Início Coberturas Cobertura: Eclipse e One Desire (Helsinque/FI)

Cobertura: Eclipse e One Desire (Helsinque/FI)

Helsinque recebeu uma noite memorável de Hard Rock no dia 31.01.2026, na casa de shows Ääniwalli. O encontro entre as bandas One Desire, da Finlândia, e Eclipse, da Suécia, reuniu muitos fãs e entregou exatamente o que prometia: uma verdadeira celebração do Hard Rock moderno.

One Desire | Finlândia

A primeira apresentação da noite foi da banda One Desire, formada por André Linman (vocais), Jimi Westerlund (guitarra), Jonas Kuhlberg (baixo) e Ossi Sivula (bateria).

Ativa desde 2012, a banda tem quatro álbuns lançados e diversos singles, construindo uma base de fãs sólida dentro e fora da Finlândia.

O show começou com a música Hurt, e bastaram alguns segundos para que o público fosse tomado pela energia contagiante do grupo. A banda estava visivelmente empolgada: os integrantes interagiam bastante com a plateia e trocavam sorrisos entre si, demonstrando entrosamento e confiança.

Músicas como Shadowman e Bird Alive, que encerrou o set, foram destaques do show. A performance do vocalista André Linman também merece atenção especial, pois mesmo pulando, se movimentando pelo palco e incitando a plateia durante todo o show, sua voz permaneceu firme, alcançando até mesmo as notas mais altas. Arrasou, hein!

Agora uma confissão: eu não conhecia profundamente o trabalho do One Desire antes deste show. No entanto, depois dessa apresentação, saí do Ääniwali com uma impressão extremamente positiva da banda e certamente estarei presente nos próximos shows!

Fotos: Luciana Paltila

Eclipse | Suécia

A principal atração da noite subiu ao palco às 20h15min. Formado por Erik Martensson  (vocais, guitarra, composição), Magnus Henriksson (guitarra), Philip Crusner (bateria) e Victor Crusner (baixo), o Eclipse é um dos grandes nomes do Hard Rock europeu desde sua formação em 1999.

No momento em que o Eclipse entrou no palco, a casa de shows estava já bem mais cheia do que antes. Numa troca de ideias rápida com alguns fãs que estavam nas primeiras fileiras, descobri que havia fãs de diversas partes da Europa que estavam acompanhando o Eclipse em todas as noites anteriores da turnê pela Finlândia e pela Europa. A banda já passou várias vezes pela Finlândia e esteve inclusive no Brasil em 2025.

O show começou com Roses on Your Grave, seguida pela empolgante All I Want, uma das minhas favoritas. O Eclipse, graças especialmente ao talento de Erik Martensson, tem aquele talento raro de criar músicas que ficam na cabeça por dias, e ao vivo isso se multiplica. Fiquei vários dias após o show cantarolando The Hardest Part is Losing You

A química entre os integrantes é impressionante. Eles pareciam se divertir genuinamente no palco: conversaram entre si, sorriram, improvisaram e interagiram bastante com o público. Há uma naturalidade ali, de todos os integrantes e não apenas do cantor, que funciona como uma verdadeira aula para bandas que buscam elevar sua presença de palco.

Apesar da apresentação impecável, pequenos imprevistos técnicos surgiram ao longo do show. Em determinado momento, foi necessário trocar o cabo de uma das guitarras, e logo depois o microfone de Erik Martensson simplesmente desmontou em suas mãos. Ainda assim, nada disso tirou o brilho da performance. Pelo contrário: a banda e os técnicos de palco resolveram tudo rapidamente e ainda souberam fazer graça da situação para manter a plateia engajada.

A apresentação contou ainda com solo de bateria e solo de guitarra, os quais foram até interessantes, considerando que solos de bateria e de guitarra frequentemente são um tanto quanto… entediantes. O baterista Philip Crusner ganhou destaque logo nas primeiras músicas, quando deixou sua bateria e tocou em um kit de percussão posicionado bem na frente do palco, arrancando aplausos entusiasmados da plateia.

Um dos momentos mais divertidos aconteceu quando o guitarrista Magnus viu alguém na plateia vestindo uma camisa da banda Tool. Ele brincou dizendo que era a primeira vez que via alguém assistir a um show do Eclipse usando uma camisa do Tool, e então dedicou a música seguinte ao fã, tocando ainda alguns acordes de Pneuma, do Tool, e arrancando gargalhadas e aplausos do público. Confesso que eu adoraria que ele tivesse continuado a música inteira, viu?

Outro acontecimento que arrancou alguns risos do público foi quando a banda One Desire simplesmente invadiu o palco do Eclipse carregando uma bandeja cheia de shots de vodka para os suecos. Claro que eles beberam tudo com gosto, embora Erik tenha parecido um pouco afetado pelo álcool (*risos*).

O fim do show teve uma sequência incrível: depois de Black Rain, vieram The Hardest Part Is Losing You, Runaways e a maravilhosa Anthem. A banda encerrou o show com seu hit Viva la Victoria, que carinhosamente foi adaptada no setlist para Viva la Helsinki. E ainda sobre o setlist, a produção do Eclipse estava bem preparada para fãs, como eu, que adoram colecionar setlist de shows: a produção distribuiu, ao fim da apresentação, diversas cópias do setlist da noite, porém com as músicas escritas em finlandês. Parece bobeira, mas gestos como estes mostram o respeito e interesse da banda no público local e cativam certamente.

Fotos: Luciana Paltila

A noite no Ääniwalli foi, sem exagero, um prato cheio para quem curte Hard Rock. O One Desire brilhou com energia e carisma. O Eclipse, por sua vez, entregou um ótimo repertório e uma apresentação extremamente cativante, digna de uma banda com considerável trajetória na cena.

Valeu demais ao Eclipse e ao One Desire pela noite incrível que proporcionaram. É preciso deixar ainda registrado que a casa de show Ääniwali também merece aplausos. O som estava impecável e a iluminação perfeita, um fator que muito agrada aos fotógrafos.

Agradecimentos especiais às bandas One Desire, Eclipse e à Megalomania Production pelo credenciamento e pela oportunidade de acompanhar essa noite maravilhosa de Hard Rock em Helsinque. Kiitos! 🙂