Início Destaque Entrevista: Enemies Everywhere — brutalidade e peso para além das fronteiras finlandesas

Entrevista: Enemies Everywhere — brutalidade e peso para além das fronteiras finlandesas

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Celebrando o mais recente lançamento, o single Atonement, os finlandeses do Enemies Everywhere cederam uma entrevista para O Subsolo, um pouco antes de subirem ao palco para o último show da turnê “The Spring of Vengeance”, em maio de 2026.

Encontramos Sasu Mikkola (voz), Otso Saano (guitarra), Ville Vesala (baixo) e Veikka Laru (bateria) na casa de shows On the Rocks, em Helsinque, e conversamos sobre o aguardado álbum de estreia, sobre o processo criativo por trás de suas composições e também sobre a ascensão da banda em terras internacionais. Entre referências que vão de Children of Bodom ao deathcore moderno, o Enemies Everywhere oferece um retrato sincero e descontraído de sua trajetória atual e dos próximos passos da banda.

Luciana: Olá, pessoal. Obrigada por aceitarem o nosso convite para esta entrevista em nome do O Subsolo!

Este é o show final da turnê “The Spring of Vengeance”, que começou em fevereiro, em Kemi, e foi seguindo gradualmente para o sul, passando por cidades como Oulu, Jyväskylä, Tampere e agora Helsinque. Como foram essas últimas semanas na estrada para vocês, tanto como músicos quanto como banda? Como vocês estão se sentindo?

Otso: Muito bem, eu diria.

Sasu: Foi muito divertido!

Otso: Mesmo estando na Finlândia, os lugares são muito diferentes entre si, sabe? As pessoas são diferentes em cada cidade, a forma como o público reage também. Mas o retorno tem sido muito bom em todos os lugares. A energia tem sido ótima. Tem sido uma experiência incrível.

Luciana & Enemies Everywhere | Foto: Michelle Koukkula

Luciana: Ah, e tenho certeza de que o público aqui em Helsinque também ficará muito feliz com vocês.

Bom, o single mais recente de vocês, “Atonement”, foi lançado há apenas alguns dias, e a resposta já parece estar sendo muito positiva. A música, por exemplo, tem uma atmosfera sombria no começo e depois fica bem brutal e pesada. Já “Undead Masquerade” também traz uma boa dose de agressividade deathcore. Parabéns pelo lançamento. Eu gostei muito! Agora, o que vocês podem nos contar sobre essas músicas e sobre o processo criativo por trás delas? Eu não sou musicista, então sempre fico curiosa para saber como os músicos compõem suas canções, ainda mais porque cada artista tem um método diferente. Como funciona para vocês? Como foi, por exemplo, o processo criativo deste novo single?

Otso: Na maioria das vezes sou eu ou o nosso produtor, que na verdade é o nosso irmão, o Atte [Atte Laru]. Ele trabalha bastante comigo no processo de composição, principalmente quando estamos criando as demos. Às vezes começamos por um riff, ou eu tenho uma ideia de refrão, algo ainda bem cru. E então vamos desenvolvendo aquilo até a música começar a tomar forma.

Veikka: Nesse caso específico, foi meio ao contrário.

Otso: Ah, sim. Para essa música em particular, Atonement, foi diferente. O Atte já tinha a ideia inicial, uma demo, e nós trabalhamos a partir dela. Fizemos o riff principal junto com ele. Essa parte foi principalmente feita por mim, mas o nosso produtor também acrescentou várias coisas. E, na verdade, depois disso a música já estava praticamente pronta.

Luciana: É muito interessante ouvir isso! Ainda falando sobre a música de vocês, o som do Enemies Everywhere combina brutalidade, groove e atmosfera, mas continua moderno e atual. Quais bandas ou artistas foram as maiores influências para o Enemies Everywhere?

Otso: Como sou eu quem compõe muitos dos riffs e a parte mais voltada para os instrumentos, eu diria que as maiores influências vêm de bandas como Children of Bodom. Mas varia bastante. Algumas coisas vêm do Black Metal Sinfônico, como Dimmu Borgir. Depois tem influências de Nu Metal para trazer o groove, como Slipknot, que sempre foi uma banda muito importante para mim. E, para as partes mais modernas e mais voltadas ao metalcore/deathcore, eu diria que Bring Me The Horizon sempre foi uma grande influência, entre muitas outras.

