O festival finlandês de rock e metal Tuska continua sendo um dos principais festivais de heavy metal da Europa. Prova disso é que durante seus três dias, 66 mil pessoas passaram pela tradicional área de Suvilahti, em Helsinque, estabelecendo um novo recorde de público para o evento. Mesmo com o clima imprevisível do verão finlandês (choveu bem tanto na sexta, quanto no domingo), dois dias de festival tiveram ingressos esgotados.

Foto: Luciana Paltila

A localização do Tuska continua sendo um dos grandes diferenciais do festival: o evento ocorre próximo ao centro de Helsinque, facilmente acessível por metrô, ônibus e bonde, além de contar com toda a infraestrutura oferecida pelo shopping Redi, situado a apenas 100 m do local. 

Nos dias que antecederam o festival, já era possível perceber que Helsinque respirava heavy metal. Ruas, estações de metrô e bares passaram a receber um número crescente de visitantes vestidos predominantemente de preto, vindos de diversas partes da Finlândia e do exterior para participar do maior evento de metal do país. As propagandas do festival também se intensificaram nos últimos dias.

A estrutura do Tuska permaneceu dividida entre quatro palcos: o Karhu Main Stage, responsável pelas principais atrações; o Radio City Stage, instalado em uma grande tenda; o Nordic Energy Stage, dedicado a apresentações de médio porte; e o intimista Kvlt Stage, localizado em uma área coberta e voltado para bandas mais extremas e alternativas. Independentemente do tamanho, todos os palcos receberam apresentações incríveis. A grande área do festival abrigou ainda bares, restaurantes fast-food e tendas que vendem produtos diversos, como camisetas e discos.

Foto: Luciana Paltila

Confira os destaques do primeiro dia de festival.

Lost Society (Finlândia)

A abertura do Karhu Main Stage principal ficou por conta dos finlandeses do Lost Society. Conhecida pela energia de suas apresentações ao vivo, a banda deu início ao festival com uma performance intensa, aquecendo o público logo nas primeiras horas do evento e preparando o terreno para uma sexta-feira repleta de grandes nomes do metal. Samy Elbanna, cantor do Lost Society, pareceu mais poderoso do que nunca. Pudera, o músico agora substitui o falecido gênio do metal finlandês Alexi Laiho no Children of Bodom (COB). A propósito, está confirmado: o COB será uma das atrações principais do Tuska em 2027!

Fotos: Sigryd Bagon

Loudness (Japão)

Celebrando os 45 anos de carreira, os japoneses do Loudness retornaram ao Tuska como parte da turnê comemorativa da banda. Antes mesmo do início da apresentação, a área em frente ao Radio City Stage já estava completamente tomada por fãs ansiosos para assistir ao grupo. Com um repertório que percorreu mais de quatro décadas de história, o Loudness mostrou por que continua sendo uma das bandas mais respeitadas do heavy metal mundial. Clássicos como “Crazy Nights”, “Show Me the Way”, “Metal Mad” e “S.D.I. levaram o público ao delírio em uma apresentação impecável, que certamente figurou entre os grandes momentos da sexta-feira.

Fotos: Michelle Koukkula.

Pain (Suécia)

Comandado por Peter Tägtgren, o Pain levou ao palco principal todo o seu metal industrial, misturado com efeitos eletrônicos e refrões marcantes. Iniciando a apresentação já com a famosa “Same Old Song“, o show manteve o alto nível da programação da tarde e conquistou tanto fãs antigos quanto quem assistia à banda pela primeira vez, como eu. “Call Me”, “Zombie Slam”, e “Party in My Head” também fizeram parte do setlist.

Fotos: Michelle Koukkula

Bloodred Hourglass (Finlândia)

O Bloodred Hourglass subiu ao palco do Radio City embalado pelo recente lançamento do EP After the Burial. O novo trabalho reúne duas faixas inéditas de estúdio, incluindo a participação especial da guitarrista e cantora finlandesa Erja Lyytinen na música “Heartstrings”. No Tuska, a banda apresentou um setlist fortemente baseado em seu álbum mais recente, com músicas como “Royally Done”, “God Has Favourites” e “Dance Of Dandelions”, sem deixar de lado sucessos aguardados, como “Drag The Rain” e “The Sun Is Still In Me”. O público respondeu com entusiasmo durante todo o show, consolidando mais uma participação de uma banda local no festival.

Fotos: Michelle Koukkula

D-A-D (Dinamarca)

Veteranos do hard rock dinamarquês, o D-A-D trouxe ao palco principal toda a experiência acumulada em décadas de estrada. Normalmente, as apresentações da banda são de uma produção grandiosa, com o palco repleto de elementos visuais. Estes, no entanto, não estavam presentes no Karhu Main Stage. O show do D-A-D, no entanto, não foi menos energético por conta da produção mais simplória do que o comum, pois o carisma dos membros e o repertório escolhido deram conta do recado. Embora a área em frente ao palco não tenha lotado e o estilo do D-A-D não seja lá dos meus favoritos, tenho de reconhecer que músicas como “Evil Twin”, “Bad Craziness” e “Sleeping My Day Away” sacudiram a plateia que estava cheia de fãs que foram especificamente assistir ao grupo.

Fotos: Michelle Koukkula

Blood Incantation (Estados Unidos)

Uma das bandas mais esperadas do dia, o Blood Incantation apresentou um espetáculo intenso e impressionante. A banda lotou completamente o Radio City Stage. Desde sua última passagem pelo Tuska, em 2023, a banda norte-americana apresentou uma impressionante evolução sonora, consolidada no álbum Absolute Elsewhere (2024), que expandiu seu death metal técnico com fortes influências de rock progressivo e psicodélico. No festival, o grupo executou o novo disco praticamente na íntegra. Para encerrar, a banda revisitou suas origens no álbum de estreia e tocou “Vitrification of Blood, Part 1”.

Fotos: Michelle Koukkula

Megadeth (Estados Unidos)

O encerramento da primeira noite ficou a cargo do Megadeth, uma das atrações mais aguardadas de toda a edição de 2026. Liderada por Dave Mustaine, a banda levou milhares de fãs ao Karhu Main Stage para uma apresentação repleta de clássicos que marcaram a história do thrash metal. Há de se reconhecer, no entanto, que boa parte da atenção do show foi roubada pelo guitarrista finlandês Teemu Mäntysaari, que não só é considerado o “orgulho nacional” por estar em uma banda grande e internacional como o Megadeth, mas também por apresentar uma técnica musical impressionante.

O setlist do Megadeth trouxe clássicos como “Angry again”, “Ride the Lightning” e “Symphony of Destruction”, mas também músicas como “Puppet Parade”, apenas tocada anteriormente uma vez ao vivo, segundo o próprio Mustaine. Durante a apresentação, Dave Mustaine interagiu bastante com o público, mas poderia, convenhamos, ter deixado alguns comentários de lado, como, por exemplo, o que fez ao dedicar uma música à “louca”, segundo ele, de uma de suas ex-exposas. Não satisfeito em atirar acidez gratuita no palco, o cantor ainda reclamou de um jornalista finlandês, dedicando a ele a música “Let There Be Shred”. Segundo Mustaine, o jornalista teria lhe perguntado o que Mustaine achava de James Hetfield (conhecida rivalidade de Dave Mustaine) e por isso o repórter foi insultado de “idiota” pelo cantor (nível baixo para um músico com tantos anos  de experiência, cá entre nós…).

Fotos: Sigryd Bagon