Quem acompanha e vive a cena underground sabe da luta que é para se ter um lugar ao sol, não somente como artista independente, mas também com o intuito de fazer e ver a cena acontecer, seja na produção de material artístico e eventos que gerem a união entre os artistas e o público.

No coração do interior de São Paulo, o Vale do Paraíba é conhecido por sua rica história e cultura. No entanto, uma parte muitas vezes subestimada desse cenário é sua vibrante cena musical do Heavy Metal. Recentemente, essa comunidade uniu forças para celebrar a resiliência e a força de todas as bandas que fazem parte desse movimento. Onde a triste notícia do falecimento de Marco Aurélio, carinhosamente conhecido como Marcão, guitarrista do Metauro, foi o catalisador para a criação de algo extraordinário: o Valley of Metal.

 

A ideia nasceu da reflexão sobre a jornada, persistência e resiliência das bandas do Vale do Paraíba, que, mesmo diante das adversidades, continuam a lutar por sua música e expressão. Inspirados pelo lendário projeto Hear N’ Aid liderado por Ronnie James Dio, bandas do Vale do Paraíba decidiram unir forças e fazer um registro inédito.

A banda Steelgods é a organizadora do projeto, tendo o baixista Fabrício de Castilho como o idealizador. A Steelgods compôs uma música inédita intitulada Unbreakable (Inquebráveis) e todas as bandas participarão da gravação (solos, vocal), seguindo a tradição do marcante registro liderado por Dio.

As bandas uniram forças para criar uma obra coletiva que promete capturar a essência e a potência da cena musical do Vale do Paraíba.

ALEFLA, ATTOMICA, CASCAVEL, ERICK WHOLF, EXCALIBUR,
FACES OF DEATH, GORJALA, MAGÃO, MÁRTYS, METAURO,
STEELGODS, TIA BETE, TORMENTOR BESTIAL, TROVADORES DE SODOMA

A música e o vídeo resultantes desse projeto estão previstas para ser lançados no início de março deste ano. Atualmente, a produção encontra-se em sua fase final de gravação e alguns detalhes já se encontram disponíveis nas redes sociais da banda Steelgods.

Cada banda fará uma parte do vocal e solo. Abaixo, um trecho da letra da música Unbreakable. Quem quiser ver a letra na íntegra, terá que aguardar o lançamento.

We ride in the fire
Music is our guide
Unbreakable we are!

The ocean of passion
The fire in our heart
Unshakeable we are

 

A seguir uma entrevista na íntegra realizada com as bandas participantes do projeto, cujas perguntas foram elaboradas pelo Vinny Almeida, redator do canal Rock Vibrations.

TROVADORES DE SODOMA

1 – Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal. Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Marcelo Ronconi: Falarmos de “união” entre os membros da classe artística é um tabu antigo. Os meus votos são o de que sim, que possamos ter essa consciência na teoria e que ela se reflita na prática.

2 – Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Marcelo: Expressões artísticas (culturais de modo geral) sobrevivem com a iniciativa daqueles que estão envolvidos e que compreendem a sua importância. Isso não se dá ao acaso e nem sem comprometimento. Por isso a idealização do projeto é louvável assim como a sua materialidade. As demais gerações estarão cientes de que estes gêneros musicais tiveram representantes no Vale e de que tivemos muito a dizer.

3 – Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Marcelo: Justamente pela natureza rebelde dos gêneros musicais contemplados nesse projeto, somado aos tempos que ainda estamos vivendo, julgo muito importante eventos como este. A arte feita de modo consciente vai além de um mero entretenimento.

4 – Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Marcelo: Sim. Ainda que o Trovadores de Sodoma seja aquilo que eu alcunho como “banda/bandeira”, algo bem conceitual, específico, a música Unbreakable condiz com nossa proposta.

5 – Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Marcelo: Seria uma boa-nova! As bandas que estão comprometidas com o projeto são todas elas muito interessantes.

 

ATTOMICA

1- Como foi o convite para participar e quais as suas expectativas na proposta do projeto?

André Rod: Fiquei sabendo pelas redes sócias e achei bem legal a proposta do projeto com bandas do nosso Vale do Paraíba. Acho que é uma iniciativa que pode ajudar a projetar mais ainda o nome das bandas do Vale no cenário Nacional.

O convite foi feito dias depois pelo amigo Fabricio da banda Steelgods e prontamente aceitamos, acho necessária a colaboração de todos os envolvidos para que o projeto se desenvolva bem e que se torne um marco para nossa região. Isso nos honra.

