O domingo do 18º Otacílio Rock Festival começou do jeito que já virou padrão por ali: sem enrolação. Às 09:00 em ponto o mestre de cerimônias Denilson Padilha já estava no palco anunciando o início do segundo dia. Mesmo com o desgaste natural do sábado, que não foi leve, o público seguiu colando no galpão, mantendo um fluxo constante de gente disposta a encarar mais um dia de muito Metal.

Barba Rala | Groove/Progressivo | SC
A banda formada em Santa Catarina, em 2017, tem influências de Rock Progressivo, com grooves, psicodelia e peso. A banda apesar de ser antiga no cenário Underground, começou a lançar materiais próprios nos últimos anos, com os singles: A Mentira Bem Contada (2025), Ser o Que Não é (2025), Ponto de Vista (2025).
Com um repertório em português de músicas autorais a banda trouxe um groove progressivo e com peso, sendo um som único nesta edição do Otacílio Festival, acordando aos poucos o público para mais um dia de festival.
A formação atual da banda conta com: João Antônio Pereira (Guitarras/Vocais), Weskley “San” Rauff (Guitarras), Kauê Tavares (Baixo) e Luiz Paulo Gomes (Bateria).
A banda Barba Rala, fez um show misturando músicas Instrumentais e letras em português, começando o show pontualmente com a bela música Instrumental Cronofobia, seguindo com as músicas destaques: Master Of Primus, Melhor Assim, A Mentira Bem Contada, entre outras. Apesar de músicos novos, mostrou a qualidade técnica ao vivo, em destaque o baixo de Kauê Tavares, os vocais de João Antônio.
A banda Barba Rala, foi a surpresa do festival, mostrando que é possível fazer um som groovado, progressivo em português de alto nível.
Setlist
- Cronofobia (Instrumental)
- Master Of Primus
- Melhor Assim
- Transa
- A Mentira Bem Contada
- Ponto De Vista
- Diamante & Caviar
- Ser O Que Não É
- É Bom Ser Nois
- Show Vai Começar
Por: Sérgio Collin Jr.
Bomba no Porão | Punk Rock | SC
Como único representante do punk-rock, a Bomba no Porão entrou no palco, aparentemente, sem sentir esse peso. O quinteto de Rio Negrinho/SC parecia completamente confortável, e seu vocalista Fábio Farofa corria, pulava, e fazia uma dancinha divertidíssima com energia invejável. As guitarras muito bem sincronizadas equalizaram o peso, e a cozinha fez seu papel com maestria.
Falando em cozinha, o baterista se destaca por, além de manter o som pulsante, ainda consegue cantar com força e contribuir com as letras muito interessantes da banda. Entre as pancadarias sonoras do Bomba, destaque para: Eu Vou, Funcionário e Edgar Maluco, que disserta sobre uma figura folclórica de cidade de Rio Negrinho.
A pegada da banda já era contagiante, mas ficamos ainda mais impressionados ao saber do problema de saúde que o guitarrista passou dias antes da apresentação. A vida no Underground é isso, superamos todas as dificuldades e nos superamos pra estar no palco da forma que der.
Parabéns aos músicos pelo profissionalismo e pela história, que completa esse ano, um quarto de século. E como diz a própria banda em sua música Underground “E com os camaradas que estão sempre na luta, não vou baixar a cabeça pra nenhum filha da puta… O Underground é isso aí”.
Por: Gregor Holmes
Atlantis | Heavy Metal | SC
A banda Atlantis é uma dessas que eu tô de olho faz tempo, e olha que já perdi as contas de quantas vezes vi eles ao vivo. O que rola é que cada apresentação deles parece que reacende aquela chama pelo Metal, principalmente aquele peso oitentista que é a base de tudo que eles fazem. A trupe é de Jaraguá do Sul/SC, e eles têm essa pegada de quem cresceu ouvindo os gigantes, mas sem ficar preso no passado – bebe na fonte dos clássicos, mas mantém a cara pro futuro.
Na setlist, Lost in Time e Hotter Than a Burning Church já são presença garantida, mas dessa vez dividiram espaço com Power in Your Hands e com uma novidade: Worth Fighting For, single novo que ainda nem foi lançado. E falando sério, toda banda de heavy que se preze tem aquele som homônimo que se torna clássico – Angel Witch e Iron Maiden que o digam. Com o Atlantis não podia ser diferente, e a faixa que carrega o nome da banda foi a escolhida pra fechar mais um show memorável dos caras.
