Se você é de Curitiba e ainda não conhece o CWCore, não sabe o que está perdendo. A terceira edição do festival finalmente está chegando e é seguro dizer que esse é um movimentos da cena local que prometem crescer exponencialmente. A proposta é simples: reunir bandas autorais da região e dar uma festa DAQUELAS. Isso geralmente resulta em: casa cheia, gente descobrindo bandas novas e um público que tem se tornado cada vez mais fiel.

A ideia nasceu de uma conversa completamente despretensiosa entre amigos, mas rapidamente ganhou força.

“A gente queria que as pessoas saíssem de casa para ouvir bandas da própria cidade”

Para entender como tudo começou, bati um papo com o Matheus Felippe, um dos organizadores do evento.

Como surgiu o CWCore?

“O CWCore surgiu de uma conversa despretensiosa num intervalo de faculdade. Eu e o Geert trabalhávamos num bar que tinha uma estrutura muito boa, mas não dava tanto espaço pra bandas autorais. Naquele ponto de 2024, já conhecíamos uma galera que tinha banda e todo mundo só estava fazendo abertura de shows. Conhecendo o som de todo mundo e todo o corre que fazíamos pra fazer acontecer, eu sempre soube que as nossas bandas tinham um potencial maior e queria muito fazer um show em que a galera saísse de casa pra poder ouvir só bandas da sua própria cidade!”

A resposta da galera mostrou que essa vontade era compartilhada por muita gente.

Fotografia: Amanda Luz

Quando vocês perceberam que o festival tinha dado certo?

“No final das contas, a primeira edição acabou tomando uma proporção bem maior do que imaginávamos e o próprio público começou a pedir mais. Percebemos que a galera também curte muito conhecer as bandas daqui e que se divertem num rolê que prega a valorização da cena autoral.”

Em vez de repetir a fórmula, a organização resolveu arriscar.

E como nasceu a segunda edição?

“Demos mais um tiro no escuro: fazer o mesmo rolê, com a intenção de fazer o público prestigiar as bandas mas adicionando a temática de Halloween, visto que os eventos temáticos eram dominados pelos covers. Mais uma vez, o público curitibano nos surpreendeu positivamente, tendo muitos participantes, muita gente fantasiada e participando das brincadeiras. Isso mostrou a importância de seguir inovando nos eventos que acontecem em nossa cidade.”

A aposta deu certo. A edição de Halloween, que rolou em outubro do ano passado, reuniu bandas autorais em um ambiente completamente decorado, com fantasias, brincadeiras e um clima de comunidade muito convidativo. A recepção positiva consolidou o festival como um dos espaços mais interessantes para quem acompanha a cena underground de Curitiba. Obviamente, O Subsolo esteve lá e você pode conferir a cobertura aqui.

Por que ainda não vemos bandas com mulheres no line-up do CWCore?

“Hoje, a gente não conhece bandas de Hardcore ou estilos parecidos, daqui de Curitiba, que tenham mulheres na formação.

Acho que isso tem algumas raízes. Desde cedo, dificilmente os pais incentivam as filhas a aprender instrumentos como guitarra, baixo ou bateria. Muitas vezes, elas acabam sendo direcionadas para atividades consideradas mais ‘delicadas’, como piano, teclado ou balé. Isso faz com que já existam menos instrumentistas mulheres dentro da cena.

Além disso, o Hardcore ainda carrega, em alguns espaços, uma cultura que reforça uma certa masculinidade. Isso acaba afastando muitas mulheres, principalmente quando somamos outro problema sério: ainda existem pessoas com histórico de abuso circulando livremente por aí. Enquanto essas questões não forem enfrentadas, fica muito mais difícil criar um ambiente em que mulheres se sintam confortáveis para montar bandas, tocar e ocupar esses espaços. Mas a gente quer muito criar esse espaço seguro e incentivar a galera então, mulheres, por favor, comecem uma banda de Hardcore e façam parte do CWCore!”

Um festival feito pela cena, para a cena

O foco do CWCore não é competir. Seu diferencial está justamente em fortalecer artistas locais, oferecendo um palco onde bandas autorais podem apresentar seu trabalho e espalhar a ideia de que tem espaço pra todo mundo.

A cada edição, o evento reúne vertentes do Metal e do Hardcore, mostrando que a diversidade sonora também faz parte da identidade da cena curitibana. Em 2026, a terceira edição mantém essa proposta ao reunir nomes como Declive, Sufffer, Mustaphorius e Atrocitus.

O CWCore é a prova de que o underground continua vivo porque existe gente disposta a fazer acontecer. Cada pessoa presente ajuda a construir uma cena mais forte. E esse é só o começo.

Imagem do evento

CWCORE FEST – FESTA JULINA
Data: 11 de julho de 2026
Local: Belvedere Bar (Rua Inácio Lustosa, 496 – São Francisco, Curitiba)

Ingresso: https://meaple.com.br/cwcore-prod/cwcore-fest-2026-edicao-de-festa-julina

28 anos, formada em Marketing e em Processos Fotográficos, apaixonada por artes em geral, principalmente por fotografia e música. Ouço muito Nu Metal, Hardcore, Metalcore, Post-Hardcore, entre outros "core's" para os quais a galera mais tradicionalista costuma torcer o nariz. :) @fluxfotografia