2- Como tem sido o suporte das comunidades locais, incluindo casas de eventos e infraestrutura, para as bandas? Além disso, qual é a extensão do apoio que recebem fora de sua região, como, por exemplo, aqui na capital de São Paulo, para promoverem sua música? Existem áreas específicas que poderiam ser aprimoradas ou exploradas de maneira mais eficaz tanto localmente quanto em outras regiões?

André: Sim… Existem projetos culturais que poderiam ser mais explorados através dos incentivos governamentais, mais para isso cada cidade da região teria que ter um representante que fosse ligado ao nosso estilo musical que pudesse fazer uma ponte até o responsável dentro da secretaria de cultura. Fora isso os locais e casas já existentes fazem o que podem para suprir as necessidades na condução de um evento.

3- Acredito que será um tanto quanto curioso ver músicos de vários subgêneros do Metal unidos em uma canção, não é mesmo? Como você lida com essas mesclas de extremo, melódico, cadenciado, dentro da sua métrica de trabalho? Ambas servem de referência para sua própria carreira?

André: Sim claro! Toda música boa e bem construída serve como referência para carreira de um músico. Dentro do Thrash Metal acho cômodo a mescla de estilos, mas sem fugir da proposta inicial da banda, características que marcaram a carreira são fundamentais.

4- Falando um pouco do Attomica, o que vocês estão preparando para 2024? Podemos esperar muitas novidades já para o primeiro semestre?

André: Para o primeiro semestre mais uma música inédita será disponibilizada nos streamings e continuamos nas composições para o próximo álbum. Outros projetos estão em andamento, mas não podem ainda serem divulgados.

 

TORMENTOR BESTIAL

1- Como foi o convite para participar e quais as suas expectativas dentro da proposta do projeto?

Luiz Amadeus: Eu conheço o Fabrício faz um bom tempo e fiquei super contente por ele ter convidado a banda para participar do evento, quanto a expectativa… nós do TORMENTOR BESTIAL gostaríamos de mostrar que Unidos somos mais fortes, chega dessa parada de “tretinhas” passamos dessa fase ridícula, o estilo merece gente competente e a fim de crescer.

2- Falando um pouco de cenário, gostaria de saber como tem sido o apoio local para as bandas (seja em casas de eventos ou mesmo estrutura) e o quanto possuem apoio fora de sua região (como aqui na capital de SP, por exemplo) para mostrarem sua música? Existem pontos que precisam ser revisados, ou melhor, explorados para ambos, digamos?

Luiz: Apoio é algo sério, algumas das vezes temos, outras não… e assim vai, geralmente as bandas correm atrás e com muita luta conseguimos lugares para tocar e acredito que por causa dessa “seca” devido à pandemia todos os eventos lotem, fora daqui vai muito do quanto a banda se dedica a divulgar seu trabalho e o quanto seu trabalho é profissional o bastante pra ser levado a sério, e por esse motivo o nosso estúdio (AUDIOLAB EXTREME STUDIO) trabalha somente com bandas de Rock/METAL aqui da região presencialmente e outras em home office dando a oportunidade pra todos terem o seu registro musical feito por quem entende e cobra o preço justo.

3- Acredito que será um tanto quanto curioso ver músicos de vários subgêneros do Metal unidos em uma canção, não é mesmo? Como você lida com essas mesclas de extremo, melódico, cadenciado, dentro da sua métrica de trabalho? Ambas servem de referência para sua própria carreira?

Luiz: Nunca tive problemas com estilos musicais mesmo por que sempre trabalhei com música literalmente falando, criei meus filhos tocando e lecionando desde a década de 80, final dela no caso, e como o Tormentor Bestial atualmente somos nós, eu e meus filhos, eles pensam igual a mim, porque a vida toda deles eu os ensinei a curtir e respeitar de tudo principalmente dentro da nossa área de trabalho, antes era complicado somente lidar com o ego e o tal do “estrelismo”, mas hj acredito não ter mais Isso, não somos mais crianças…kkkkk

4- O Tormentor Bestial existe há quanto tempo? Vejo que vocês possuem experiência de sobra em muitos aspectos! Aproveitando, estão nos preparativos para lançar um novo álbum, certo? Como está sendo isso e o que podem adiantar sobre isso para nós? Muito do conteúdo deste álbum fará parte dos planos para 2024?