Por: Harley Caires
Midnight Rose | Glam Metal/Hard Rock | SC
Vindos diretamente dos anos 1980 (ao menos em espírito), a Midnight Rose trouxe ao palco do Otacílio, uma saraivada de Glam Metal do mais alto nível, entregando carisma e peso, sem deixar de retocar a maquiagem ou armar o cabelo.
Formada em Rio Negrinho/SC no cercano ano de 2023, a banda apresenta seu Glam bastante raiz, com influências de W.A.S.P, Cinderella e Mötley Crue, e ao mesmo tempo que toca covers dessa bandas, encontra tempo pra se expressar de forma autoral com suas próprias composições, que foram muito bem aceitas pelo público no evento.
Um dos grandes destaques do quarteto é, sem dúvida, seu vocalista Kelvinn Ortiz. Dono de uma voz potente e afinadíssima, Kelvinn é extremamente carismático, conversando com o público e brincando com o pessoal mais próximo ao palco. Carisma esse que atingiu seu ápice, quando ele invadiu o galpão do Otacílio com sua moto ligada, acelerando firme ao som de Girls, Girls, Girls, do Motley Crue, criando um dos momentos mais inesquecíveis do domingo de muito Rock e Metal.
Além de Kelvinn, os demais músicos demonstram muito preparo e tocam com uma garra incrível, destilando solos de guitarra, fraseados de baixo/backing vocals afinados e bumbos duplos a lá Motörhead com uma naturalidade de quem conhece do assunto. Ao final do show, ficamos com a impressão de que a banda que parecia ter a escalação mais polêmica do dia, representou tão bem, e demonstrou tanta garra e alegria, que se tornou um dos destaques dessa edição do Otacílio.
Por: Gregor Holmes
Sepulcro | Death Metal | SC
O som da banda é uma ode ao Death Metal “old school” dos anos 90, com influências claras de nomes como Sepultura, Death e Cannibal Corpse, mas que não teme flertar com ritmos mais modernos e dinâmicos.
Um momento curioso ocorreu quando o peso dos riffs foi contrastado por uma cena inusitada: bolhas de sabão produzidas pelo público começaram a flutuar em frente ao palco, enquanto a galera “bangueava” intensamente. Apesar desse contraste, a apresentação manteve a pegada bruta e pesada do Death Metal Old School.
E por falar em interações, em uma certa altura da setlist, a performance contou com a participação especial de Gregor Holmes, vocalista da banda Cujo (e redator d’O SubSolo), para dividir as vozes na música Cut, uma das faixas do álbum Cut, Rip, Chop, Break. O entrosamento entre os músicos no palco evidenciou a união da cena de Florianópolis e a maturidade que a Sepulcro vem adquirindo em suas apresentações ao vivo.
Como o festival ocorreu no final de semana de 8 de março, a banda fez questão de pausar a brutalidade sonora para uma homenagem necessária. Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, os integrantes falaram sobre a importância fundamental das mulheres na cena do Metal, celebrando o espaço que elas ocupam tanto no público quanto nos palcos e na organização de eventos.
Sepulcro demonstrou que, apesar de ser uma banda relativamente nova, fundada em 2022, possui uma identidade própria e uma presença de palco que honra a tradição do Metal Extremo ao mesmo tempo em que olha para o futuro.
Por: Sidney Oss Emer
Rise Behavior | Death Metal Melódico | SC
Continuando o Otacílio Festival, com mais uma atração, banda direto de Blumenau/SC, Rise Behavior.
A banda formada em 2019, como uma banda projeto do vocalista Ranieri Bertoldi e do guitarrista Alessandro Kotlinsky, trouxe ainda a formação com Juliano Scharf (Teclados), Eduardo Alves (Baixo) e Robson Pontes (Bateria).
Executando um Death Metal melódico de extrema competência e complexidade, riffs pesados e Metal moderno, sabendo a hora certa de um vocal gutural ou trechos de teclados surpreendentes.
A banda Rise Behavior, fez a divulgação do seu single A Path to Obliteration (2024), com letras com temas sociais e pessoais, a banda abriu o seu show com as músicas: Raging Seas e Prince of Mankind, com destaque para as músicas, Machinery of Chaos, Shining Blade e Ruins of the Soul.
