Dia 21 de maio de 2026, uma noite fria que entrará pra história, por provar que a cena está extremamente aquecida, no que diz respeito ao Metal autoral em Florianópolis.
Dentro de diversos eventos promovidos pela Bruxa Verde para comemorar seus 8 anos de história, resistência e apoio ao underground, o Bruxa Verde Fest 8 anos reuniu a estreante Meroth, o retorno aos palcos da Deadpan, e a Sangue de Bode lançando seu novo disco em turnê pelo Sul do país.
Meroth
Fiquem avisados que não sou a pessoa ideal para falar dessa banda, pois minha proximidade com todos os integrantes me faz altamente suspeito. Mas, feito esse disclaimer, seguimos para a resenha: A banda inicia sua apresentação, ainda com as cortinas fechadas, com uma longa e sinistra introdução, que cria o clima para a música que viria nos próximos minutos. Introdução essa que não nos prepara para a visão, pela primeira vez, da banda caracterizada, com toda a decoração do palco e indumentárias extremamente sinistras. Tudo muito bonito e no tema, percebe-se que houve um cuidado enorme na concepção do visual, e na relevância de cada adereço.
A introdução caminha para Earth Purest Silence, que apresenta uma guitarra complexa e interessante, muito bem mesclada com as camadas de teclado de Cristina Barreto, criando uma atmosfera gótica que progride para o Black Metal sinfônico e atmosférico, que a Meroth toca de fato.
Uns dos grandes destaques da banda, que está nivelada por cima, diga-se de passagem, são os vocais muito bem trabalhados e encaixados da Vocalista Luana Ouriques, e do Guitarrista/ vocalista André Barreto. Enquanto o André tem um false Chord bastante grave, que lembra o Mikael Åkerfeldt do Opeth, Luana Ouriques cobre com muita competência os agudos, ao passo que canta olhando para cima, como em constante blasfêmia. Entre as músicas, grande destaque para Devil Small Island, e a derradeira, Tales of Witches, duas pedradas certeiras e muito bem construídas aonde a cozinha composta por Theo e Gustavo Kretzer brilha ainda mais.
A Meroth é uma grande adição a pesada cena da capital, e com certeza fará grandes shows e muitas músicas interessantes nos próximos anos. Guardem esse nome!
Deadpan
Retornando de um longo hiato, a Deadpan trouxe um novo show, com novas músicas, novas ideias e um algo a mais. Um algo a mais que a somente esses caras poderiam produzir. Formada em 2011 em Florianópolis, a banda apresenta um complexo e diferenciado Metal Progressivo, fortemente influenciado por bandas de Death Metal, mas que não se limita a isso. A dupla Gustavo Novloski (Guitarra e vocais) e Igor Thiesen (Bateria e vocais de apoio) cria momentos bastante únicos, ao transcender o padrão da apresentação de uma banda de Rock, trazendo partes faladas que provocam diversas sensações, flertam com a estranheza e teatralidade, e se utilizam da brutalidade e velocidade sem perder o tema ou se distanciar do conceito alienígena da banda.
A Deadpan tem no cerne de sua temática, uma complexa história sobre um alienígena (Eon), que vem à Terra para entender por que a humanidade está tão próxima da própria destruição. Essa história está presente em todos os seus materiais, gravações, shows, e até uma HQ (sim, eles têm uma HQ!). E esse forte lado conceitual e transmídia é mais aparente nas novidades, Naive, Mind e Enemy, aonde o lado teatral se destaca mais. Entre todas as faixas, existem “intervenções de fala” na história, que aumentam a imersão do expectador, nos fazendo entender um pouco mais desse universo scyfy de alienígenas e viagens interplanetárias para o qual somos convidados por pouco mais de quarenta minutos.
Uma banda sem baixista pode parecer inusitado durante os primeiros minutos, mas à medida que o tempo vai passando, a proposta da Deadpan se justifica, e a estranheza passa (ao menos em parte, pois a inquietação seja uma das sensações que a banda intenta transmitir). O formato dá mais liberdade para improvisos, “conversas” entre os instrumentos, e deixa a jornada de críticas e questionamentos à nossa sociedade, ainda mais curiosa.
Nada do que é dito aqui é capaz de explicar exatamente o que é um show da Deadpan, então fica o convite. Os caras estão fazendo uma extensa turnê, pelo Brasil, e quem quiser conferir tudo isso ao vivo, ainda pode ouvir clássicos como In aliens we trust e Life olimpic games. Imperdível!
Sangue de bode
Em sua terceira passagem por Florianópolis, o Sangue de bode apresenta seu show renovado pelas músicas do novo disco O funeral de tudo, que segue pesado em direção ao Black Metal, mas ainda mantem um pouco da pegada crossover própria, única, e extrema da banda. Além do peso e velocidade tradicionais da banda, o show agora apresenta ainda mais momentos “sinistros”, em boa parte, graças a guitarra de Nekrose, que mistura acordes típicos de Black Metal, com breakdowns pesadíssimos de Metal mais moderno.
O grande destaque do quarteto é, sem dúvida o vocalista Verme, que possui uma presença de palco intimidadora, e um visual peculiar e único. Verme distribui “bençãos” ao público, ao segurar a cabeça de seus escolhidos, enquanto canta com uma força que parece sobrenatural. A banda ainda conta com Zé, no baixo e Sinuê na bateria.
O Sangue de bode é uma banda que já possui muitos fãs pelo Brasil, e possuí clássicos que não podem deixar de ser citados, pois agitam ainda mais o público. Entre eles: Messias de merda, Necroprimata e Minha Refeição É no Lixão.
Que grande banda! esperamos que possam vir mais vezes pra Florianópolis, e contamos com grandes discos no mesmo nível de O funeral de tudo, no futuro próximo.










































































