Curitiba se prepara para receber novamente uma das formações mais singulares surgidas na intersecção entre a música erudita e o Heavy Metal. No dia 14 de outubro, o palco do Tork N’ Roll será ocupado pelo Apocalyptica, grupo finlandês que transformou quatro violoncelos em instrumentos capazes de reproduzir a agressividade, a grandiosidade e a dinâmica característica do Metal.
Mais do que uma simples apresentação de versões instrumentais, o show marca uma nova passagem da banda pela capital paranaense em um momento particularmente simbólico de sua trajetória. O repertório atual é diretamente ligado a uma história que começou há três décadas, quando músicos formados pela Academia Sibelius, em Helsinque, decidiram reinterpretar músicas do Metallica utilizando exclusivamente violoncelos.
A experiência, que poderia ter permanecido como uma homenagem pontual, acabou dando origem a Plays Metallica by Four Cellos, lançado em 1996. O sucesso do álbum abriu espaço para que o Apocalyptica desenvolvesse uma identidade própria, transitando entre composições autorais, arranjos orquestrais e releituras de grandes nomes do Metal.
Trinta anos depois, a relação com o Metallica ganha um novo capítulo através de Apocalyptica Plays Metallica Vol. 2. O trabalho revisita novamente o repertório da banda norte-americana, mas parte de uma perspectiva diferente daquela apresentada no primeiro disco. Em vez de simplesmente reproduzir a fórmula que deu origem ao grupo, os finlandeses procuram explorar novas possibilidades para músicas que já fazem parte do imaginário do Heavy Metal.

O resultado é particularmente interessante justamente pelo contraste entre os universos envolvidos. Riffs originalmente construídos para guitarras distorcidas passam a ser conduzidos pelo timbre grave e expressivo dos violoncelos, enquanto determinadas passagens ganham uma dimensão quase cinematográfica. É uma transformação que preserva a essência das composições, mas modifica completamente sua atmosfera.
O novo álbum também amplia a conexão entre as duas bandas. The Call of Ktulu recupera as linhas originais de baixo gravadas por Cliff Burton, enquanto One conta com a participação de James Hetfield e Robert Trujillo. Trujillo também aparece em The Four Horsemen, reforçando a importância do projeto dentro da própria história do Metallica.
A escolha do repertório ajuda a explicar por que a atual turnê possui um significado especial para o Apocalyptica. Ao revisitar músicas que foram fundamentais para sua própria formação artística, a banda também revisita as origens de um projeto que deixou de ser apenas uma experiência acadêmica para se tornar uma carreira internacional consolidada.
A história do Apocalyptica é, em muitos aspectos, uma demonstração de como a experimentação pode criar novos caminhos dentro do Metal. Quando Plays Metallica by Four Cellos chegou ao público, a proposta chamava atenção justamente por retirar elementos tradicionalmente associados ao gênero, guitarras, baixo e bateria, e reconstruir suas músicas a partir de instrumentos da música clássica.
O grupo conquistou público internacional, passou a produzir material autoral e, ao longo dos anos, incorporou diferentes influências à sua sonoridade. Hoje, com uma discografia que reúne dez álbuns de estúdio e milhões de cópias vendidas, o Apocalyptica ocupa um espaço bastante particular na cena do Metal.
É justamente essa trajetória que estará representada em Curitiba. A apresentação não deve se limitar à nostalgia dos primeiros trabalhos, mas colocar lado a lado diferentes momentos da carreira do grupo, com destaque para o repertório de Apocalyptica retorna a Curitiba
Para quem acompanha a história do Heavy Metal, a apresentação ainda oferece uma oportunidade de observar uma relação que começou de maneira improvável: quatro músicos clássicos tocando Metallica por diversão e, três décadas depois, retornando aos mesmos compositores com uma produção internacional e integrantes do próprio Metallica participando das gravações.
No dia 14 de outubro, essa história chega novamente a Curitiba. Entre cordas, distorções e arranjos que aproximam dois universos aparentemente distantes, conduzido por uma formação nada convencional.

SERVIÇO : APOCALYPTICA EM CURITIBA
Data: 14 de outubro de 2026 (quarta-feira)
Local: Tork N’ Roll
Endereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba/PR
Abertura dos portões: 19h30
Show: 21h
Classificação: 16 anos (acompanhado dos pais)
Ingressos:
Shotgun — Apocalyptica CWB
Os ingressos possuem opções de Pista, Camarote e Premium, com valores entre R$ 209 e R$ 598, conforme lote, setor e modalidade. Há também ingressos solidários mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível.
As compras online podem ser parceladas em até 10 vezes.
Ponto de venda sem taxa:
Hand Made Custom Shop — Rua Major Heitor Guimarães, 1130, anexo ao Distrito 1340, Campina do Siqueira.