Luiz: O TORMENTOR BESTIAL existe desde julho de 2008, mas venho na ativa desde 1984 sem parar, sem lacunas, passamos por várias fases e todas foram incríveis, e só tenho que agradecer ao pessoal que fez parte da banda, afinal sem o trabalho deles não iríamos estar hoje aqui conversando com vc, saíram por que era o momento deles… mas agora A banda é a nossa família e poder trabalhar com meus filhos nos torna “únicos” no mundo, estamos gravando um novo álbum para 2024 e a expectativa é muito grande, esse ano foi ótimo, mas esse final está sendo hiper difícil para gente devido a problemas familiares, mas isso também faz parte, mas posso lhe adiantar que o novo álbum da banda faz jus ao nome autointitulado, foi composto a 4 mãos e está técnico, pesado, agressivo e visceral sem modéstia alguma posso lhe afirmar isso, estamos vindo com tudo e para valer.

5- Qual a mensagem que vocês deixam para galera que está na expectativa para conferir o projeto e, o que você enxerga dentro disso para futuramente rolar algo parecido ou até derivado com eventos e coisas assim?

Luiz: Como você pôde ver respondi todas as perguntas, mas todos leram as perguntas e as respostas é praticamente o que a banda lhe falaria se estivéssemos todos aqui, A mensagem é simples, devemos erguer uma única bandeira, a do Heavy Metal, por que, na verdade, sempre estivemos e sempre estaremos por conta, se as bandas não se ajudarem sempre seremos aquele pessoal que curte tocar música autoral finais de semana e acredito que ninguém aqui quer só isso o objetivo de cada um é crescer e ser notado hipócrita é aquele que diz não pensar nisso, por que por trás disso rola um brutal investimento tanto financeiro quanto de tempo, que para nós é o mais valioso e custoso, por isso a união é super bem-vinda e quanto a expectativa… é sempre muito grande. Valeu muito pelo espaço e por lutar pelas bandas de METAL autoral.

 

TIA BETE

1 – Como foi o convite para participar e quais as suas expectativas dentro da proposta do projeto?

Felipe Souza: Primeiramente uma honra para nossa banda ter aceitado esse convite, quando o Fabrício entrou em contato ficamos super felizes em ter esse reconhecimento. A expectativa para o projeto é das melhores com esse time, podem saber que vem muita coisa boa por aí.

2- Falando um pouco de cenário, gostaria de saber como tem sido o apoio local para as bandas (seja em casas de eventos ou mesmo estrutura) e o quanto possuem apoio fora de sua região (como aqui na capital de SP, por exemplo) para mostrarem sua música? Existem pontos que precisam ser revisados, ou melhor, explorados para ambos, digamos?

Felipe: O apoio local deixa muito a desejar, pois na maioria das casas de eventos e bares da região dão preferência para bandas covers específicas e deixam de lado os trabalhos autorais, o que acaba sendo bem triste. Já na região metropolitana tem mais espaço para o autoral, porém não pagam o necessário nem para a banda se locomover até o evento e muitas vezes não arcam com a alimentação dos artistas, o que acaba dificultando para divulgação da banda ao vivo. Sendo assim, a opção mais viável para a banda em relação à divulgação acaba sendo as redes sociais e plataformas digitais.

3- Acredito que será um tanto quanto curioso ver músicos de vários subgêneros do Metal unidos em uma canção, não é mesmo? Como você lida com essas mesclas de extremo, melódico, cadenciado, dentro da sua métrica de trabalho? Ambas servem de referência para sua própria carreira?

Felipe: Acredito que a mistura de subgêneros dentro de nossa métrica de trabalho já é meio comum entre os membros da banda, cada um traz elementos de seus próprios gostos musicais, ambos os gêneros e subgêneros do metal servem de referência para nossas músicas, buscando sempre o que for melhor para a banda. Acredito que com o projeto será o mesmo tipo da linha de produção do nosso trabalho.

4- Já sobre a banda, como está sendo o momento atual e o que podemos esperar para 2024? Estão com muitos planos para breve?

Felipe: Estamos focados em produzir nossas músicas e organizar nosso álbum de estreia, para esse próximo ano, o plano é manter o foco em finalizar nosso álbum e até o primeiro semestre e começar a trabalhar na divulgação dele nas mídias sociais da banda, em eventos locais e fora da cidade visamos levar também nosso show repleto de covers e autorais.

