pareça fácil. Uma bateria bem acentuada com várias notas, principalmente uma presença forte de pedal duplo.

Final Disaster dispensa apresentações, certo? Uma das bandas mais presentes n’O SubSolo desde sempre e agora com a excelente vocalista Deborah Moraes dividindo os vocais com Kito Vallim, a banda ganha mais presença. A banda optou por uma música mais acústica, com violão, baixo, vocais e teclado. Dando mais uma vez, uma quebrada no festival e isso é notoriamente positivo, sendo que o público não espera e faz com que a banda se destaque. Qualidade não faltará nunca para Final Disaster.


Banda de Death Metal formada em 2010, a Sinaya é uma das poucas bandas do cast com duas integrantes mulheres sendo elas Mylena Monaco, guitarrista e vocalista e Janaina Melo, baterista. Completam a banda Erick Akune e Douglas Prado, baixista e guitarrista respectivamente. Com uma música cortante, logo da vontade de bangear e tomar uma cerveja, claro, não poderia faltar um bom liquido precioso para acompanhar o LVNA Festival



Agora chegou a patroa! Tati Klingel com sua técnica vocal na extrema excelência, não é atoa que é professora de vocal gutural. Tati recentemente aceitou o convite para fazer parte do Divine Pain, que tem também Danilo Coimbra (Malefactor). Acredito que essa união, foi algo bem pontual. A banda soa com extrema naturalidade e com bons riffs e solos de guitarra. Os vocais, bom como mencionei, incríveis como sempre.

Diretamente de Mossoró, temos a Lasting Maze da artista Grazy Mesquita. Quando falo artista, é que além de vocalista a Grazy é compositora, manja de edição de vídeos como criação de lyrics e gravações de clipes e claro, com o microfone na mão, só não faz chover. Melodicamente a Lasting Maze é impecável, com guitarras sempre bem trabalhadas e criando uma atmosfera em meio a música. Fiquei viciado nos riffs das guitarras dobradas, excelente.


Fechando com chave de ouro, mesmo não sendo de uma forma mais presente, mas é “a estreia” da Diva Satanica em festivais no Brasil, porém, dessa vez com o Bloodhunter. A contribuição do Bloodhunter foi em uma apresentação ao vivo e é assustador como os vocais da Diva são tão técnicos e fortes. Canta como se fosse sua última música em vida, dando tudo de si. Não vejo a hora de vê-la em ação com o Nervosa.


Parabenizo as idealizadoras Mari Moreira e Angie Ramms. Falando da colaboradora d’O SubSolo, Angie Ramms que sempre está disposta a ajudar o Rock/Metal do nosso cenário que é vasto de bandas de muita qualidade, sabemos quanto a mesma se doou para esse evento, desde o primeiro contato para O SubSolo ser o parceiro do festival até a sua execução. 

Sou suspeito em falar da temática do festival, pois gosto muito de festivais que agregam  a ONG’s e projetos beneficentes, com’O SubSolo já fez em diversas oportunidades. Elogio as pessoas da Angie, da Mari e de todos que de alguma forma contribuíram para que esse festival acontecesse e espero que logo venha a terceira edição! Parabéns LVNA!

E para quem perdeu o Fest na estreia, o mesmo se encontra disponível na íntegra no canal do LVNA:

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Gremista, catarinense, gamer, cervejeiro e admirador incessante do Rock/Metal. Tem como filosofia de vida, que o menos é mais. Visando sempre a qualidade invés da quantidade. Criou o site 'O SubSolo" em 2015 sem meras pretensões se tornando um grande incentivador da cena. Prestes a surtar com a crise da meia idade, tem a atelofobia como seu maior inimigo e faz com que escrever e respirar o Rock/Metal seja sua válvula de escape.