Início Coberturas Cobertura: John Smith Rock Festival 2026 (Helsinque / FI) – Parte 3...

Cobertura: John Smith Rock Festival 2026 (Helsinque / FI) – Parte 3 (Sábado)

O terceiro e último dia do John Smith Rock Festival começou para mim com uma mistura de cansaço e expectativa. Depois de dois dias intensos de shows (leia a cobertura do primeiro dia aqui e a do segundo aqui), caminhadas, fotografias e poucas horas de descanso, o corpo já começava a pedir uma pausa. Mas a programação de sábado tinha um forte argumento para manter a animação em alta: algumas das minhas bandas favoritas estavam entre as atrações do dia, incluindo For My Pain, H.E.A.T., Eclipse e Amorphis.

E, como se isso já não fosse suficiente, descobri pouco antes do festival começar que o sábado ainda teria uma surpresa extra.

Acoustenced (Finlândia): uma surpresa antes mesmo do festival

Na área de acomodação de Peurunka, encontrei um grupo de amigos reunido para uma tradição que eles já repetem há alguns anos: à beira do lago, com comidas, bebidas (muitas bebidas), o grupo se reúne para confraternizar e celebrar. Para a ocasião deste ano, o grupo, intitulado “Beaver’s Nest” (ou “Ninho do castor”),  contratou ninguém menos que a dupla Acoustenced.

Nós já havíamos acompanhado o Acoustenced em março deste ano, e, além de assistir à apresentação, tivemos a oportunidade de entrevistá-los. Por isso, reencontrá-los em um ambiente tão descontraído, antes mesmo de começar a programação oficial do festival, foi uma ótima surpresa. O Acoustenced canta exclusivamente músicas da banda Sentenced no modo acústico. Depois de dois dias de metal pesado, uma apresentação acústica foi quase um pequeno intervalo estratégico antes de encarar a maratona final. Mas como Sentenced é uma das minhas bandas favoritas, ouvir canções como “No one there” e “You are the one” foi a cereja do bolo daquele sábado. Obrigada aos organizadores do evento por me deixarem participar! Espero encontrá-los nos anos seguintes também!

Fotos: Luciana Paltila

 

For My Pain (Finlândia) enfrenta a chuva — e não desiste

Depois da apresentação acústica, era hora de seguir para a área oficial do festival. E a expectativa agora era por uma das bandas que eu mais aguardava naquele dia: For My Pain

O clima, porém, já havia mudado completamente em relação aos dois primeiros dias. O sol deu lugar a um céu carregado, e capas de chuva começaram a aparecer por todos os lados. O aviso estava dado.

Quando os finlandeses subiram ao palco Smith, muita gente já aguardava ansiosamente na frente do palco. O grupo abriu a apresentação com “Hungry for Desire”, seguida por “Rapture of Lust”. Foi durante a terceira ou quarta música que a chuva finalmente veio, e veio com força. Não foi uma garoa passageira, mas uma verdadeira tempestade.

Para quem estava no público, a escolha era simples: continuar debaixo d’água ou procurar abrigo. Para quem estava trabalhando com equipamento fotográfico, não havia muita discussão. Acabei acompanhando parte do show da área VIP coberta, enquanto o gramado rapidamente se transformava em um mar de lama (ô delícia…#sqn risos).

Confesso que fiquei um pouco frustrada. Queria muito estar na primeira fila acompanhando o For My Pain de perto, mas proteger o equipamento precisava vir primeiro. A própria banda também sentiu os efeitos da chuva e chegou a interromper a apresentação por alguns minutos antes de retornar ao palco.

Mesmo com todas as dificuldades, o grupo entregou um ótimo show, encerrado com “Dance in the Dark”, uma das minhas músicas favoritas. O setlist acabou sendo relativamente curto, provavelmente influenciado pelas condições climáticas, mas o For My Pain deixou uma boa impressão.

Fotos: Luciana Paltila

 

Steve ’n’ Seagulls  (Finlândia) coloca o público para dançar

Depois de tanta chuva, o Steve ’n’ Seagulls apareceu quase como um antídoto para o mau tempo.

