Há muito tempo que esse evento dispensa apresentações, mas esse ano tem um toque especial, pois o Otacílio Rock Festival chegou à sua 18ª edição. Até brincamos que agora ele é maior de idade. São poucos os eventos que conseguem manter essa consistência, tanto em número de edições quanto frequência, sendo que, dentro de 19 anos, teve apenas um gap em 2021 em detrimento da pandemia da Covid-19.

Muitos, desde o primeiro assim como centenas de outros headbangers (milhares, se somar todos os anos), batendo sua carteirinha, vendo a história ser construída e ajudando a construí-la.

Todo ano temos a honrosa, mas difícil missão de falar desse evento sem soar repetitivo, pois elencar as qualidades de um evento que reúne público do Brasil inteiro, e até atrai pessoas de outros países, é chover no molhado.

Mas, como estamos falando do aniversário de “maioridade” do evento, cabe a um compilado como forma de relembrar esses 18 anos e também para apresentar o evento para aqueles que estão chegando agora e começando a escrever suas primeiras páginas no livro sagrado do Metal Underground.

O Otacílio Rock Festival, teve sua primeira edição no dia 31 de março de 2007, no Katedral Bar e Boate. A entrada era franca e contou com um cast de 6 bandas, dentre elas, cabe uma menção honrosa a Black Soul, cujo vocalista, Denilson Padilha, é um dos organizadores do evento, e Napalma dos Dentes, cujos membros Robson Anadon e Vini Porto também se conectam à história, com a participação na organização de outro grande evento na cidade vizinha Lages, o Orquídea Rock Festival, idealizado pela lendária banda Orquídea Negra.

No ano seguinte, a proposta já foi mais ousada, oferecendo um novo local para o evento, com bar e cozinha, um galpão enorme para as apresentações das, agora, 23 bandas do cast e área completa para camping. Nascia ali no Parque Cambará  uma parceria que, talvez, mal sabiam os organizadores que perduraria por 2 décadas.

A partir de então, todas as edições do evento foram no Parque Cambará, com o lineup girando em torno de 20 bandas, e que na terceira edição já contou com uma banda de grande renome nacional: Hibria.

A ideia dessa apresentação é relembrar um pouco da história, e mencionar os principais pontos da trajetória do evento. É impossível mencionar todas as pessoas e bandas que já passaram por aqui, mas como este que vos escreve é um pouco aficionado por números, fiz uma breve estimativa de que das mais de 350 apresentações ao longo das 18 edições, subiram ao palco mais de 300 bandas inéditas, totalizando mais de 20.000 minutos de puro Metal na orelha da galera.

Em 2014, na 8ª edição, foi o ano em que o evento trouxe a primeira banda internacional: Aggressive (Colômbia), demonstrando o que sempre falo aqui sobre “pé no chão” dos organizadores, ao aguardarem o tempo certo das coisas. Aqui deixo um comentário pessoal, não é uma crítica, mas infelizmente já vi muitos eventos na 2ª ou 3ª edição trazendo bandas gigantes tendo que encerrar as atividades devido à falta de planejamento.

Continuando nossa saga, outro marco temporal foi em 2016 em que aconteceu a primeira edição open air do evento, em comemoração à sua 10ª edição, e em 2019 outra grande atração internacional, Whiplash (EUA), e também a única edição com 3 dias de evento (sexta, sábado e domingo).

E agora, em 2026, o Otacílio trouxe 20 bandas (sempre bom ressaltar que é um lineup escolhido a dedo, com bandas de alto calibre), para comemorar sua maioridade na sua 18ª edição. E após um trabalho de garimpo internet afora, fizemos um compilado com os cartazes de todas as edições, confira:

Bom, já deu de desbloquear memórias, e apresentar o evento para quem está chegando agora. Só antes, finalizando a apresentação do evento, gostaria de registrar (novamente) em nome d’O Subsolo, dos headbangers, das bandas e de todo mundo que faz parte da cena, um sincero agradecimento e uma saudação aos organizadores Denilson Padilha, Elienai Sousa e Nani Poluceno (e a todos os direta e indiretamente envolvidos com a organização), pela resiliência nesses 19 anos proporcionando entretenimento em um evento de altíssima qualidade.

