No dia 7 de outubro de 2025, a equipe do OSubsolo Finlândia estava de volta ao badalado Jäähalli, em Helsinque, para cobrir o retorno do The Offspring à capital finlandesa como parte da turnê Supercharged Worldwide in ’25. Mais uma vez, era uma noite fria, desta vez típica do outono, que acabou se transformando em uma vibrante celebração do Punk Rock. No Jäähalli, a casa cheia reunia diferentes gerações de fãs, criando um clima de expectativa que ia muito além da simples nostalgia dos fãs mais velhos.
Com o Simple Plan como banda de abertura, o espetáculo já se apresentava desde o início como um evento cuidadosamente preparado, mesclando memória afetiva e atualidade musical.

Simple Plan
Responsável por aquecer o público, o Simple Plan foi muito além do papel tradicional de banda de abertura. Logo nas primeiras músicas, os canadenses conquistaram a plateia com carisma e muita energia. O setlist, que começou com I’d Do Anything, foi uma verdadeira celebração de seus mais de vinte anos de carreira e contou com os esperados hits, como Addicted e Perfect, além de canções mais emotivas, como Welcome to My Life e Summer Paradise.

O público vibrava nostalgicamente a cada canção, e a banda recebeu uma resposta imediata da plateia, que cantou junto e participou ativamente da apresentação. O grupo manteve o público envolvido com um show de palco divertido e interativo, que incluiu elementos visuais coloridos, como o lançamento de bolas de praia gigantes na plateia e a adorada versão do tema do Scooby-Doo.

A energia contagiante e despretensiosa do Simple Plan “abriu os trabalhos” de forma ideal para o headliner da noite. Ao longo da turnê europeia, a banda mostrou ser uma escolha perfeita como banda de apoio, já que suas músicas criam uma ponte natural entre o Pop-Punk melódico e o som mais áspero do The Offspring. Eles não apenas executaram seus hits com muita atitude, como também conseguiram criar uma atmosfera de diversão nostálgica, transformando o show em um evento imperdível para fãs de Pop-Punk-Emo de todas as gerações.

Setlist
I’d Do Anything
Shut Up!
Jump
Jet Lag
Addicted
Your Love Is a Lie
Nothing Changes
Welcome to My Life
Summer Paradise
You Suck at Love
What’s New Scooby Doo?
Where I Belong
I’m Just a Kid
Perfect

The Offspring

Quando o headliner da noite subiu ao palco, a resposta do público, já extremamente empolgado, foi imediata. A banda começou com tudo ao som da sempre aguardada Come Out and Play, que deixou todos os presentes pulando e ainda mais extasiados, criando uma expectativa enorme pelos hits que ainda estavam por vir.

O setlist da noite contou com clássicos como All I Want e Gotta Get Away, além de faixas mais recentes do álbum Supercharged, incluindo Looking Out for #1 e Make It All Right. A produção visual foi impecável. Era impossível não se entusiasmar com tantos elementos vibrantes ao longo do show.

O palco se transformou em um verdadeiro playground do Punk Rock, com esqueletos infláveis gigantes soltando fumaça, um mascote gorila correndo pelo palco e pelo público, além do uso irreverente das telas de fundo, que exibiam imagens da plateia. Entre elas, câmeras “Booty” e “Kiss” ajudavam a manter o público animado durante os intervalos, além de várias piadas visuais, como a sátira da famosa câmera do show do Coldplay que flagrou um casal proibido. Neste caso, a câmera capturou um momento romântico e igualmente “proibido” entre um membro do staff e o mascote gorila. Nem é preciso dizer que as gargalhadas tomaram conta da arena, e o público se divertia a cada nova interação.

Um dos momentos mais incríveis (na minha humilde opinião de die hard fan de Sabbath) foi a homenagem a Ozzy Osbourne. As palavras ditas deixaram clara a enorme importância de Ozzy para todos que fazem qualquer tipo de música considerada “rebelde”. A homenagem contou ainda com uma interessantíssima performance de clássicos do Black Sabbath, em um lindo medley de Electric Funeral e Paranoid, além da magistral Crazy Train.
Apesar da altíssima técnica de Randy Rhoads, conhecida por todos que um dia já tentaram tocar alguma de suas criações, o multi-instrumentista Jonah Nimoy demonstrou toda a sua habilidade e surpreendeu positivamente o público presente. A banda ainda apresentou mais dois covers: uma versão Punk Rock de In the Hall of the Mountain King, de  Edvar Grieg, e um dos maiores hinos do Punk Rock, I Wanna Be Sedated, dos Ramones.

Embora a presença de covers e medleys divida opiniões entre os fãs mais puristas, o impacto ao vivo é inegável, e fica evidente o quanto o público vibra com esses momentos. Outro grande destaque foi a pausa dramática em que um piano branco foi levado ao palco para uma emocionante versão de Gone Away. Nela, o vocalista Dexter Holland apresentou uma interpretação comovente apenas com voz e piano. Foi um momento em que toda a arena brilhou com luzes de celulares, enquanto centenas de vozes cantavam em uníssono, proporcionando um raro respiro emocional antes do retorno ao ritmo acelerado do show.

O The Offspring encerrou a noite com um encore massivo, primeiro com You’re Gonna Go Far, Kid e, em seguida, com o clássico mega hit, e, na minha opinião, a melhor música já feita pela banda: Self Esteem. O resultado foi uma multidão em Helsinque suada, satisfeita e completamente “Supercharged”.

A performance da banda foi um verdadeiro triunfo, misturando a energia desafiadora de suas raízes Punk com o apelo grandioso de uma produção digna de um espetáculo de arena. Eles alcançaram o raro feito de agradar tanto o fã casual, que cantou cada palavra de Pretty Fly (for a White Guy), quanto o entusiasta hardcore, que vibrou com a intensidade de Bad Habit.

Setlist
Come Out and Play
All I Want
Want You Bad
Looking Out for #1
Staring at the Sun
Original Prankster
Hammerhead
Hit That
Make It All Right
Bad Habit
Electric Funeral / Paranoid
Crazy Train
In the Hall of the Mountain King
I Wanna Be Sedated
Gotta Get Away
Gone Away
Why Don’t You Get a Job?
Pretty Fly (for a White Guy)
The Kids Aren’t Alright
Encore:
You’re Gonna Go Far, Kid
Self Esteem

Em resumo, a passagem do The Offspring por Helsinque reafirmou a longevidade e a relevância da banda, ao mesmo tempo em que destacou o acerto da escolha do Simple Plan como banda de abertura. Mais do que um exercício de nostalgia, o show se revelou uma celebração coletiva da história do Punk Rock moderno, capaz de mobilizar diferentes gerações e manter sua força no palco. O público deixou o Jäähalli com a sensação de ter testemunhado não apenas um grande concerto, mas um capítulo vivo dessa trajetória musical.

Nosso muito obrigado à Agência Fullsteam pelo credenciamento.