5- Qual a mensagem que vocês deixam para galera que está na expectativa para conferir o projeto e, o que você enxerga dentro disso para futuramente rolar algo parecido ou até derivado com eventos e coisas assim?

Felipe: A mensagem é que acredito que vão gostar de poder ver tantas bandas que já tem seu legado aqui no Vale juntas e com novas bandas também carregando a chama do rock da nossa região em um registro que será único e muito bem produzido por excelentes profissionais e músicos do Vale. Acreditamos que esse projeto possa ter muitos derivados futuramente, temos a possibilidade de criar muitas outras coisas a partir deste ponto, como eventos com bandas autorais pelo vale, workshops, vídeo clipes e por aí vai.

 

EXCALIBUR

1- Como foi o convite para participar e quais as suas expectativas dentro da proposta do projeto?

Marco Aurélio: Para nós da EXCALIBUR, esse convite foi uma grande honra, ainda mais partindo do nosso amigo de longa data: Fabrício Castilho da banda STEELGODS. Nossa parceria e amizade existe há muito tempo e, quando fomos convidados, o nosso aceite foi imediato.

Estamos muito empolgados e ansiosos para ouvir a música e contribuir com o resultado final dela, pois temos certeza que Unbreakable poderá se tornar um hino, considerando a pluralidade de bandas e artistas que irão tocá-la. Será histórico!

2- Falando um pouco de cenário, gostaria de saber como tem sido o apoio local para as bandas (seja em casas de eventos ou mesmo estrutura) e o quanto possuem apoio fora de sua região (como aqui na capital de SP, por exemplo) para mostrarem sua música? Existem pontos que precisam ser revisados, ou melhor, explorados para ambos, digamos?

Marco: Especificamente na “cena underground” do metal, nós acreditamos que ainda falta mais apoio, até porque o cenário é composto por uma cadeia de atores responsáveis para que ele aconteça. O papel não é só da banda, mas também dos fãs, apoiadores, produtores, casas de shows, infra, veículos de comunicação e uma série de outros personagens. Na cidade e região, contamos com diversas casas que nos apoiam e cedem espaço, então os shows e festivais acontecem, de uma forma mais tímida, mas está rolando.

3- Acredito que será um tanto quanto curioso ver músicos de vários subgêneros do Metal unidos em uma canção, não é mesmo? Como você lida com essas mesclas de extremo, melódico, cadenciado, dentro da sua métrica de trabalho? Ambas servem de referência para sua própria carreira?

Marco: Certamente, será muito interessante participar dessa iniciativa e ter a oportunidade de dividir a gravação com tantas bandas da nossa região, nos seus mais diversos estilos, isso será memorável e mostrará a força que o metal pode ter quando os artistas se unem. Nós temos uma ótima relação com as bandas que irão participar neste registro, algumas de forma mais próxima, onde já tivemos a chance de dividir o mesmo palco em diversos shows (STEELGODS e TORMENTOR BESTIAL, por exemplo) e as outras, que nós acompanhamos e, sempre que possível, apoiamos marcando a presença em shows ou auxiliando na divulgação.

4- Este ano puderam aproveitar bem pensando em um contexto geral? E para 2024 estão pensando em muitas novidades?

Marco: A EXCALIBUR possui uma trajetória de mais de 2 décadas dedicadas ao Heavy Metal, durante todos esses anos, nós sempre mantivemos a banda ativa, apesar de muitos obstáculos e desafios. Conseguimos concretizar grandes feitos nesta jornada, como o lançamento do nosso EP The End Is The Beginning… (com 6 faixas), nosso filme/documentário “Excalibur | 22 anos – O começo é o fim… uma jornada dedicada ao metal”, 2 singles Sublime Pain e Dragon’s Heart e participação numa Coletânea Europeia chamada The Gates of Brazilian Metal–Vol. 3.

Este ano, nós estamos nos dedicando a gravação do nosso primeiro Full Lenght intitulado Gods And Heroes que contará com 11 faixas e diversas participações especiais. Temos certeza, que 2024 contará com muitas novidades, já com o lançamento desse álbum e, ainda, a nossa participação na faixa Unbreakable com 14 bandas representantes do metal da nossa região. Poderia ser melhor?

5- Qual a mensagem que vocês deixam para galera que está na expectativa para conferir o projeto e, o que você enxerga dentro disso para futuramente rolar algo parecido ou até derivado com eventos e coisas assim?