Agora sim, sem mais delongas, vamos falar sobre o que aconteceu nesses 2 dias de acampamento, churrascos, bebida, e claro, muito Metal!

 

Black Soul | Heavy Thrash Metal | SC

Com a tradicional pontualidade que caracteriza o evento, exatamente às 14h, o festival tem seu início com a apresentação da Black Soul, grupo que retorna aos palcos após um longo período de 16 anos sem se apresentar. Originalmente, a banda Helter faria a abertura, mas devido a contratempos pessoais de última hora, precisou cancelar sua participação. Para não prejudicar o público que já estava presente, a produção do evento conseguiu trazer de volta a Black Soul para esta apresentação especial.

A banda tem nos vocais Denilson, que também é um dos idealizadores do festival, e ele fez questão de anunciar no início do show que estavam há 16 anos sem subir num palco e que, por já não se lembrarem mais das músicas autorais, a apresentação seria baseada em covers. Numa dessas incríveis coincidências do destino, o guitarrista Guilherme, que atualmente mora fora do país, está de passagem pelo Brasil, criando o cenário perfeito para o retorno da banda, um retorno que se mostrou extremamente prazeroso de se assistir.

Com toda aquela energia característica de velhos amigos que se reúnem pelo simples prazer de tocar, a banda foi desfilando grandes clássicos do heavy Metal, como músicas do Black Sabbath e Metallica. Mas foi quando resolveram explorar suas raízes mais thrasheiras que a apresentação ganhou uma temperatura ainda mais alta: um cover muito bem executado de Orgamastron, seguido por Iron Fist (você certamente sabe de quem são essas canções).

A era de ouro do Metallica, quando a banda ainda era essencialmente Thrash Metal, também foi lembrada com as poderosas For Whom the Bell Tolls e Creeping Death. Num determinado momento, Denilson anuncia que irão tocar uma música que não era apresentada ao vivo há mais de duas décadas. Foi então que veio Inner Self, do Sepultura. E é preciso dizer: já vi diversas bandas que mantêm uma rotina muito mais constante de ensaios errando feio em propostas muito mais simples, o que definitivamente não aconteceu neste caso.

A Black Soul conseguiu provocar os primeiros circle pits e até mesmo um wall of death, tudo isso enquanto o público que começava a chegar ao festival era recebido da melhor (e mais caótica) forma possível: com direito a banho de cerveja no meio da roda.

Aquela sensação indescritível de felicidade por estar em cima de um palco é algo que apenas quem vive de banda consegue verdadeiramente compreender. Não sei dizer se esta apresentação será um evento único ou se representa um verdadeiro encerramento de ciclo para a banda neste festival, mas o que fica é a certeza de que a impressão deixada foi extremamente positiva. No fim, o que realmente importa é que, mesmo após mais de 15 anos, a energia e a entrega permanecem intactas.

Por: Harley Caires

 

Darma | Blues | SC

A banda Darma iniciou o show no Otacílio Rock Fest por volta das 15h de sábado. Logo de início, o grupo já demonstrava um estilo bastante marcante, trazendo uma estética de vestimenta muito característica dos anos 70. Nos primeiros minutos de apresentação, já era possível perceber o quanto os músicos presentes eram técnicos na regulagem de seus instrumentos, não deixando escapar nenhuma nota desafinada nem permitindo que qualquer um dos três instrumentos se perdesse na sonoridade geral.

Vale ressaltar que o guitarrista utilizava slide de Metal para complementar suas técnicas na guitarra em algumas músicas. Eu, como apreciadora de Metal extremo, mas também grande fã de Country e Blues dos anos 70, consegui perceber influências de bandas como Cactus, Mountain e do importantíssimo Jimi Hendrix.

Essas referências foram combinadas com um vocal limpo, cheio de técnica, além dos backing vocals do baixista, que também assumia os vocais em certos momentos do espetáculo. O público reagia com entusiasmo, e era possível ver muitas pessoas bastante animadas com o estilo apresentado, algo que realmente não é fácil de encontrar atualmente.