A qualidade dos músicos, entrosamento sem dúvidas, vale a pena conferir os futuros trabalhos e shows da banda.
Setlist
- Intro
- Raging Seas
- Prince of Mankind
- Machinery of Chaos
- The Extinction
- Shining Blade
- Ruins of the Soul
- The End Has Begun
- Martyr – cover de Septicflesh
Por: Sérgio Collin Jr.
Trovoada de Soco | Tributo Black Sabbath | SC
A apresentação desta banda começou no ano passado, há exatos 365 dias. Na edição passada do Otacílio Rock Festival, a banda Trovoada de Soco (Tributo a Black Sabbath) constava no cast como a última banda a se apresentar no domingo, e encerrar o evento. Porém, devido a problemas técnicos com falta de energia, a banda não pode se apresentar. Ainda assim, a organização prometeu reservar seu lugar para o próximo ano. E como sabemos a palavra dos organizadores do Otacílio deve ser levada no fio do bigode. Um ano depois, estava lá, a banda Trovoada de Soco subindo no palco da 18ª edição do evento para finalmente apresentar o seu som.
Já de cara, o público que aguardava o início do show começa a ser atraído por uma guitarra nada característica (contém ironia) da introdução da música homônima do tributo: Black Sabbath dá início ao show arrancando nostalgia dos apreciadores da maior banda de Metal que já pisou neste planeta. O som segue emendando com N.I.B., onde a banda demonstra por que resolveu fazer tributo, ao executar impecavelmente as músicas.
Como se não fosse suficiente, após alguns clássicos, o vocalista Mateus Candia saca de uma gaita de boca e introduz The Wizard para a galera que acompanha cada movimento dos integrantes. E como toda boa banda fã, puxaram também um lado B do Sabbath ao tocar Wicked World.
A apresentação foi seguindo com clássicos como Paranoid e War Pigs. Eis que no meio do show, a banda para, e em um gesto inusitado, pede ao público para se juntar e tirar a clássica foto de fim de show (só que no meio do show). Após o retrato, em meio a agradecimentos, a banda cumprimentou os presentes e ao ver várias crianças e adolescentes presentes, incentivou a nova geração a dar continuidade à cena, indo nos eventos e montando novas bandas.
Após o encerramento enérgico e altamente acompanhado do público com Iron Man, a banda foi ovacionada com aplausos e um fugaz pedido de bis que só cessou ao se ouvir a intro de Symptom of the Universe, selando assim o seu show e honrando a merecida espera de um ano para tocar no Otacílio Rock Festival.
Por: Sidney Oss Emer
Balboa’s Punch | Tributo Slayer | SC
Se alguém ainda tem algum tipo de energia sobrando, é melhor se preparar. Pois a última banda a subir no palco não vai tocar um rockzinho de leve para relaxar. Aqui vem pedrada, e das brabas. Um tributo a uma das bandas integrantes do Big Four do Thrash Metal Mundial: Slayer.
A banda Balboa’s Punch, também veterana do cenário do Metal catarinense, tendo passado por algumas formações, e por muito tempo seguindo a linha do Thrash Metal, além de possuir músicas próprias, também tem uma apresentação dedicada a Slayer, com a qual se apresentou no Otacílio.
Nos trouxe a nata do Thrash, apresentando clássicos como Raining Blood, Angel of Death, Repentless, dentre outras. E embora não seja a mais aclamada pelo público, Bloodline é uma das canções preferidas deste que vos escreve, e considerando isso, somado ao fato que que nos encontrávamos nos últimos minutos da última apresentação, tomei a liberdade de largar o posto de redator, colar na grade e perder os últimos resquícios de voz que ainda me restavam, para apreciar a performance.
Então, se você achava que sairia ileso com um show “de boas” para encerrar o evento, lamento informar, mas amanhã o seu pescoço irá manifestar involuntariamente o resultado do que hoje foi a curtição da banda que entregou um show pesado, íntegro e voraz, encerrando assim, mais uma edição do Otacílio Rock Festival, que já nos deixa com vontade de nem desmontar a barraca e ficar aqui esperando até o ano que vem.
Por: Sidney Oss Emer
Análise Técnica
Estrutura: A área de camping, já tradicional no festival, deu conta do recado mais uma vez. O local se manteve funcional, com boa circulação. A limpeza dos banheiros e nos ambientes era constantemente mantida, com uma equipe circulando periodicamente entre os espaços.
