Se o primeiro dia de festival já tinha deixado a régua lá em cima, o segundo dia do John Smith Rock Festival mostrou que ainda havia muito pela frente. A sexta-feira começou exatamente como a quinta-feira terminou: muito sol, calor e uma expectativa enorme para mais uma maratona de shows.
Mais uma vez utilizamos o transporte oficial oferecido pelo festival entre Jyväskylä e Peurunka. O esquema continuava funcionando muito bem, sem filas ou complicações.
Infelizmente, cheguei ao local quando o Marianas Rest já estava encerrando sua apresentação. Mas bastou conversar com algumas pessoas na plateia para perceber que a apresentação havia sido um sucesso. Confesso que não fiquei surpresa: já havia assistido ao grupo na edição de inverno do John Smith, em um formato acústico, e eles haviam entregado um espetáculo muito bom.
Herra Ylppö (Finlândia) no palco Smith
A primeira apresentação completa para mim do dia foi a de Herra Ylppö. Misturando rock, metal e elementos de música eletrônica, o cantor trouxe uma performance bastante diferente do restante da programação. Seu jeito excêntrico no palco chamou atenção desde o início. Em alguns momentos parecia inquieto, jogando o microfone no chão e interagindo pouco com o público. Mas o cantor ganhou pontos com a plateia quando desceu do palco e foi cantar junto aos fãs, bem na frente da grade. Músicas como Sata Vuotta e Pihlajan Alla ajudaram a animar o público. Devo destacar que os demais membros da banda fizeram um show à parte.
Fotos: Luciana Paltila
Nestor (Suécia) conquista com carisma e muita dança
Com um hard rock fortemente inspirado nos anos 1980, o Nestor entregou uma apresentação literalmente divertida. O vocalista Tobias Gustavsson entrou no palco dançando cheio de animação e, durante todo o show, mostrou um carisma contagiante. Era impossível não sorrir e não dançar acompanhando aquela energia.
No repertório, músicas como “Caroline”, “On the Run” e “1989” fizeram o público cantar junto (confesso que não fiquei de fora da cantoria). O visual dos integrantes também chamava a atenção, com figurinos que pareciam ter saído diretamente da era de ouro do hard rock. Nestor foi, sem dúvida, uma das grandes surpresas positivas do festival, adorei!
Fotos: Luciana Paltila
Beleza melancólica com o Kaunis Kuolematon (Finlândia)
O clima de hard rock mudou completamente com a entrada do Kaunis Kuolematon após o Nestor. A banda finlandesa levou ao palco toda a melancolia característica do Doom e do Gothic metal. As letras do grupo tratam de temas como tristeza, perda e morte, que, aliados ao estilo musical da banda, criam uma atmosfera bastante introspectiva. Talvez aquele fim de tarde ensolarado não fosse exatamente o cenário mais óbvio para esse tipo de música, mas isso não diminuiu a qualidade da apresentação do Kaunis Kuolematon.
Fotografar o show, porém, foi um desafio. A combinação de pirotecnia intensa com vento forte fazia com que o calor das chamas chegasse diretamente aos fotógrafos no pit (socorro!! *risos*). Considerando que as músicas falam tanto sobre morte, confesso que por alguns instantes preferi manter uma distância respeitosa do conceito… (*risos*)
Fotos: Luciana Paltila
Carcass (Reino Unido) mostra por que é uma lenda
Se por um lado algumas bandas esbanjavam grandes produções, os britânicos do Carcass dispensaram efeitos visuais, danças ou roupas especiais. Eles entraram no palco e fizeram exatamente aquilo que os tornou referência no death metal e no goregrind. Sem discursos longos ou performances elaboradas, a banda entregou um show pesado e direto, sustentado pela qualidade técnica dos músicos e por um repertório diverso.
Canções como “Carnal Forge”, “Incarnated Solvent Abuse”, “Corporal Jigsore Quandary” e “Heartwork” foram recebidas com entusiasmo por um público que claramente aguardava esse momento. Às vezes, apenas tocar muito bem é mais do que suficiente. Nota 10 para o Carcass!
Fotos: Luciana Paltila
Sirenia (Noruega) mantém o nível do dia
Do death metal ao metal sinfônico. Muitos fãs de longa data já aguardavam ansiosos o Sirenia quando a banda estava ainda para entrar no palco Smith. A banda norueguesa trouxe uma mudança completa de atmosfera ao festival. Liderado pela vocalista francesa Emmanuelle Zoldan, o grupo apresentou um show elegante e bastante envolvente. A potência vocal de Emmanuelle impressionou ao vivo e a resposta do público confirmou que o Sirenia possui uma base sólida de fãs. Músicas como “Meridian” e “Sister Nightfall” estiveram entre os destaques da apresentação.
