O sábado, 8 de agosto, começou ensolarado e com aquela animação de quem ainda estava empolgado com o saldo mais do que positivo do primeiro dia do Hellsinki Metal Festival. A ideia era chegar cedo para conferir algumas das primeiras bandas e, às 14h, participar do tradicional tour para a imprensa, que já havia feito parte da programação no ano anterior.
Cheguei à região do Nordis por volta das 13h30 e a movimentação na área ainda estava relativamente modesta, considerando a quantidade de pessoas esperada para aquele sábado. Felizmente, consegui entrar a tempo de acompanhar e fotografar parte da apresentação do Assemble the Chariots antes de seguir para o compromisso com a imprensa.
Assemble the Chariots | Finlândia
O Assemble the Chariots abriu o segundo dia com uma mistura poderosa de metal extremo, arranjos orquestrais e uma atmosfera quase cinematográfica. A banda combina vocais agressivos, bateria acelerada e melodias grandiosas, criando aquele tipo de som que parece ter saído diretamente de uma batalha mitológica.
Mesmo acompanhando apenas parte da apresentação, deu para perceber a intensidade dos músicos e a força dessa combinação. Um dos momentos especiais do show foi a participação da cantora finlandesa Nitte Valo (ex-Battle Beast e atualmente Dreamtale e Bad Marilyn) na música “Discover the Power”. Infelizmente, eu já havia saído para o tour da imprensa e perdi essa participação, uma pena!
Fotos: Luciana Paltila
Tour da imprensa e uma viagem pela história do metal finlandês
Assim como aconteceu em 2025, o tour da imprensa foi organizado pela equipe responsável pelo Hellsinki Metal Festival. Foi uma oportunidade de conhecer melhor a estrutura do evento, ouvir sobre os planos da organização e observar de perto os espaços disponíveis para o público.
Algumas diferenças em relação ao ano passado chamaram minha atenção. Certas áreas, como a sauna e o espaço Children of Bottom, não estavam presentes nesta edição. Por outro lado, o bazar estava cheio de opções, reunindo lojas, produtos relacionados ao metal, artistas e outros serviços que tornam a experiência do festival ainda mais interessante.

Meu destaque pessoal ficou para a apresentação da exposição Metallikausi, expressão finlandesa que pode ser traduzida como “Estação do Metal”. A exposição completa tem inauguração prevista para outubro de 2026, no novo museu Tiima, em Oulu, no norte da Finlândia. A proposta é reunir objetos históricos, itens de coleção e relíquias ligadas à trajetória de bandas de metal finlandesas. Como fã de longa data do Sentenced e do Charon fiquei especialmente feliz ao saber que materiais relacionados à banda estão entre os destaques. Ver uma pequena amostra do que está sendo preparado foi uma experiência muito interessante e, claro, já comecei a conversar sobre a possibilidade de visitar a exposição quando ela abrir. Mais um motivo para colocar Oulu na lista de próximos destinos!