Dentro do galpão, havia apenas uma grande lixeira central próxima ao bar e caixa, mas como a maioria dos headbangers é educada, isso não foi um problema. Poucas pessoas deixavam de ir até o local para depositar suas latas e copos, ajudando ainda mais a manter a limpeza. Dentro do galpão também foi possível encontrar diversos stands onde as bandas e lojas de discos e acessórios podiam vender seus produtos.
Como o local do parque é remoto, o sinal de telefone é praticamente inexistente, para uma boa experiência do público, é disponibilizado sinal wifi para o pessoal.
Som e Luz: Som sempre alto, definido e com peso. Os técnicos sempre atentos e em constante comunicação com os músicos para atender a necessidades específicas, e manter o espetáculo impecável. Com poucas exceções onde houve ressonâncias por excesso de grave em algumas apresentações, mas que foram rapidamente resolvidas devido ao profissionalismo que não é de hoje da equipe técnica.
Horários: Um dos pontos fortes da organização é o atendimento primordial ao cronograma que foi praticamente cirúrgico. O que é difícil, devido a tantas variáveis envolvidas, mas que o evento sempre conduz com maestria.
Cast: A curadoria mostrou o equilíbrio de sempre. Bandas veteranas dividindo espaço com nomes mais novos, criando um line up e conseguindo diversificar e transitar estilos como Thrash, Death, Doom, Hard Rock, Blues, Heavy Metal, Punk Rock entre outros.
Bar e Cozinha: Na parte gastronômica, o evento entregou variedade suficiente para segurar o público durante os dois dias. Desde o clássico X-Entrevero serrano até lanches rápidos e salgados, tudo dentro do padrão, com atendimento rápido e atencioso. Houve até relato de gente que disse que se sentiu “abraçada” por ser vegetariana e poder comer um pastel de palmito (sem carne), algo que não é em todo lugar que se encontra.
E uma variedade de bebidas como cerveja, refrigerante, energético, vodka, whisky, vinho e cuba. A presença da cervejaria OG MIL 88 foi um bônus, garantindo opções de chopp artesanal para quem queria algo além do básico.
Conclusão
Como sempre, encontramos outros velhos de guerra, organizadores de outros grandes nomes da cena, como o Bob do Bob Rock Festival, Marcos Valério do Iceberg Rock, Danniel Bala do Agosto Negro/Laguna, Ariel Frenzel (Filho do Adilson Frenzel) do saudoso River Rock, entre outros (peço perdão se esqueci de mencionar alguém).
Durante o evento, o mestre de cerimônias Denilson Padilha sempre dá os famosos recados paroquiais, agradecendo o pessoal, falando sobre o futuro e conversando com quem no fim das contas, são seus amigos.
E dentre esses recados, o anúncio de um novo evento que está nascendo, com camping, e nos mesmos moldes dos atuais, porém, na cidade de Gaspar/SC. Mais uma cidade na rota da cena Underground catarinense. A primeira edição do SC Winter Metal Fest organizada por Gustavo Martin e equipe acontecerá em 15/08/2026. Maiores informações podem ser encontradas na página oficial do evento.
Agora sim, com o encerramento do domingo, a 18ª edição do Otacílio Rock Festival celebra sua maioridade, e reforça aquilo que já vem sendo construído há 2 décadas: relevância. Não só para a cena Underground, mas também um local para lazer.
Muitas famílias foram vistas durante o evento. Pais com seus filhos pequenos, introduzindo aos jovens a cultura do metal. Muitos amigos se reencontrado, outros se conhecendo lá. Eu falo por experiência própria. Sempre comento que às vezes é preciso atravessar o estado para rever os confrades. Diria que a grande maioria dos meus amigos, eu fiz em eventos como o Otacílio, onde você tem espaço e tempo para beber, desconectar um pouco dessa nossa vida corrida, fazer amigos, rever os antigos e claro, curtir um som de alta qualidade.
Mais uma vez, saudamos e agradecemos aos organizadores Denilson Padilha, Elienai Souza e Nani Poluceno e equipe pelo compromisso anual de entregar um evento com esse nível de qualidade.
No fim, fica aquela cena clássica: galera desmontando acampamento, cara de cansaço misturada com satisfação e aquele vazio pós-festival que todo mundo já conhece. Missão cumprida. Até o ano que vem!
Confira o que rolou no sábado clicando aqui.