Fotos: Luciana Paltila
O grande momento da noite: Epica (Holanda)
Se havia uma banda que eu mais esperava naquele segundo dia, era o Epica. Eu havia assistido ao grupo poucos meses antes, durante a turnê com Amaranthe e Charlotte Wessels, e saído completamente impressionada. Ainda assim, o show no John Smith conseguiu superar as expectativas.
A banda holandesa fez uma apresentação impecável. Simone Simons mostrou mais uma vez por que é considerada uma das grandes vozes do metal sinfônico, enquanto todos os integrantes demonstravam enorme entrosamento e alegria no palco.
Os efeitos pirotécnicos deram ainda mais impacto ao espetáculo, criando um visual que acompanhava perfeitamente músicas como “Sensorium”, “Cry for the Moon”, “Unchain Utopia” e “Beyond the Matrix”. Assim como no show de março, a banda exibe no telão, em alguns momentos, filmagens em preto e branco do show em tempo real, destacando a plateia e os músicos. Parece simples, mas o recurso cria um efeito grandioso no show.
Foi, para mim, o melhor show do segundo dia sem dúvidas. Mas o dia não estava no fim ainda…
Fotos: Luciana Paltila
Tiamat (Suécia) leva o festival para um clima sombrio
Já próximo das 23h, quando a luz do verão finlandês finalmente começava a dar lugar à noite, foi a vez do Tiamat subir ao palco principal. A mudança na iluminação transformou completamente a atmosfera do festival. Tons vermelhos e azuis, aliados à fumaça e ao visual característico da banda sueca, criaram o cenário perfeito para uma apresentação intensa e carregada de melancolia.
Pioneiro do gothic metal europeu, o Tiamat entregou um show consistente e envolvente, conduzido pelo cantor Johan Edlund. O repertório passou por diferentes fases da carreira da banda, com destaques para The Sleeping Beauty, Visionaire, Vote for Love e a clássica Gaia, que encerrou a apresentação em grande estilo.
Fotos: Luciana Paltila
Beast in Black (Grécia/Finlândia) transforma o festival em uma grande festa
Se o Tiamat trouxe um clima introspectivo, o Beast in Black fez exatamente o oposto. A banda, internacional mas sediada em Helsinque, entrou no palco como um verdadeiro furacão. Misturando heavy metal, power metal e até influências do pop e da música eletrônica dos anos 1980, o grupo entregou um dos shows mais explosivos de todo o festival.
Os efeitos pirotécnicos foram utilizados praticamente durante toda a apresentação, com chamas, explosões e um espetáculo visual que acompanhava perfeitamente a energia da banda. No centro de tudo estava o vocalista Yannis Papadopoulos, dono de uma presença de palco impressionante e de uma potência vocal que parecia inesgotável.
O repertório manteve o público em constante movimento com músicas como “Beast in Black”, “Die by the Blade”, “One Night in Tokyo”, “Power of the Beast” e “No Surrender”. Foi impossível ficar parado nesse show também. O público respondeu do início ao fim, transformando o encerramento do segundo dia do John Smith Rock Festival uma verdadeira celebração.
Fotos: Luciana Paltila
A noite termina, mas a música continua com The Top Guns (Finlândia)
Os shows oficiais do segundo dia de festival haviam se encerrado, mas isso nao significava que a festa precisava acabar… (*risos*). Para os inimigos do fim, como eu, a área interna do spa de Peurunka, trazia um aftershow, que ficou por conta da The Top Guns, banda finlandesa que presta homenagem às trilhas sonoras dos grandes filmes de ação dos anos 1980.
O repertório reuniu clássicos de produções como Rocky III e IV, Top Gun, Scarface, Karate Kid, O Exterminador do Futuro 2, interpretando músicas de artistas como Survivor, Kenny Loggins, e AC/DC.
A banda precisou substituir temporariamente seu vocalista Jules Näveri, por Aleksi Parviainen, mudança que, na prática, não afetou a qualidade da apresentação.
Mais do que um show, a apresentação do Top Guns, a qual eu já tinha prestigiado também anteriormente, é uma verdadeira viagem nostálgica. O público cantou, dançou e lotou o espaço do início ao fim, encerrando o segundo dia do John Smith Rock Festival com o mesmo entusiasmo que marcou toda a programação.
Fotos: Luciana Paltila





































































