A equipe do Subsolo Finlândia esteve mais uma vez no Jäähalli para acompanhar uma noite dedicada ao Metal, desta vez marcada pela passagem dos mestres do Thrash Metal Machine Head com a turnê Øf Kingdom and Crown, que teve os italianos do Fleshgod Apocalypse como banda de abertura. Fãs de metal de toda a Finlândia e de outros países se reuniram no local, ansiosos para assistir às apresentações de duas das bandas mais reverenciadas dos seus respectivos gêneros.

Fleshgod Apocalypse 

A noite começou com a apresentação dos italianos do Fleshgod Apocalypse. Quando os mestres italianos do Death Metal Sinfônico entraram em cena, fizeram sua apresentação em um palco bem reduzido, com pouquíssimas pessoas na pista perto do palco. Talvez porque era uma terça-feira, ou talvez por ser uma bela noite de verão e a maioria das pessoas simplesmente preferiu ficar ao ar livre, ou ainda porque a maioria dos headbangers de Helsinque ainda se recuperava da ressaca do Tuska, que se encerrou no domingo anterior. O fato é que, apesar dos pouquíssimos presentes e da clara falta de mosh pits e headbangs, a performance, que misturou batidas de blast beats, riffs de guitarra pesados e vocais melódicos e intrincados, resultou em uma apresentação no mínimo interessante para os que presenciavam a banda pela primeira vez. O show não é somente uma típica apresentação de banda de Metal, mas sim uma dramatização completa, contando com figurinos de época, uma parafernália visual típica de óperas italianas, instrumentos de cordas e piano, além da performance intensa dos músicos, que engajavam constantemente com o público, somada, é claro, às melodias operísticas.

Acho que a característica mais marcante do Fleshgod Apocalypse ao vivo é o contraste do vocal gutural do vocalista Francesco Paoli com os vocais operísticos da soprano Veronica Bordacchini, algo incrível de se testemunhar ao vivo. Canções como The Fool e Minotaur fizeram os poucos mas fieis fans presentes vibrarem, mostrando a conexão profunda entre a banda e a comunidade finlandesa de Metal. Quando achávamos que a apresentação tinha se encerrado, a banda ainda mandou um cover de David Guetta, I’m Good (Blue), fazendo os presentes ficarem confusos, mas cantarem junto.

Fotos: Michelle Koukkula

Machine Head

Com muito pouco tempo para a mudança de instrumentos e com um pouquinho de atraso, era hora do headliner da noite subir ao palco. Quando o Machine Head tocou as primeiras notas, a multidão, que nessa altura já havia chegado em peso ao Jäähalli, pareceu acordar e se mostrava elétrica e animada, com a energia headbanger esperada. A lendária banda de Thrash/Groove Metal, conhecida pelo som agressivo, não decepcionou os que se arrastaram para a arena.

O vocalista Robb Flynn, sempre carismático, liderou a apresentação interagindo com o público entre as músicas e criando uma atmosfera intimista, quase como se fizéssemos parte de uma apresentação feita na garagem da banda, apesar do tamanho da arena. O show foi parte da turnê Øf Kingdom and Crown, e o setlist incluiu várias faixas novas do álbum de 2022, que foram perfeitamente entrelaçadas com clássicos como Locust e Halo.

O que realmente destacou o show do Machine Head em Helsinki foi o carisma que Flynn trouxe à performance. A cultura do Metal na cidade é lendária, e a devoção do público foi evidente desde a primeira nota até o encore. A sinergia da banda no palco foi inegável, e os solos de guitarra intricados e os breakdowns brutais reverberaram pelos mosh pits da arena. Helsinki, muitas vezes reconhecida por seus fãs exigentes de Metal, se destacou em relação a outros shows europeus, especialmente pela forma como o público respeita o legado das bandas.

A interação entre o público e os músicos foi um dos momentos mais marcantes, com Flynn fazendo questão de frisar o quanto era especial se apresentar em uma cidade com uma história tão profunda no cenário do Metal, enquanto fazia inúmeras brincadeiras jogando copos cheios de cerveja para os presentes. O show também contou com intensa atividade visual: grandes colunas de fogo e fumaça, um show de luzes muito bem feito e sincronizado, além das gigantes bolas infláveis jogadas no público. A banda também jogou inúmeras palhetas, eram dezenas e dezenas sendo arremessadas do palco, praticamente garantindo que quase todos os presentes tivessem a oportunidade de ganhar uma.

Um dos momentos mais memoráveis da apresentação em Helsinki foi quando o vocalista Eemeli Bodde, do Decapitated, subiu ao palco para cantar Davidian, fazendo o público “devagar-quase-parando” de Helsinki se animar e cantar junto. A apresentação foi uma verdadeira aula de entretenimento e não desapontou os poucos, mas muito fiéis, fãs presentes.

Em conclusão, o show de 2025 do Machine Head e Fleshgod Apocalypse em Helsinki foi uma experiência excepcional que superou as expectativas dos fãs de Metal da cidade, mesmo em plena terça-feira, depois de um fim de semana de puro metal que foi o Tuska. Enquanto o Fleshgod Apocalypse trouxe sua complexidade sinfônica e seu drama teatral, o Machine Head entregou sua marca registrada de Groove/Thrash metal com uma intensidade incomparável: pura porrada musical.

Fotos: Michelle Koukkula

Agradecemos à All Things Live pelo credenciamento e pelo evento.