Após vinte e três anos do lançamento do seu aclamado álbum de estreia Fallen, a banda finlandesa For My Pain… lança um novo disco, Buried Blue, e retorna aos palcos, para a alegria dos seus fiéis fãs (como essa aqui que vos escreve *risos*).
O grupo de Metal Gótico lá do norte da Finlândia, mais precisamente da cidade de Oulu, era inicialmente composto por Altti Veteläinen (baixo), Petri Sankala (bateria), Tuomas Holopainen (teclados), Lauri Tuohimaa (guitarra), Olli-Pekka Törrö (guitarra) e Juha Kylmänen (voz), mas esta formação teve algumas mudanças e agora Ari-Matti Pohjola assume a bateria e Marco Sneck, os teclados. Nas apresentações ao vivo, a banda conta ainda com a presença de Riina Rinkinen e Jarmo Kylmänen fazendo backing vocals.
Foto promocional por Sami Mustonen
Tivemos o prazer de encontrar o For My Pain… um pouco antes do primeiro show da turnê, em Helsinque, no dia 14 de janeiro de 2026. Encontramos Olli-Pekka Törrö e Marko Sneck no Restaurante Ilves e tivemos um bate-papo descontraído sobre o retorno da banda, o novo álbum, os planos para o futuro e mais. Confira abaixo!
Luciana: Olá, pessoal! É um prazer estar aqui hoje. Obrigada por esta oportunidade de entrevistá-los em nome de toda a equipe d’O Subsolo. Em primeiro lugar, hoje é o primeiro show da turnê, e em poucas horas vocês estarão no palco do Tavastia Club em Helsinque. Como vocês estão se sentindo agora? Como está o clima para o show de hoje?
Marco Sneck: Obrigado pelo convite. E sim, acho que estamos muito animados. Foi um longo processo para fazer o álbum, e acho que ficou muito bom. Nós temos músicas novas no repertório muito boas, assim como as músicas antigas. Então estamos muito animados.
Olli-Pekka Törrö: Sim, animados e um pouco nervosos também, mas isso sempre acontece um pouco antes do show, sabe? É uma sensação de formigamento.
Luciana: Ah, isso é perfeitamente compreensível! Eu tenho certeza de que esta noite vai ser divertida e que vocês vão arrasar no palco! Mas vamos falar um pouco sobre a história do For My Pain…. A banda voltou há pouco mais de um ano. Quando vocês decidiram voltar, o novo álbum também já estava planejado? Pergunto isso porque algumas bandas finlandesas que têm feito também retornos após longo tempo em pausa retornam apenas para shows. Mas vocês foram além. Vocês nos deram um novo álbum incrível. Isso era parte do plano?
Olli-Pekka: Bem, primeiro decidimos lançar algumas músicas. O álbum estava lá de certa forma, e pensamos de antemão que talvez pudéssemos lançar um álbum também, mas escolhemos ir com calma e avançamos com uma ou duas músicas de cada vez para ver aonde isso tudo nos levaria. Estávamos compondo novas músicas e em certo ponto achamos que tínhamos músicas prontas o suficiente para um bom álbum. Então sim, a ideia de lançar um álbum novo estava lá no início já, mas no começo não sabíamos ao certo quanto tempo levaria. E, bom, levou dois anos para ficar pronto, então, não foi um processo muito rápido. Mas, finalmente, conseguimos um álbum muito bom.

Foto por Michelle Koukkula
Luciana: Sim, é realmente um ótimo álbum, eu concordo! Então as coisas foram devagar e aqui estamos nós aguardando para escutar as novas músicas ao vivo…
Olli-Pekka: Isso, nós tínhamos músicas novas e pensávamos: “será que é essa a música? Será que esta é boa o suficiente? Será que vai ficar boa para o álbum?” Esse tipo de coisa, sabe? Então decidimos começar a gravar uma música e depois mais uma e depois ensaiar… E depois fazer pequenas demos. Até nos decidirmos que estávamos prontos para montar o álbum inteiro. Fomos dando pequenos passos.
Luciana: Sim, às vezes é melhor assim..
Olli-Pekka: Nosso primeiro single, Recoil into Darkness, já era uma música antiga para nós. Então, no álbum, temos uma versão um pouco revisada da música; a música foi remixada. E há algumas partes diferentes do que na versão do single. Então, no álbum, ela está um pouco mais polida e melhor, eu diria.
Luciana: Eu adoro essa música. Sobre o novo álbum, Buried Blue foi lançado há poucos dias. Na opinião de vocês, como tem sido a reação dos fãs e da mídia até agora? Vocês estão satisfeitos com os resultados?
Olli-Pekka: Bem, sim.
Marco: Acho que sim, eu sinto que as pessoas estão dizendo que este novo álbum dá continuidade à grandiosidade do álbum de estreia. É claro que tem coisas novas, mas também um pouco da sensação antiga. Eu acho que é muito bom ouvir isso.
Olli-Pekka: Sim, algo antigo, algo novo, algo moderno. E os fãs têm sido incríveis. Quase todo mundo diz que ama o álbum. Acho ótimo e é até um pouco emocionante ouvir tantos elogios. E as críticas que vi têm sido, em sua maioria, positivas ou muito positivas. Acho que fizemos um bom trabalho até agora.

