Em um final de tarde quente de verão, Helsinque recebeu a lenda grega Septicflesh para uma noite de Metal Extremo que ficará na memória dos que estavam presentes. As bandas de suporte, Afsky, da Dinamarca, e Vermilia, da Finlândia, contribuíram para uma noite mágica de puro Metal Extremo.
O evento aconteceu na CoolHead Brew, uma cervejaria que conta com um espaço aberto para concertos ao seu redor. Situado no pitoresco e verdejante quintal da cervejaria, no bairro de Viikki, o local ofereceu uma atmosfera única e intimista, onde os fãs de música extrema puderam aproveitar as apresentações sob um céu limpo e aberto, com temperaturas agradáveis que criaram o clima ideal para uma experiência que mesclava o espírito descontraído de um festival com a aura sombria e etérea característica do Metal Extremo. Os presentes também puderam mergulhar completamente na música, saborear as cervejas locais e vivenciar uma tarde que parecia ter saído das páginas dos livros de Tolkien.
Vermilia
A abertura da noite ficou por conta da artista finlandesa Vermilia. O projeto de uma mulher só contou com membros ao vivo para a turnê e trouxe a magia do seu aclamado álbum Karsikko para o palco. O projeto teve seu álbum de estreia, Kätkyt, lançado em 2018 e, desde então, a artista já acumulou mais de 2.000.000 de streams no Spotify. A linda performance, uma mistura mística de Pagan Metal, influências de Folk finlandês e atmosfera sombria, combina vocais rasgados e limpos, e teve seu set descrito como uma exibição de “atmosfera opressivamente sombria e beleza crua” por mídias locais: uma entrada verdadeiramente única na programação da noite. A performance de Vermilia foi calorosamente recebida pelo público, e a própria artista mais tarde agradeceu aos organizadores e ao público por uma experiência tão incrível que foi a noite em questão.
Fotos: Giovanna Marques
Afsky
Os dinamarqueses do Afsky subiram ao palco com alguns minutos de atraso devido a problemas técnicos, já que o equipamento do vocalista Ole Pedersen Luk parecia não funcionar como deveria. Após várias tentativas, a banda decidiu iniciar o show mesmo assim, e logo as primeiras notas já demonstravam o que viria: um Black Metal cru e extremamente ressonante nos ouvidos.
Algo muito interessante de se assistir era o contraste da atitude dos músicos durante as músicas e antes e depois da apresentação: todos muito sorridentes e extremamente simpáticos, mas, quando começa a apresentação, percebe-se a atmosfera sombria e desesperada do Black Metal tomar conta. A performance intensa e atmosférica mostrou ainda mais contraste com o fim de tarde de verão, com uma das paisagens mais belas que já vi em um show de Metal Extremo.
O projeto, também de um artista só, contou com a participação dos músicos de turnês, que não só faziam bem seu trabalho como complementavam perfeitamente uns aos outros durante a apresentação, que parecia uma dança macabra e bela de se ver e ouvir. A música do Afsky é conhecida pela sua capacidade de combinar a agressão crua do Black Metal com melodias melancólicas surpreendentemente belas. O projeto possui quatro álbuns lançados, e o mais recente, lançado neste ano e intitulado Fællesskab, traduzido livremente como “Comunidade”, recebeu críticas positivas dentro da cena de Metal Extremo.
Algo que colabora ainda mais para a atmosfera sombria e hipnotizante da banda é o fato de não haver quase nenhuma informação sobre os músicos em si; simplesmente sabe-se que é um projeto de um homem só, e esse homem se chama Ole. A apresentação ao vivo é extremamente poderosa, com os gritos agonizantes de Ole ecoando pelo palco juntamente com os riffs frenéticos de guitarra e baixo, além de uma bateria que completa lindamente a composição bela e dolorosa. A entidade ao vivo é muito poderosa e fez seu trabalho tão bem que entregou um show que foi ao mesmo tempo esmagador e emocionalmente ressonante.
A apresentação conseguiu levar a multidão a um certo êxtase, com os participantes envolvidos em headbanging e circle pits; era simplesmente impossível ficar com o pescoço parado. A performance destacou a habilidade da banda em criar uma atmosfera de Black Metal convincente e imersiva, recebendo elogios pela sua entrega autêntica e poderosa, que preparou perfeitamente o público para o headliner, Septicflesh.
Fotos: Giovanna Marques
Septicflesh
O Septicflesh entrou no palco com urros de entusiasmo e palmas, e era possível sentir a ansiedade e a antecipação do público no ar. A banda de Death Metal Sinfônico foi formada em Atenas em 1990, mas só lançou seu primeiro álbum full-length em 1994. Apesar de alguns hiatos na história do grupo, não se pode negar a importância da banda para a cena, principalmente pela região em que se originou. Desde então, o Septicflesh lançou um total de 11 álbuns de estúdio e, neste ano, liberou um EP magnífico intitulado Amphibians, que vale, e muito a pena ser ouvido!
A banda entregou uma performance que apenas solidificou sua reputação como um dos atos ao vivo mais atraentes e profissionais da cena do Metal Extremo, e eu fiquei extremamente contente em finalmente vê-los ao vivo e poder assistir à lenda da bateria Kerim “Krimh” Lechner e seus potentes blast beats, o cara é realmente uma máquina! Os pioneiros gregos fundiram perfeitamente sua base brutal de Death Metal com arranjos orquestrais, criando uma experiência teatral e arrebatadora. O palco, acentuado por iluminação dramática e telas personalizadas, criou o clima perfeito para o lado extremamente dramático da banda.
O setlist foi uma viagem pela extensa discografia do grupo, apresentando favoritos da multidão como The Vampire From Nazareth, Pyramid God, Hierophant e Dark Art. Críticas da turnê europeia de 2025 elogiaram consistentemente a capacidade da banda de manter uma atmosfera opressiva sem sacrificar um pingo de precisão técnica. Algo imprescindível de ser mencionado é o carisma do vocalista e baixista Spiros Antoniou, o cara é muito gentil e interage com o público em cada música, criando uma atmosfera relaxada e amigável.
Fotos: Giovanna Marques
Pode-se dizer, com toda certeza, que o Septicflesh proporcionou uma porrada auditiva imersiva e uma verdadeira Aula Magna de Fúria Sinfônica. Que noite! A noite mágica de 3 de julho de 2025 vai, com certeza, permanecer por muito tempo na memória de todos que estavam ali presentes.
Agradecemos em especial a Sami Silvennoinen e à Nahka Agency pelo credenciamento e pelo evento de sucesso.







