Marco: Gostaríamos de contar com o apoio massivo dos fãs do gênero, assim como dos canais de comunicação dedicados ao estilo, como a incrível Rock Vibrations, que podem auxiliar na divulgação desse projeto, quer seja compartilhando as novidades, ouvindo a vindoura música, se engajando (curtindo, comentando e compartilhando com suas redes de contatos).

É isso que irá fazer com que a música prospere e seja reverberada para o maior número de ouvintes possíveis. Além disso, essa iniciativa é digna de muito apoio e elogio, pois é um feito grandioso conseguir unir tantas bandas de estilos diferentes em uma única canção. Sem contar a essência da ideia, que é de homenagear o heavy metal e a dedicação dos músicos, bandas e pessoas que mantém ele vivo.

 

METAURO

1- Como foi o convite para participar e quais as suas expectativas na proposta do projeto?

Décio: O convite foi uma surpresa para gente, mas entendendo o motivo que deu origem a esse projeto, curtimos muito essa ideia.

As expectativas são as melhores com certeza, porque nunca participamos de algo dessa natureza, e com certeza o resultado será ótimo.

2- Como tem sido o suporte das comunidades locais, incluindo casas de eventos e infraestrutura, para as bandas? Além disso, qual é a extensão do apoio que recebem fora de sua região, como, por exemplo, aqui na capital de São Paulo, para promoverem sua música? Existem áreas específicas que poderiam ser aprimoradas ou exploradas de maneira mais eficaz tanto localmente quanto em outras regiões?

Décio: Com certeza, temos muitas dificuldades em promover algum evento de qualidade na nossa região. Mas, particularmente, já não nos apresentamos muito, devido às limitações de tempo x compromissos particulares, e a falta de convite também. Outras bandas da região tentam se unir para promover alguns eventos, e se apresentam por aqui. Casas novas estão abrindo as portas para o Metal, e isso está sendo muito interessante, pois a confiança está sendo depositada no estilo, mais o pouco comparecimento da galera, acaba desmotivando um pouco as casas e as bandas!

Na verdade, o primeiro convite que recebemos para tocar em São Paulo, é o que deve acontecer no dia 9 de março deste ano, será um evento comemorativo, dos 15 anos da rádio de Nova York METAL MESSIAH RADIO.

3- Acredito que será um tanto quanto curioso ver músicos de vários subgêneros do Metal unidos em uma canção, não é mesmo? Como você lida com essas mesclas de extremo, melódico, cadenciado, dentro da sua métrica de trabalho? Ambas servem de referência para sua própria carreira?

Décio: Pode ter certeza que a curiosidade é muita, mas confiamos muito no Fabricio, e temos convicção que ele conduzirá esse desafio com muito profissionalismo.

Entendemos que de toda e qualquer manifestação musical, sempre tem alguns pontos que serão absorvidos e talvez de alguma maneira, poderão ser aproveitados em futuros trabalhos.

4- Falando um pouco do Metauro, o que vocês estão preparando para 2024? Podemos esperar muitas novidades?

Décio: Metauro está preparando seu segundo EP, e com certeza com novidades, pois sons novos são sinais de novidades!

5- Qual a mensagem que vocês deixam para galera que está na expectativa para conferir o projeto e, o que você enxerga dentro disso para futuramente rolar algo parecido ou até derivado com eventos e coisas assim?

Décio: Entendemos ser um projeto grandioso, que nasceu em um momento de reflexão de uma “perda de um músico da região” (Marcão), onde a letra demonstra alguns valores, muitos importantes, que nunca devem ser deixados de lado.

Para o futuro, sinceramente não entendemos que surja algo parecido, pois o nascimento desse projeto, se deu, em um momento único, que fez uma pessoa parar, refletir e sentir a necessidade de tomar essa decisão, de transmitir seus sentimentos de alguma maneira para o mundo!

 

ERICK WHOLF

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal. Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Erick: Acredito que ambientes nos quais o foco é a união, podem gerar resultados positivos em qualquer área. Portanto, a iniciativa atual, em que as pessoas se unem para realizar o que estão fazendo, é um feito significativo e tende a perdurar. Acredito que isso servirá como exemplo para outras bandas, especialmente considerando que existem estilos no Brasil mais unidos do que o metal. Embora possa ser desconfortável para alguns, essa é a realidade que observamos nos cenários culturais. Portanto, vejo isso como um passo positivo para iniciar mudanças.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Erick: Acredito que essa colaboração deixará uma contribuição muito positiva, dada a diversidade de subgêneros e características presentes no Heavy Metal. Essa união, essa convergência de pessoas de diferentes bandas, com ideias e pensamentos distintos, mas trabalhando juntas para alcançar o mesmo objetivo, é algo realmente positivo e inspirador. Isso deve servir como um exemplo a ser seguido.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Erick: O Brasil carece de eventos de Heavy Metal, sendo já escasso no âmbito do rock em geral, e mais ainda no Metal. Sempre ouço dizer que o rock e o Heavy Metal estão mortos, mas considero isso uma mentira!