Foto por Michelle Koukkula
Marco: Devo dizer que este pode ser o primeiro álbum em que não vi nenhum comentário negativo. Normalmente há alguns. Alguém sempre fica insatisfeito. Desta vez não.
Olli-Pekka: Por enquanto não tem comentários negativos. (risos)
Luciana: Eu concordo que o álbum é perfeito do início ao fim. O álbum foi lançado na última sexta-feira (09.01.2026), e já pela manhã, a caminho do trabalho, eu fui ouvindo e de cara Child of the Fallen e Gone Tomorrow me impressionaram muito.
Marco: Sim, essa é uma música muito boa do Olli-Pekka.
Luciana: Exatamente! De todas as músicas, vocês têm alguma especial? Aquela que durante o processo de composição ou gravação, marcou-lhes ou que lhes lembre algo significativo?
Olli-Pekka: Não sei. Acho que todas as músicas deste álbum são um pouco especiais. Elas têm suas próprias características, acho que todas são especiais à sua maneira e cada uma traz um certo sentimento individual. Mas, para mim, eu diria que é a Tether. É uma música especial para mim porque é diferente. Essa música tem uma linha de baixo sintetizada, tem também vozes femininas, duetos e coisas do género. Nós até pensamos, quando estávamos compondo e produzindo a música, se ela seria muito diferente das outras músicas. Será que colocamos no álbum ou não? Mas quando a música ficou pronta, com todas as partes gravadas, ela ficou muito boa e se encaixou muito bem com as outras músicas. Ela ainda é um pouco diferente, mas a voz feminina de Riina Rinkinen é muito boa. E a voz de Juha também tem dimensões um pouco diferentes nessa música. Ele canta de forma muito suave, então, talvez Tether seja uma música bastante especial para mim nesse álbum.
Luciana: É interessante ouvir isso, que legal! Agora, mudando um pouco de assunto, o início do ano 2000 foi muito especial para a cena Metal finlandesa. E muitos álbuns icônicos foram lançados nessa época e vocês, claro, têm participação nisso. A cena de Metal finlandês se expandiu internacionalmente, chegando a lugares como o Brasil. E, desde então, muitas bandas de Metal finlandesas têm conquistado o coração dos brasileiros (eu mesma faço parte dessa onda). O que vocês acham dessa época? Vocês imaginavam que as músicas de vocês iriam tão longe?
Olli-Pekka: Não, e isto é incrível. Após nosso retorno (em 2023), no nosso primeiro show em Oulu, havia pessoas do Brasil, do México, da Alemanha, do Reino Unido…
Marco: De todo o mundo…
Olli-Pekka: Sim, pessoas do mundo todo vieram aqui ao norte da Finlândia, na cidade de Oulu, para assistir ao nosso show! Foi uma sensação surreal. Tinha pessoas lá que vieram porque nossa música os alcançou e elas vêm de longe nos ver na cidade fria lá no norte da Finlândia! (risos) Então, eu não tinha nenhuma expectativa sobre o sucesso mundial. Bem, não foi um sucesso muito grande, mas ainda assim alcançou a América Latina. Eu tenho amigos no México e eles dizem que há um pequeno grupo underground que também gosta de Metal finlandês, que gosta do For My Pain…. E eles até têm pedido para fazer uma turnê pela América Latina.
Luciana: Essa era a minha próxima pergunta! (risos)
Olli-Pekka: Sim, eles têm pedido. E algumas pessoas que organizam essas turnês entraram em contato conosco. Mas é sempre uma questão de tempo, porque todos nós temos empregos diurnos, temos famílias. Somos ocupados com outras coisas além da música. Então, turnês longas são muito difíceis de fazer. Talvez algumas turnês mais curtas em alguns países sejam possíveis, mas é preciso muito trabalho de base antes de decidir ir para longe. Mas sim, estamos pensando nisso e considerando a possibilidade. E se o tempo, o lugar e as estrelas se alinharem, quem sabe pode acontecer algum dia!
Luciana: Que ótimo saber disso! Tenho certeza de que os fãs brasileiros ficarão muito felizes com a possibilidade. E sobre isso, percebi que muitos ouvintes brasileiros estão reagindo de forma muito positiva ao retorno e, especialmente, ao novo álbum, nas redes sociais e em sites relacionados ao metal. Mas se vocês fossem ao Brasil pela primeira vez, o que vocês esperariam? E sejam sinceros, será que o For My Pain… sobreviveria à multidão e ao calor dos brasileiros? (risos)
Olli-Pekka: Sim, acho que sobreviveríamos à multidão, mas o calor seria um pouco problemático (risos). Não sei se tocaríamos lá vestindo apenas sungas ou algo do tipo. (risos) Mas sim, as condições são muito diferentes lá, então seria um desafio. Mas com a quantidade certa de hidratação, descanso e esse tipo de coisa, acho que conseguiríamos. Eu acho que é possível, talvez um pouco desafiador, mas ainda assim. Acho que estamos prontos para esse desafio algum dia.
Luciana: Nós temos aqui uma pergunta de um fã brasileiro, Antônio. O Antônio gostaria de saber quais foram suas inspirações musicais quando vocês criaram o álbum Fallen e especialmente quando vocês criaram o novo álbum. Vocês estavam ouvindo algo especial, algum tipo de música ou banda?