Durante a apresentação, eles tocaram um clássico chamado House of the Rising Sun, uma música que praticamente todo mundo já ouviu ao menos uma vez. A escolha da faixa criou uma forte conexão com o público

Estamos saturados de mesmices, e essa banda resgata uma identidade que, para muitos, já morreu. No entanto, grande parte da música que ouvimos hoje passou, em algum momento, por essa forte influência setentista. A banda é muito interessante, e eu certamente gostaria de vê-los tocar mais vezes por aí.

Por Rubia Domeciano

 

Treze Black | Metalcore/Nu Metal | RS

Décadas após a ascensão e queda do famigerado Nu Metal, hoje vivemos um revival do estilo, que se reinventa ao se misturar com funk brasileiro (Metal Mandrake), por exemplo, ou com Metal Core, que é o caso da Treze Black.

Fazendo seu som totalmente em português, a Treze Black se apoia em uma cozinha extremamente coesa, formada por Bruno Chaves (baixo e vocais) e Felipe Krauser (Bateria), para que a complexidade de suas letras cantadas (e berradas) por Diandro Dymme e guitarras tocadas com excelência por Gabriel Leão, possa completar a receita que é, ao mesmo tempo clássica e própria.

Ao iniciar sua apresentação com Homicídio Solar e Sentidos, ambas do EP Quimera (2020) a Treze já entrou rasgando, mostrando que não está pra brincadeira, e que veio pela primeira vez a Santa Catarina pra fazer história.

Além de ser uma banda muito bem ensaiada e profissional, a Treze Black possui uma força incrível no palco, e demonstra uma agressividade com Bruno Chaves espancando o baixo a cada oportunidade, ou na distorção gorda de guitarra de Gabriel Leão. Destaque para o breakdown insano de Submerso.

A banda finaliza a apresentação com a paulada Antivirus em que o vocal brilha em uma mistura de técnicas de vocal extremas, em especial no incrível breakdown gritando “Sai da porra da minha cabeça!”. Sensacional!

A Treze se despede, deixando as portas mais do que abertas para futuras apresentações em nosso estado. Que não demorem a voltar!

Por: Gregor Holmes

 

Dead Jungle Sledge | Metal Alternativo | SC

Dead Jungle Sledge, como não ficar empolgada para ver essa banda tocando nos palcos do Otacílio Rock Fest? É um grupo que conheço há anos, formado em São Joaquim – SC, minha terra natal!

Eles iniciaram o show por volta das 17h20, abrindo com a música Irrational Beings. Já nos primeiros segundos, é possível perceber o peso das duas guitarras de 7 cordas, trazendo uma afinação extremamente grave. Os integrantes se apresentaram com um novo baterista, que já vem tocando com eles há alguns shows e demonstra uma técnica impecável.

O baixo apresentou um timbre bem diferenciado, chamando bastante atenção e complementando a densidade das guitarras. Era possível notar o público bastante animado ao assistir a banda, que traz influências do Metal moderno, mas mantém riffs clássicos do Death Metal, incluindo passagens marcadas por “gallops”.

No momento em que tocaram a faixa The Parasite,  deixei de lado meu papel de resenhista e fui “bangear” junto com o público. Em certo ponto, houve um problema técnico com o equipamento, mas isso não desanimou ninguém o público permaneceu aguardando enquanto o som era ajustado, demonstrando a ótima recepção que a banda teve.

É muito interessante ver grupos como o Dead Jungle Sledge, que possuem uma identidade própria, ocupando palcos como o do Otacílio Rock Fest. Durante a apresentação, também houve uma homenagem emocionante ao Vinícius (ex-baterista), que infelizmente faleceu. Esse foi um momento marcante na trajetória da banda, que certamente ainda tem um longo caminho de sucesso pela frente.

A banda também lançou alguns materiais recentemente que estão disponíveis nas plataformas de streaming para ouvi-los, lembrando que a banda também carrega consigo uma causa social, pois trabalham bastante temas sobre meio ambiente, poluição, desmatamento.

Por: Rubia Domeciano

Deadnation | Death Metal | SC

Pelas 18:30, subiu ao palco a banda da cidade de Tubarão,  SC: Deadnation.