Veikka: Falando da minha perspectiva pessoal, alguns dos bateristas e bandas que tenho escutado bastante durante a produção deste disco foram Shadow of Intent, especialmente o álbum mais recente deles. E também algo do outro extremo do espectro, como Periphery, que mistura djent e metal progressivo. Claro que nós dois crescemos ouvindo Children of Bodom, e foi ali que minha trajetória como baterista de metal realmente começou. Ainda hoje uso muitas dessas influências na minha forma de tocar.

Sasu: Para mim, do ponto de vista vocal, obviamente o Children of Bodom e o Alexi Laiho. Desde pequeno eu assistia vídeos ao vivo deles no YouTube. Eu lembro de ver o Alexi Laiho com o cabelo voando ao vento e pensar: “caralho, que incrível”.

Enemies Everywhere | Foto: Michelle Koukkula

Luciana: Vocês tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo?

Otso: Sim, muitas vezes. Inclusive, eu e o Veikka fomos recentemente ao tributo ao Children of Bodom no Tavastia [casa de shows em Helsinque]. E eu tive o prazer de subir ao palco com o Alexander Kuoppala. Ele é um cara fantástico e faz parte do Rock Camp, um projeto que apoia jovens músicos. Foi incrível ouvir histórias dele sobre os primeiros dias do Children of Bodom. Quando você escuta essas histórias contadas por um dos seus heróis de infância, é algo muito especial.

Sasu: Em relação ao gênero mais especificamente, eu busco muita inspiração no Dave Simonich, do Signs of the Swarm. Gosto muito do estilo vocal dele. Claro que também tenho que citar o Will Ramos, do Lorna Shore. Ele é uma das minhas maiores influências. Mas diria que Dave Simonich e Alex Terrible, do Slaughter to Prevail, são provavelmente os dois maiores nomes para mim. E também o Ryan Vail, do Synestia e Larcenia Roe. Na minha opinião, ele é o melhor vocalista da cena atualmente.

Enemies Everywhere em Helsinque, Maio 2026 | Foto: Luciana Paltila

Ville: Eu tenho algumas influências, mas vocês não conseguem ouvi-las muito neste material novo, porque eu acabei seguindo mais o que as guitarras fazem. Não houve muito espaço para pensar fora da caixa nas músicas mais recentes. E eu nem tenho muitos baixistas de metal como referência… porque, afinal, quem presta atenção no baixo? (risos) Mas eu tenho muita inspiração de músicos do funk clássico, como James Jamerson e Nathan Watts. Para mim, eles são alguns dos melhores baixistas de todos os tempos. No metal, sinceramente, além do Steve Harris, nem sei dizer.

Luciana: Muito legal! Afinal, não precisa ser tudo metal, né? É algo pessoal.
Eu li que existe um álbum de estreia previsto para este outono, certo? Em que fase do processo vocês estão neste momento?

Veikka: Já terminamos!

Otso: Está masterizado! E o que posso dizer agora é que o público vai ouvir algumas coisas antes do lançamento completo do álbum.

Luciana: E o que os fãs podem esperar desse disco?

Otso: Acho que é um álbum bastante diverso. Acho que todos nós concordamos que finalmente encontramos o caminho certo para a banda.

Veikka: Definitivamente é diferente do que as pessoas talvez esperassem antes de Undead Masquerade. Foi uma escolha consciente construir esse caminho e acho que agora finalmente encontramos o verdadeiro som do Enemies Everywhere.

Sasu: Exatamente. Foi o que eu disse para os caras: quando você ouvir o álbum, vai pensar imediatamente: “Ok, isso é Enemies Everywhere”. Vai ser brutal.

Luciana: Eu só consigo imaginar. Agora fiquei ainda mais ansiosa para ouvir esse álbum! Próxima pergunta: eu li uma entrevista que vocês deram para a revista Inferno no ano passado, na qual disseram “Totta kai tähtäämme kansainvälisille markkinoille”, ou seja, que “obviamente estamos mirando os mercados internacionais”. Desde 2022, vocês vêm construindo um nome sólido na Finlândia e agora estão começando a alcançar públicos e palcos internacionais também. Em breve vocês iniciarão uma turnê fora do país. Quais são as expectativas de vocês para levar o Enemies Everywhere além das fronteiras da Finlândia?