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Erick: Claro! Seria muito interessante. Acredito que quando ocorrerem encontros entre bandas, as pessoas poderiam se unir para criar uma versão, transformando a música em um verdadeiro hino.

5-Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Erick: Certamente, seria uma expansão desafiadora. Sabemos que, estruturalmente falando, é difícil, considerando especialmente a complexidade cultural e as circunstâncias do nosso país. No entanto, acredito que a ideia deveria evoluir para se tornar um festival.

 

CASCAVEL

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal.

Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Plínio: Há uma certa necessidade pairando nossas vidas, que é a de voltar a conviver um pouco mais, interagir mais. Temos vivido muito para nossos smarthphones e seus algoritmos. A cena underground que já respirava por aparelhos, praticamente inexiste hoje em dia por conta disso. Esse projeto revive o antigo espírito de show undergrounds em que eram comuns bandas de death metal tocarem ao lado de bandas de heavy metal ou de hardcore. Claro que nem sempre a convivência era pacífica, mas até o desacordo era vivido, não era através de redes sociais.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Plínio: Saber que na região onde vivem existem bandas de diversos gêneros da música pesada e que há muita camaradagem entre nós.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Plínio: O Valley of Metal tem uma proposta nova, ousada. É estruturado, planejado. Acho que fazer mais do mesmo não funciona mais. Certamente aguçará a curiosidade de todos essa diversidade toda.

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Plínio: Não podemos prometer isso. Somos um trio de death/black metal com uma proposta bastante específica.

5- Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Plínio: Sim, tem todo potencial para tanto. É nossa verdadeira torcida.

 

MÁRTYS

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal. Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Leandro Borges: Realmente temos vivido tempos de muita correria e cada vez menos contato presencial, então só de ter e poder participar de um projeto compartilhado, além de aproximar um pouco as pessoas, mesmo que remotamente, já que conversamos muito via whatsapp e outras redes sociais, é uma forma de unir e mostrar aos outros que existem bandas, ideias novas e principalmente pessoas que fazem isso acontecer.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Leandro: Mostrar que é possível unir bandas e pessoas com ideias diferentes em prol de algo em comum.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Leandro: Acredito que sim, mas para isso precisa de pessoas que tenham, além de atitude, vontade e resiliência. Com certeza não é fácil dispor de tempo, investir grana muitas vezes e ter paciência para lidar com responsabilidades e organização para fazer acontecer, e isso o Fabricio, que foi quem me chamou e apresentou a ideia, com certeza teve.

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Leandro: Provavelmente, isso dependerá de parte técnica, execução, talvez com uma colab futura.

5- Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Leandro: É possível sim. Quando se fala em festival sabemos que não é algo muito fácil de acontecer, mas o pontapé inicial já foi dado, isso já é muito bacana, agora, se tornar um festival, só o tempo dirá.

 

ALEFLA

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal. Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Alexandre: Acredito que a semente está sendo plantada e tudo isso graças a iniciativa do Fabricio e da SteelGods, espero que o projeto tenha a mesma admiração e engajamento de produtores, distribuição e casa de shows para que possa sair do digital e se tornar algo físico como um festival.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Alexandre: A contribuição do projeto, na minha opinião, é o rompimento da bolha de estilos e junto a isso a união de várias vertentes do estilo musical para um som homogêneo. A cultura poderá ser impactada com a mostra de estilos e gêneros musicais voltados para uma contribuição de talentos e diferenças para o produto final.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Alexandre: Com certeza, estamos presenciando cada vez menos espaço para eventos autorais, com locais estruturados para as bandas poderem demonstrar seu trabalho com qualidade. Uma iniciativa como esse projeto, dependendo do resultado da exposição digital, poderá fomentar uma iniciativa para criação de um festival físico e se bem endossado pelo público, poderá se tornar algo do calendário da cidade e assim inspirar novas bandas ou novos músicos a terem aquele marco como um “sonho de consumo”, de tocar no festival. Tudo começa como uma semente.