Formada em 2016, com influências  do Death Metal aborda letras de histórias  de terror, temas sombrios e filmes de terror. A formação da banda atual com: Willian Bernardo (Vocais), Rafael Spilere ( Guitarras), Franco de Castilhos (Baixo) e Gustavo Oliveira (Bateria), fez um apanhado da sua carreira formada pelos singles Redrum (2017), Braindead (2020), Blood Spill (2022) e músicas  do seu último  álbum intitulado Following The Pain (2023).

O show começou com a música Sade’s Eyes, passando por músicas  como: Redrum, Blood Spiil, Killing for Hell, Braindead, entre outras, mostrando uma banda entrosada no palco com um Death Metal clássico e imponente. A presença de palco dos músicos é algo que chama o público e prende a atenção para  acompanhar uma apresentação que vai além de apenas executar músicas, mas sim, uma interação direta com cada um que está à frente do palco.

Set List

  • Sade’s Eyes
  • Sick and sordid Mind
  • Redrum
  • Blood Spill
  • Returning from Hell
  • Burned Alive
  • Killing for Hell
  • Pierced by Nails
  • Braindead
  • Dismember (BIS)

 Por: Sérgio Collin Jr.

 

Nightrider | Heavy Speed Metal | SC

A Nightrider inicia sua apresentação com uma sinistra introdução no VS, e logo embala em uma pancadaria desenfreada, tocando rápido e com a precisão que o estilo exige, para a alegria dos presentes na quente noite de março.

Formada em 2025, na cidade de Joinville, o trio apresenta um Speed Metal com influências de Exiter, Anvil e Venom, e toca seu Metal oitentista com precisão impressionante. Destaque em especial para o guitarrista/vocalista Marcelo Fagundes, que executa suas partes com excelência, tanto nas bases, quanto em seus solos bastante criativos, caprichando nos bends altos e afinados.

Um momento bastante marcante da apresentação, foi o momento em que o baixista Roger Ceconello comenta sobre o falecimento de seu pai, sua relação com a religião e chama a música do single recém lançado Where Is You God Now. Com certeza uma das melhores da banda até o momento.

Outros destaques musicais da banda, Pire of Evil e Interceptor V8, essa última, “só pra quem viu o primeiro Mad Max”.

Ao final do show, ficamos com a sensação de que mesmo um estilo que já possui representantes tão icônicos como o Power Metal, pode e deve ser reinventado, pois a Nightrider não é sobre magia e dragões, mas sobre Heavy Metal em sua essência. Grande show!

Por: Gregor Holmes

 

Ode Insone | Doom Metal | PB

O frio do crepúsculo e a escuridão que tomava conta do ambiente anunciavam a chegada da primeira headliner da noite: a Ode Insone. Confesso que a expectativa pra esse show era grande, não só porque o Doom Metal é um dos meus gêneros preferidos, mas também por conta de Sem Despedida, música que eles compuseram em memória das vítimas da Covid e que carrega uma carga emocional fortíssima.Ver esse som ao vivo era algo que eu queria desde que ouvi pela primeira vez. E pra minha sorte, a entrega foi hipnótica.

Mesmo sendo a estreia da banda no Sul e com a formação reduzida a quinteto (a Priscila Hawana não pôde vir porque virou mamãe recentemente), o grupo conseguiu construir uma setlist redonda, passeando muito bem pela discografia.

Sem Despedida ao vivo é ainda mais pesada e tocante, assim como Do Silêncio a Poesia e as investidas mais góticas do EP Dracula, com destaque pra faixa-título e Vampiria. Pra fechar, eles buscaram no começo da carreira Plumeria Rubra e Valsa dos Infelizes, essa última deixando um gosto de “quero mais”, aquela sensação boa de estar completamente imerso na melancolia da banda, mas ao mesmo tempo feliz por ter vivido aquele momento. Que não seja a última vez.

