Depois de dois dias intensos de Tuska (leia a cobertura do primeiro dia e do segundo dia), chegou o domingo, e com ele aquela velha promessa de “hoje vou pegar mais leve”. Afinal, o corpo já começava a cobrar os milhares de passos acumulados, as poucas horas de sono. Bem, bem, bem… O plano não funcionou.

O terceiro e último dia do Tuska 2026 foi marcado por uma programação que misturou nomes históricos do metal, bandas finlandesas que já fazem parte da identidade do festival e algumas das apresentações mais energéticas de todo o fim de semana.

Minha filha M. (7 anos) no Pikku Tuska

Para mim e muitas famílias, o domingo de Tuska começou com uma atração muito especial: o Pikku Tuska, uma iniciativa que, já há alguns anos, permite a entrada gratuita de crianças de até 12 anos, no festival, acompanhadas de um adulto pagante. Já no ano passado, eu estava com a minha filhota e neste ano, repetimos a programação. Minha menina gosta mesmo é de um k-pop (na verdade, Huntrix ou Demon Hunters…*risos*), mas a mãe metaleira aqui insiste com toda a sua força para lhe apresentar um pouco do universo do Rock e do Metal também…

Stam1na (Finlândia)

O domingo começou para nós com programação no Karhu Main Stage, onde uma das instituições do metal finlandês se apresentou: o Stam1na.

Com 30 anos de carreira, a banda se tornou uma das principais representantes do metal cantado em finlandês e já se apresentou no Tuska em outras edições (embora o público não pareça se importar muito com isso, pois a  área diante do palco estava lotada de ouvintes acompanhando o Stam1na).

O Stam1na apresentou músicas de diferentes fases da carreira, incluindo faixas do recém-lançado álbum “Apnea”. A banda consegue alternar peso, elementos progressivos e momentos mais atmosféricos sem perder a identidade.

Foto: Sigryd Bagon

Queensrÿche (Estados Unidos)

No Nordic Energy Stage, foi a vez de uma verdadeira lenda do metal Progressivo: Queensrÿche. A banda americana ajudou a estabelecer as bases do gênero no final dos anos 1980 e trouxe para Helsinque um repertório fortemente voltado para essa fase clássica.

Todd La Torre impressionou não apenas pela simpatia, mas especialmente pela potência vocal, sobretudo em músicas como “Queen of the Reich”, “Revolution Calling”, e “Eyes of a Stranger”.

Fotos: Luciana Paltila

Amorphis (Finlândia)

Se existe uma banda que poderia receber oficialmente o título de “banda da casa” do Tuska, eu votaria no Amorphis.  Mas não importa quantas vezes eu veja a banda: é sempre mágico  vê-los quando eles sobem ao palco.

Pelo jeito, eu não fui a única a pensar assim. O público diante do Karhu Main Stage estava enorme para receber um dos grupos mais importantes do metal finlandês.

O repertório passeou por diferentes períodos da carreira, mostrando justamente uma das maiores qualidades do Amorphis: a capacidade de misturar suas raízes no Death Metal com elementos progressivos, melódicos e atmosféricos sem que nada pareça deslocado. “Silver Bride”, “The Moon”, “Black Winter Day”, “Sampo” e “House of Sleep” estiveram entre os momentos mais aguardados.

Fotos: Michelle Koukkula

The Browning (Estados Unidos)

Se eu tivesse que escolher uma das maiores surpresas do domingo, The Browning certamente estaria na disputa. Eu não conhecia a banda profundamente antes do festival e fui até o show pensando em acompanhar apenas uma parte da apresentação, por que eu queria mesmo era acompanhar o Atlas no palco TKLT. Bem, não foi nem um pouco fácil deixar a apresentação do The Browning logo no início.

Misturando deathcore, metalcore e música eletrônica, o grupo transformou o festival em uma espécie de pista de dança do metal completamente insana. O vocalista Jonny McBee comandou a apresentação com uma energia absurda. Conversando mais tarde com alguns colegas que assistiram ao show completo, ficou claro que The Browning fez um daqueles shows que você começa assistindo por curiosidade e se diverte até o final sem percebeu que o show acabou.

Fotos: Michelle Koukkula

Atlas (Finlândia)

Entre uma lenda e outra, ainda havia espaço para uma das bandas que mais tenho escutado ultimamente: Atlas. A banda finlandesa foi uma das minhas descobertas favoritas dos últimos tempos e praticamente virou presença constante na minha playlist. Por isso, acompanhar o show no palco TKLT era uma das coisas que eu mais queria fazer naquele domingo.E o público também parecia ter comprado a ideia: o espaço estava lotado.

O Atlas combina peso, melodia e uma atmosfera quase misteriosa de uma maneira muito particular. É aquele tipo de show em que você fica dividido entre fotografar e simplesmente parar para banguear e curtir o som… *risos*

A banda entregou uma apresentação cheia de energia e mostrou por que vem ganhando cada vez mais espaço na cena finlandesa. Show simplesmente incrível do Atlas!

Fotos: Luciana Paltila

Bring Me The Horizon (Inglaterra)

E então chegou o momento que todos esperavam: Bring Me The Horizon no palco principal. A banda britânica foi a atração principal do domingo e tinha a difícil missão de encerrar três dias de festival. Missão cumprida.

O grupo já passou por uma transformação enorme ao longo da carreira, e isso também aparece claramente nos shows. O espetáculo combina metal, rock, elementos eletrônicos, telões, efeitos especiais e uma produção de grande porte. A produção visual foi um espetáculo à parte, com projeções e efeitos que ajudaram a transformar a apresentação em algo muito maior do que simplesmente um show de música.

O setlist começou com “Darkside” e trouxe alguns dos grandes hinos da fase mais recente da banda, incluindo “Mantra”, “Doomed”, e “Can You Feel My Heart”.

Desta vez, a cobertura fotográfica também teve algumas limitações: apenas fotógrafos selecionados pela bana tiveram acesso ao pit, e não foi o nosso caso, infelizmente.

Bring me the Horizon (foto de celular, Luciana Paltila)

O terceiro dia do Tuska conseguiu reunir praticamente tudo o que faz o festival funcionar tão bem: bandas finlandesas, grandes nomes do metal internacional, novas descobertas e grandes produções.

Entre a melancolia e o peso do Amorphis, a técnica do Queensrÿche, a energia do Atlas, a loucura eletrônica do The Browning e o espetáculo do Bring Me The Horizon, foi difícil manter a promessa de “pegar leve” no último dia de festival…

No fim, a voz quase foi embora, os passos passaram facilmente da conta e o corpo pediu descanso. Mas isso seria problema para segunda-feira…

Até 2027, Tuska!!