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Alexandre: Acredito que sim, pois a contribuição será total para que essa obra seja elevada a grandes níveis pelo esforço, estudo e contribuição de todos os músicos, seja no desempenho em estúdio, seja em divulgação e compartilhamento com amigos e redes sociais.

5- Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Alexandre: Nós do Alefla torcemos para isso, que se torne uma data de marco na cidade de Taubaté, um festival estabelecido que aconteça todos os anos, com uma estrutura de qualidade, um local de qualidade e que as bandas possam apresentar da melhor maneira seu trabalho e o público seja impactado com a música e possa desfrutar desse festival.

 

FACES OF DEATH

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal. Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Laurence Miranda: As pessoas, hoje em dia, estão sem paciência para ler uma matéria inteira, elas leêm apenas o título e já acham que sabem de tudo, com a música é a mesma coisa, não conseguem mais escutar um álbum inteiro. O legal desse projeto é que as próprias bandas comecem a prestar atenção em outras bandas, indo buscar mais sobre cada banda. Isso, sim, mostra união e fortalece a cena como um todo.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Laurence: Toda arte contribui culturalmente para todas as gerações. O interessante é que o projeto será um marco para a cena metal no Vale do Paraíba.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Laurence: Sim, extremamente importante para ajudar na divulgação das bandas locais e, também, despertar o interesse nos organizadores de shows do Vale. Veja bem, o vale não dá espaço para bandas de metal, apenas para outros tipos de música. Está na hora de mudarmos isso.

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Laurence: Não pensei nisso, pode ser interessante…

5- Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Laurence: Seria sensacional ter um festival com todas as bandas do Vale do Paraíba, litoral norte, Campos do Jordão e região. O Vale é rico em bandas, porém a maioria continua tocando na garagem. Entende? Temos que tentar promover isso.

 

MAGÃO

1- Vivemos um tempo onde tudo é muito rápido e pessoal.

Qual a expectativa (frente a realidade dita acima), para que esse projeto traga mais união, inclusive entre as bandas participantes?

Magão: Acredito que ações como estas possam conscientizar as pessoas (público e bandas) da necessidade de União para fortalecer ainda mais esta cultura, que vem perdendo espaço a cada mudança de geração. É nosso papel fortificar e manter saudável a Cena Metal em nossa região.

2- Na sua opinião, qual a contribuição cultural este trabalho trará as gerações vindouras?

Magão: Sem dúvida, no mínimo mostra o comprometimento e o amor que cada um tem por sua arte. As próximas gerações terão projetos como este como referência para trilhar seus caminhos e lutar pelo que se ama.

3- Você acha importante que mais eventos como esse seja produzido? Qual sua opinião?

Magão: Claro! Em minha região produzimos em Clube do Rock & Blues, por exemplo. Lá todos os gêneros de Rock/Metal e Blues se apresentam e isso modificou a cena local, onde bandas antigas ressurgiram e bandas novas foram criadas, movimentando Estúdios de Ensaio e Gravação; Lojas de Músicas; Escolas de Música e até mesmo mais Bares e Pubs passaram a dar mais espaço para o Rock. Ou seja, ações como estas promovem a cultura do Rock e do Metal para as próximas gerações.

4- Poderemos ver essa música sendo cantada no show de sua banda?

Magão: Sem dúvida está música estará em nosso repertório sempre que possível.

5- Você acredita que esse projeto possa expandir tornando-se um festival?

Magão: Torço para que este projeto tome fôlego para migrar para um Festival Físico, tornando ainda menor as distâncias entre as bandas e fortalecendo os laços entre nós, onde poderemos unir forças, compartilhar conhecimento e crescer juntos.

 

STEELGODS

1- A história por trás desse plano de reunir uma galera para esse projeto é bem no lado emocional e também em tributo. A idealização e escolha dos nomes foi fácil para você?

Fabrício de Castilho: Sim, a concepção deste projeto tem suas raízes no âmbito emocional e também se configura como uma forma de homenagem. A ideia surgiu após o trágico anúncio do falecimento de Marco Aurélio, o guitarrista do Metauro, carinhosamente conhecido como Marcão. Diante da notícia devastadora, passei a ponderar sobre nossa jornada, perseverança e capacidade de superação, uma vez que, ao longo de anos, enfrentamos inúmeros desafios sem jamais abandonar nossa paixão pela música. Desta reflexão, nasceu a ideia de criar um registro, à semelhança do Hear N’ Aid do Dio, com o propósito de fortalecer ainda mais nossa cena e documentar essa força que nos impulsiona.