Por: Harley Caires

 

Pusfecal | Grind Death Metal | CH

A banda Pusfecal inicia seu show por volta das 22:00 nos palcos do Otacílio Rock Festival. O público aparentava já estar aguardando a banda antes de começar o show, por conta de ser uma atração vinda diretamente do Chile. Os mesmos começam o massacre com a faixa de nome Paga Por Tu Muerte. A banda carrega uma clara influência do Goregrind clássico, fundida com grandes camadas do Death Metal.

A identidade sonora da banda é aquela clássica receita do extremo: curto e violento, rápido e agressivo. A empolgação e presença de palco dos músicos eram nítidas. A banda conta com dois guitarristas, porém um deles não pôde comparecer. Mesmo com integrantes reduzidos, a banda se mostrou com grande habilidade técnica, porém trazendo a essência “suja” do Goregrind.

Durante o show, foram incontáveis mosh pits que o público formou, comprovando assim a grande aceitação da banda no evento. Em certo momento, um homem que estava na plateia subiu no palco, abraçou um dos integrantes da banda e fez um stage diving. As letras das músicas deixam clara a mistura de gore com crítica social, evidenciando que se trata de uma banda posicionada!

Essa vertente do Metal possui um som bem específico, agradando os que realmente curtem a sonoridade, porém a banda não deixou ninguém parado!

Fico feliz em ver bandas de qualidade como a Pusfecal tocando aqui em nosso país. Pretendemos vê-los em breve. Vida longa!!!

A banda também possui bastante material no YouTube,  inclusive clipe.  Vale a pena verificar.

Por: Rubia Domeciano

 

Doomsday Ceremony | Brutal Heavy | PR

Doomsday Ceremony, sem sombra de dúvida, é um dos pilares do Metal paranaense ao lado de nomes como Sad Theory, Infernal, Axecutter (só para citar alguns). O fato de eles declararem seu som como um brutal heavy Metal faz sentido quando você ouve a sonoridade deles, que vai do Black ao Death Metal com passagens altamente inspiradas em duelos de guitarras do Metal tradicional.

A banda tem mais de duas décadas, porém se apresenta pouco devido às mudanças de formação e fatalidades que acompanharam a banda com a morte de músicos, o que os levou a quase encerrar suas atividades. Pois bem: adversidades vencidas, eles vieram e tomaram os palcos do Ota 2025.

Um set que eu achei um pouco curto – e não acho nenhum exagero dizer que eles são headliners também do festival – isso devido às canções que já são indispensáveis na sua discografia: I Am, Rotten World, I Have No Soul e Vampire Saga (com o seu refrão cantado por todos que acompanham a banda e até mesmo por quem estava ouvindo pela primeira vez, devido à qualidade da mesma). Poisoned by Nothingness vem como um som dessa nova fase, e gostei muito dela, mostrando o equilíbrio entre as passagens da banda. E só para não perder o rótulo de fã chato: eu queria Hellfire Temple. Na verdade, eu quero ver a banda mais vezes, que Satanás nos permita isso.

Por: Harley Caires

 

Ereboros | Blackened Death Metal | RJ

Finalmente  umas das bandas mais aguardadas do Otacílio Festival, Ereboros.

A banda formada no Rio de Janeiro (RJ), em 2022, trouxe influências do Death Metal e Black Metal, abordando temas como filosofia, ocultismo e críticas à sociedade. A formação  da banda conta com músicos já  conhecidos, pelos seus trabalhos anteriores, com as bandas Forceps, LAC e Tellus Terror, contando com: Thiago Barbosa (Vocais/Guitarras), Victor Mendonça (Bateria), Juan Carlos (Guitarras) e Rodolfo Ferreira (Baixo).

A banda trouxe músicas  do seu mais recente EP Ereboros (2023),começou o seu show com a música  Corruptio Signum e Dubium Sapientia Est, mostrando o porquê que com o passar dos anos a banda vem se tornando relevantes na cena underground brasileira, o que fez em 2025, fazer a banda traçar voos maiores, tocando na Europa, em 8 países  e fazendo 19 shows.

O show no Otacílio Festival, seguiu com destaques para as músicas: Salute to Disorder, Blasphemous Era e a música  que leva o nome da banda, Ereboros.

No geral o  show foi bem equilibrado, com uma ótima presença  de palco dos músicos e sem surpresas negativas.