Eu conhecia a proposta da banda finlandesa, isto é, transformar clássicos do rock e do metal em versões com forte influência de country, bluegrass e blues, mas eu ainda não tinha acompanhado uma apresentação completa.

Foi impossível não entrar na brincadeira.

Músicas como “Seek & destroy” (Metallica) e “Over the hills and far away” (Gary Moore) ganharam arranjos completamente diferentes e fizeram o público cantar e dançar mesmo com o chão molhado. Até mesmo a remada viking da Noruega rolou em meio à fama que o ato teve na Copa do Mundo de futebol de 2026. Festival de metal na Finlândia também é isso: às vezes, você precisa simplesmente aceitar que vai terminar o dia coberto de chuva ou até mesmo lama (*risos*).

Fotos: Luciana Paltila

 

Seven Spires (Estados Unidos) traz o metal sinfônico para a chuva

A próxima atração era uma das que eu mais queria fotografar: Seven Spires.

Eu já conhecia a vocalista Adrienne Cowan de sua participação com o Avantasia e fiquei impressionada desde então com sua potência vocal. Por isso, estava bastante curiosa para vê-la à frente da própria banda.

A chuva, no entanto, continuava sendo um problema. Sapatos completamente molhados, equipamento protegido e a necessidade de trabalhar dentro do pit tornavam a cobertura cada vez mais complicada.

Ainda assim, achei que o Seven Spires fez uma apresentação muito consistente. O metal sinfônico da banda combinou surpreendentemente bem com aquela tarde cinzenta e chuvosa, enquanto Adrienne mostrou mais uma vez por que é uma vocalista tão potente.

Fotos: Luciana Paltila

 

H.E.A.T. (Suécia) traz calor para uma tarde molhada

Se havia uma banda capaz de devolver um pouco do calor ao festival, essa era o H.E.A.T.

A banda sueca de hard rock, liderada por Kenny Leckremo, subiu ao palco por volta das 17h30 e imediatamente mudou o clima do festival. Eu conheci o grupo também por meio da ligação do vocalista com o universo do Avantasia e, desde então, passei a acompanhar melhor o trabalho da banda. Ao vivo, o H.E.A.T. confirmou todas as boas expectativas.

Músicas como “Rock Your Body” e “One by One” fizeram o público esquecer por alguns minutos a chuva que insistia em cair. E, falando em Kenny Leckremo: é difícil não comentar a sua presença de palco. A propósito, o trocadilho “Leckremo” com “crème de la crème” seria ridículo, mas inevitável, porém vou poupar vocês … (*risos*)

Fotos: Luciana Paltila


Masterplan (Alemanha)
mantém o ritmo

Com a chuva ainda presente, o Masterplan assumiu o palco e trouxe mais uma dose de heavy metal clássico ao festival. A banda abriu a apresentação com um dos clássicos que também está entre os meus favoritos “Enlighten me” e mostrou por que continua sendo uma referência dentro do gênero.

A formação contou com o reforço do finlandês Jari Kainulainen no baixo, além de Roland Grapow nas guitarras, conhecido também por sua trajetória no Helloween. A apresentação do Masterplan foi precisa e manteve o público bastante envolvido.

Fotos: Luciana Paltila

 

Coroner (Suíça) aumenta o peso da tarde

Na sequência, o Coroner levou seu Thrash Metal técnico e pesado ao palco. O trio formado por Ron Broder, nos vocais e baixo, Tommy Vetterli, na guitarra, e Diego Rapacchietti, na bateria, trouxe ainda mais peso para a programação.

A chuva continuava, mas a essa altura o público parecia ter chegado a um acordo com o clima: ninguém mais se importava muito em estar molhado.

O show foi intenso e tecnicamente muito sólido. Conversando com alguns fãs depois da apresentação, ficou claro que o grupo havia correspondido às expectativas de quem esperava pelo show.

Fotos: Luciana Paltila

Mors Principium Est (Finlândia) prepara o terreno para o fim

Mais tarde, foi a vez do Mors Principium Est, representante finlandês do Death Metal melódico.