A seleção para o projeto foi bastante complexa; inicialmente, optamos por convidar as bandas mais antigas. Após a aceitação de algumas delas, estendemos o convite às novas bandas da região.

Diversos grupos foram convidadas para participar do projeto, sendo que algumas declinaram devido a questões contratuais, outras por motivos pessoais e, naturalmente, por não compartilharem da mesma visão em relação ao projeto. É importante destacar aqui que todas as bandas estão contribuindo de maneira equitativa para os custos do estúdio. Com um total de 13 bandas envolvidas, a carga financeira não se tornou onerosa para ninguém, evidenciando que, juntos, somos mais fortes.

2- Cada banda tem sua própria sonoridade e linhagem característica, não necessariamente estando no mesmo gênero e ideologia musical, certo?

Quando você pensa no aspecto criativo isso é apenas um detalhe ou mesclar essas influências é o objetivo para a criação ser ainda mais exacerbada?

Fabrício: Cara, sou da opinião que as vertentes do Heavy Metal são, no fundo, apenas Heavy Metal, puro e simples. É evidente que dentro desse gênero existem pensamentos e elementos distintos, afinal, cada indivíduo é único. Assim, para nós, da Steelgods, está sendo extremamente gratificante criar esta faixa. Apesar de possuir uma linha vocal específica, ela incorporará a característica de diversos músicos, cada um com expressões singulares às nossas.

3- Agora falando de cenário, como tem sido no aspecto local para vocês? Sei o quanto o interior de São Paulo é rico em bandas e basta criatividade dos músicos, mas, o apoio está sendo satisfatório para uma maioria? Possuem muitos locais que dão oportunidades?

Fabrício: Essa é uma pergunta complicada, e compreendo que cada pessoa terá uma opinião única a respeito. Observo que há uma quantidade significativa de shows acontecendo, e a cena está progressivamente se fortalecendo. No entanto, ainda persiste a precariedade em relação à infraestrutura e aos cachês. São poucos os locais que conseguem oferecer o reconhecimento adequado a uma banda local!

4- É possível que este projeto acabe virando um registro áudio visual também? Inclusive, Unbreakable tem uma arte muito legal… quem a criou e qual foi o conceito?

Fabrício: Sim, o projeto não se limitará apenas à faixa Unbreakable; incluirá também um videoclipe profissional, ambos produzidos pelo Vibe Estúdios. Quanto à parte artística, sou responsável pelo trabalho, já que além de músico, atuo na área de artes gráficas e estou desenvolvendo toda a identidade visual do projeto. O conceito da capa visa transmitir a ideia de força e nossa essência inquebrável e indestrutível, por isso a representação da figura da morte, algo indestrutível e inevitável. Na parte frontal da capa, temos a imagem da Morte, enquanto ao fundo temos nosso Vale em chamas, simbolizando nossas adversidades e esforços.

5- Para terminar gostaria de saber o que o futuro reserva para este projeto e se você pensa em ainda mais coisas relacionadas a isso?

Fabrício: Desejo que tudo transcorra de maneira positiva e que possamos registrar algo verdadeiramente especial aqui no Vale do Paraíba. Que o Valley of Metal sirva como um estímulo para todos nós do Heavy Metal, fortalecendo nossa união, pois a coesão é a chave para a vitória. Quem sabe, após a gravação, podemos até organizar um show com as bandas participantes. Bem, apenas o futuro revelará!

 

Portanto, fiquem ligados nas redes sociais da Steelgods, Rock Vibrations e das bandas participantes para acompanhar os detalhes e o lançamento desta faixa e deste grande projeto que une os mais variados subgêneros do metal em prol do Underground.

Especialista em cybersegurança, acordeonista e tecladista da banda Isla de la Muerte. Entusiasta de fotografia, já foi fotógrafo e redator nos projetos Virus Rock e Opus Creat. Não limitado a um subgênero do metal, tem como preferências: folk metal, doom/sinfônico, death metal, black metal, heavy metal. Gaúcho de coração, valoriza a cultura tradicionalista gaudéria, a qual inspira suas composições nas bandas em que toca. Interesses globais: Música, ciência, tecnologia, história e pão de alho.