Setlist

  • Corruptio Signum
  • Dubium Sapientia Est
  • Path of Solomon
  • Salute to Disorder
  • Blasphemous Era
  • Progenies of the Unseen
  • In the depths of Misery
  • Ereboros

 Por: Sérgio Collin Jr.

 

Lacrimae Tenebris | Doom Metal | PR

A banda Lacrimae Tenebris sobe no palco do Otacílio Rock Fest por volta das 1:30. Eu já estava em frente ao palco aguardando. Alguns minutos após a banda subir ao palco, uma nuvem de fumaça se forma no meio dos músicos, que iniciam o show com uma intro e, após, levamos uma overdose de imensidão, que é a música de nome A Casa dos Espelhos, onde consegui sentir a densidade da banda, que para mim foi uma das pérolas do festival.

Os músicos carregavam em suas vestimentas uma temática vinda da influência do Black Metal. Vale citar que o vocalista utilizava algo como uma saia longa/vestido, o que entregava um ar macabro para a estética sombria da banda. A sonoridade, nos primeiros segundos, já se mostrava aterradora (no bom sentido), com afinação aparentemente bem baixa, riffs de atmosfera lenta e densa, mas com muita capacidade de trazer o clima fúnebre, que não foi visto em nenhuma outra banda do show. As regulagens estavam se encaixando perfeitamente, com o baixo alinhado à guitarra e à bateria. Tudo era audível e agradável de ouvir em todas as sonoridades.

Em certo momento do show, a banda toca um cover da conhecida banda Paradise Lost, de nome Darker Thoughts, som o qual eu pude ver uma galera curtindo.

Passados alguns minutos de show, eu pude ouvir alguém gritando, que parecia ser amigo da banda, pedindo para parar de tocar música triste. O show foi sombrio, gélido e totalmente autêntico.

Fiquei muito feliz em conhecer a banda e ouvir essa influência do Doom misturada com uma fusão do Black Metal, sendo impossível não gostar da sonoridade!

A banda já possui alguns anos de estrada, com alguns materiais no YouTube. Para quem não conhece ainda, vale a pena ouvir.

Por: Rubia Domeciano

 

Gottverlassen | Death Metal Old School | PR

A última vez que encontrei o vocalista Junior Alvir em um evento, foi há 12 anos, na 8ª edição do Otacílio. A Gottverlassen não estava no cast, mas ele me apresentou a banda, que na época, já se encaminhava para os seus 10 anos, tendo sido formada em 2005.

Hoje, com mais de 20 anos de estrada, sobem ao palco para encerrar o primeiro dia de som do Otacílio Rock Festival.

Para combinar com o cair da madrugada de sábado, sempre apresenta uma banda pronta para sugar as últimas energias dos que ainda estão vivos, a banda apresentou faixas como Urban Chaos, Nuclear War, Blind Believer, Wtf, Abomination, entre outras, entregando um som de peso, seco e agressivo, alinhado com o que a própria banda denomina como “um som cru e sem firulas” no quase amanhecer de domingo, encerrando assim o primeiro dia de fest.

Por: Sidney Oss Emer

 

Conclusão

Saldo positivo para o primeiro dia: cronograma respeitado, bandas entregando o que se espera, técnica, peso e presença de palco, e um público que se manteve firme até os últimos acordes da madrugada. O pavilhão do Parque Cambará novamente serviu como epicentro dessa movimentação, enquanto a área de camping abrigava os “sobreviventes” do dia, já se preparando para a próxima rodada.

E, como de costume, fica aquela sensação clássica: o domingo vem aí, e ele não costuma aliviar, nem para a organização, nem para quem encara o festival até o fim.

Confira os detalhes do segundo dia de fest clicando aqui.

Fotógrafo, redator, acordeonista, tecladista, churrasqueiro, marqueteiro e especialista em cybersegurança. Não limitado a um subgênero do metal, tem como preferências: folk metal, doom, sinfônico, death, black metal e heavy metal. Gaúcho de coração, valoriza a cultura tradicionalista gaudéria, a qual inspira suas composições. Interesses globais: Música, ciência, tecnologia, história, carteado e pão de alho.