A banda apresentou um repertório bastante concentrado em seu trabalho mais recente, “Darkness Invisible”, com músicas como “A Day for Redemption”, “The Shore” e “Monuments”.

Eu estava especialmente interessada nessa apresentação depois de conhecer melhor o grupo por indicação da minha amiga Sigryd, e também colaboradora d’O Subsolo. O resultado foi um show preciso e competente.

Fotos: Luciana Paltila

 

Floor Jansen (Holanda): uma voz que dispensa apresentações

Então chegou o momento de Floor Jansen. Conhecida mundialmente por seu trabalho no After Forever e, principalmente, no Nightwish, a cantora entrou no palco do John Smith para uma apresentação que estava entre as mais esperadas da noite.

Pouco antes do show, Floor havia cancelado sua participação em uma sessão de autógrafos por motivos de saúde. Felizmente, ela conseguiu manter a apresentação no palco, e entregou um ótimo espetáculo.

Confesso que esperava ouvir um pouco mais de alguns dos grandes clássicos do Nightwish, mas o repertório trouxe uma boa representação de diferentes momentos de sua carreira. Entre os destaques estavam “Noise”, “Nemo”, do Nightwish, e “Face your demons”, do After Forever.

Independentemente do repertório, assistir a Floor Jansen ao vivo continua sendo uma experiência impressionante. A potência e o controle vocal permanecem como alguns dos grandes destaques de sua carreira.

Fotos: Luciana Paltila

Eclipse (Suécia) faz o público esquecer a chuva

Quando o Eclipse subiu ao palco Smith, o festival já estava claramente chegando aos seus últimos capítulos. Mas ninguém parecia disposto a ir embora. A banda sueca de Hard Rock trouxe exatamente aquilo que eu esperava: muita energia, refrões para cantar junto e uma produção visual que ganhou ainda mais impacto com os efeitos pirotécnicos.

Eu já havia acompanhado o Eclipse anteriormente (confira aqui a cobertura) e, depois de vê-los ao vivo, passei a gostar ainda mais da banda. No John Smith, não foi diferente.

O show começou com “Roses on Your Grave”, seguida pela minha favorita, “All I Want”. Também fizeram parte do repertório “Twilight, Black Rain”, “The Hardest Part Is Losing You”, “Runaways” e “Viva La Vida”.

Foi um daqueles shows em que ficar parado simplesmente não era uma opção: o público dançou, cantou e aproveitou cada minuto (e eu idem!). Até integrantes do H.E.A.T. apareceram na plateia para curtir o show devidamente protegidos por capas de chuva, depois de terem feito uma visita à sauna exclusiva para os artistas.

Fotos: Luciana Paltila

Amorphis (Finlândia) encerra o festival em grande estilo

E então chegou aquele momento que nenhum frequentador de festival gosta: o anúncio de que a noite estava chegando ao fim. Antes de o Amorphis subir ao palco, uma queima de fogos à beira do lago iluminou Peurunka e serviu como um lembrete de que aqueles três dias estavam chegando ao fim.Por alguns minutos, o público simplesmente parou para assistir às luzes refletidas na água. Era bonito, mas também tinha aquele inevitável gostinho de despedida.

Quando o Amorphis finalmente entrou no palco, a atmosfera mudou novamente. Abrindo a apresentação com “Bones, a banda finlandesa entregou o tipo de show que seus fãs já esperavam: preciso, intenso e cheio de personalidade.

O repertório trouxe clássicos como “Silver Bride”, “The Moon”, “Black Winter Day”, “House of Sleep” e, para encerrar a noite, “The Bee”.

Não poderia haver encerramento mais apropriado!

Fotos: Luciana Paltila

Até o próximo John Smith!

Três dias, dezenas de shows, chuva, sol, pirotecnia, muitas fotografias e ainda mais histórias.

O John Smith Rock Festival 2026 terminou deixando aquela sensação contraditória que todo bom festival provoca: o corpo pede descanso, mas a cabeça já começa a pensar na próxima edição… Até 2027, John Smith Festival! 🙂