Numento | Finlândia
De volta à programação musical, consegui acompanhar o início do show do Numento, uma banda finlandesa que já estava na minha lista de grupos que eu precisava conhecer melhor.
Com três álbuns de estúdio lançados, o grupo vem construindo seu espaço na cena do metal progressivo e melódico. A apresentação mostrou uma banda tecnicamente segura, com boas mudanças de ritmo e uma sonoridade que alterna passagens melódicas e momentos mais pesados.
Um dos pontos que mais me chamaram a atenção foi a vocalista Katri H-A. Sua voz tem bastante força e personalidade, funcionando muito bem dentro da proposta musical do grupo. Mesmo com o tempo limitado para acompanhar o show, saí com a sensação de que finalmente havia riscado mais um nome importante da minha lista de bandas finlandesas para conhecer ao vivo.
Fotos: Luciana Paltila
MISÞYRMING | Islândia
Misþyrming é uma banda de black metal de Reykjavík, na Islândia. Confesso que não conhecia o grupo antes do festival, mas bastou descobrir que se tratava de uma banda islandesa de black metal para meu interesse crescer. Talvez seja a combinação perfeita para mim: adoro heavy metal e adoro a Islândia! (risos)
E a apresentação não decepcionou. A sonoridade era pesada, crua e violenta, com aquela atmosfera sombria que combina perfeitamente com o black metal. O visual dos músicos também ajudava a completar a experiência: eles subiram ao palco com maquiagens que imitavam sangue e ferimentos no rosto, como se tivessem acabado de sair de uma batalha (ou seria um filme de terror? *risos*). Uma verdadeira tempestade islandesa que deixou claro por que a banda foi escolhida por Nergal para acompanhá-lo mais tarde naquele sábado, na execução do álbum Sventevith, do Behemoth.
Fotos: Luciana Paltila
Kalmah | Finlândia
Kalmah é uma banda finlandesa de Melodic Death Metal, formada em Pudasjärvi, no norte da Finlândia, e ativa desde 1998. O nome significa “para a sepultura” ou “até a morte” no idioma careliano, e isso já dá uma boa pista sobre o universo musical do grupo.
Fazia algum tempo que eu não acompanhava a banda, mas estava animada para finalmente vê-los ao vivo. E foi ótimo reencontrar aquelas melodias marcantes e a combinação de peso e agressividade que fazem parte da identidade do Kalmah.
O setlist trouxe músicas como “Moon of My Nights” e “They Will Return”, preparando o terreno para um encerramento simplesmente matador. A sequência final com “The Black Waltz”, “Heroes to Us” e “Hades” foi perfeita. Um final de respeito!
Fotos: Luciana Paltila
Paradise Lost | Inglaterra
O Paradise Lost não precisou de grandes efeitos ou de um espetáculo visual exagerado para conquistar o público. O palco era discreto, a iluminação elegante e os tons góticos combinavam perfeitamente com a atmosfera da banda, sem transformar a apresentação em algo teatral demais. Aqui, o mais importante eram as músicas — e elas falaram por si.
O repertório percorreu diferentes fases da carreira, de “Draconian Times” até “Ascension”, o álbum mais recente. E “Ascension“ soou especialmente bem ao vivo. Foi uma apresentação linda, envolvente e verdadeiramente memorável. O Paradise Lost tem aquela capacidade especial de criar uma atmosfera que nos absorve por completo: melancólica, pesada e, ao mesmo tempo, bela.
Fotos: Luciana Paltila
FCF Wrestling — Septimus vs. Shemeikka
Novamente neste ano, a FCF Wrestling ofereceu uma alternativa interessante para quem queria descansar um pouco dos palcos ou simplesmente não estava interessado em assistir a todas as bandas. Ter uma atração tão diferente acontecendo paralelamente à programação musical acrescenta outra dimensão à experiência do festival. E, com a boa energia em volta do ringue, era fácil acabar ficando por ali mais tempo do que o planejado.
A área da luta livre não estava exatamente lotada, com o público indo e vindo entre as lutas e a programação musical do festival. Quem ficava por ali, porém, acompanhava tudo com bastante entusiasmo. O ambiente era descontraído e a diversão no ringue era levada a sério!

Opeth | Suécia
E então chegou a hora do Opeth. Mikael Åkerfeldt transita com uma naturalidade impressionante entre a complexidade musical, a escuridão das composições e um humor seco.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a capacidade da banda de desacelerar todo o festival. As pessoas pararam de se movimentar, diminuíram as conversas e simplesmente ficaram ali, ouvindo. E conseguir isso em um festival não é pouca coisa. Um festival costuma exigir movimento, há sempre outra banda para assistir, outra atração acontecendo e alguma coisa disputando nossa atenção. O Opeth, por outro lado, parecia pedir apenas que déssemos tempo à música. E o público respondeu ao convite com uma atenção admirável.
Para mim, porém, depois de dois dias intensos de festival, não foi tão simples desacelerar completamente (*risos*). Eu vinha embalada pela energia das apresentações anteriores e senti falta de um pouco mais de movimento e agitação. Isso não diminui a qualidade do show; é mais uma questão de sintonia pessoal com o ritmo daquela apresentação.
Além das composições envolventes, emocionantes e executadas com enorme competência, um dos grandes destaques foi o baterista finlandês Waltteri Väyrynen, que se juntou ao Opeth em 2022. E, claro, para o público finlandês, vê-lo tocar diante de milhares de pessoas em casa tornou tudo ainda mais especial. Väyrynen é um baterista extraordinário, e acompanhar sua técnica e precisão ao vivo foi um prazer.
No fim, o Opeth ofereceu uma experiência diferente da energia explosiva de outras atrações do dia: uma apresentação que pedia atenção, paciência e entrega. Não era necessariamente o tipo de encerramento que eu mais queria naquele momento, mas foi impossível não reconhecer a qualidade dos músicos e a conexão que conseguiram estabelecer com a plateia.
Fotos: Luciana Paltila




