Foto por Michelle Koukkula
Olli-Pekka: Bem, em Fallen, pelo menos nas minhas músicas, eu tentei ter um pouco de Anathema, um pouco de Katatonia… Tipo em Bed of Dead Leaves (música do álbum Fallen) há um pouco dessa vibe do Katatonia. E tentamos incluir também mais Rock e um certo tipo de sensação gótica, então tivemos um pouco de influências de The 69 Eyes, Type O Negative, esse tipo de coisa. E, bem, em Dancing in the Dark (outra música do álbum Fallen), você poderia dizer que lembra um pouco de Nightwish. E Sentenced, é claro, algo do Sentenced também. Eles têm sido nossas bandas favoritas e tentamos trazer um pouco dessa sensação e vibração para nossas músicas. Claro, não copiando diretamente, mas recebendo algumas influências. E posso dizer que no álbum Buried Blue também há um pouco do estilo do The 69 Eyes e do Type O Negative novamente. Em Child of the Fallen (música do álbum Buried Blue) há um pouco dessa coisa de Nightwish. E, claro, talvez Sentenced, Charon… E Tether tem aquela linha de baixo do sintetizador… Eu ouço muito Synth-pop, New Wave, EBM e música eletrônica, então os suecos do Covenant e do Depeche Mode foram minhas influências para Tether. Claro, adicionando guitarras pesadas também, mas a linha do verso, a linha do baixo, veio da música eletrônica synth-pop. Bem, Burn-out Sun, a última música do nosso álbum, definitivamente tem um pouco da vibe de My Dying Bride ou Gothic-doom nessa música.
Marco: No que diz respeito ao teclado, foi mais o clima da música que serviu de inspiração. Não sei de onde vem, mas para algumas músicas como Tether, era necessário muito sintetizador dos anos 80, coisas pop… Já a música Black Calla Lilies (música do álbum Buried Blue) exigia mais uma vibe como o Type O Negative. Então, o sentimento sempre prevalece.

Foto por Michelle Koukkula
Luciana: É muito interessante ouvir como tão diferentes tipos de música e bandas podem servir de inspiração.
Olli-Pekka: Sim, e Windows Are Weeping tem aquele toque folk. Claro, também tem um pouco da vibe do Nightwish, especialmente quando Troy (Troy Donockley das bandas Auri e Nightwish) está tocando flauta.
Marco: Por alguma razão, a música exigia esse tipo de camada.
Olli-Pekka: Sim, mas, originalmente, não pensamos nele. Essa era uma música com uma guitarra mais melódica, era mais uma música comum. Mas então acho que Altti (Altti Veteläinen) teve a ideia de chamar o Troy. Nós entramos em contato primeiro com Tuomas Holopainen (Auri, Nightwish) e perguntamos o que Tuomas achava que o Troy diria. E o Tuomas disse: “Ah, mas ele iria gostar. Vá em frente. Posso garantir que ele vai aceitar!”. E foi verdade, o Troy ficou muito satisfeito e também gostou muito da música. E o esforço dele foi muito bom.
Luciana: Que incrível! Bom, nós estamos chegando ao fim. Muito obrigada mais uma vez pelo tempo de vocês e pela conversa agradável! E desejo muito sucesso no show desta noite!

Foto por Michelle Koukkula
Nosso agradecimento ao For My Pain… pela entrevista, em especial a Olli-Pekka Törrö e Marco Sneck. Agradecemos especialmente também a Jere Saajoranta (Ginger Vine Management & PR). E por fim, obrigada ao restaurante Ilves e à casa de show Tavastia Klubi. Kiitos teille kaikille! 🙂
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