Com apenas 17 anos, Melissa Menegotto já carrega uma trajetória que impressiona pela maturidade e pela intensidade com que vive a música. Natural de Santa Catarina, a guitarrista, violonista de sete cordas, compositora, professora de música e criadora de conteúdo iniciou sua relação com os instrumentos ainda na infância e, desde então, transformou dedicação e disciplina em marcas registradas de sua carreira. Dona de uma técnica refinada e de uma musicalidade que transita entre diferentes influências, Melissa vem conquistando espaço na cena da guitarra brasileira, acumulando experiências que muitos músicos levam décadas para alcançar.
Seu talento já a levou a dividir o palco com nomes de peso da música nacional, como Kiko Loureiro, Bruno Valverde e Felipe Andreoli, além de receber reconhecimento internacional como artista da PRS Guitars. Em um cenário historicamente dominado por homens, Melissa representa uma nova geração de instrumentistas que vem quebrando barreiras através do estudo, da personalidade e da paixão pela música. Paralelamente às apresentações, também se dedica ao ensino e à produção de conteúdo, compartilhando conhecimento, experiências e os bastidores da vida artística. Mais do que uma jovem promessa, Melissa Menegotto se consolida como um dos nomes mais inspiradores de sua geração, mostrando que talento e perseverança podem abrir caminhos que ultrapassam fronteiras.
Acompanhe a guitarrista pelo seu site:
https://www.melissamenegotto.com.br/
Tivemos o prazer de conversar com essa grande artista, em uma entrevista com muito conteúdo e que traz uma simplicidade de quem um dia vai ser gigante na música. Confira agora a entrevista com a Melissa na íntegra:
O SubSolo: Você começou sua trajetória musical muito cedo e cresceu em uma região conhecida pela cultura do surf. Em algum momento imaginou seguir esse caminho ou a música sempre falou mais alto? O que fez a guitarra vencer essa disputa?
Melissa: Eu gosto de praia, mas não consigo ficar tanto tempo dentro da água. Acho bonito, gosto da paisagem, do som do mar e da sensação de estar perto da natureza, mas nunca fui aquela pessoa que passa horas nadando ou praticando esportes. Também não sinto aquela adrenalina que muitas pessoas encontram nesses momentos.
Eu encontro essa adrenalina no palco. É durante um show, com a guitarra nas mãos. Existe uma energia difícil de explicar: a expectativa antes de entrar, o frio na barriga nos primeiros segundos, onde eu sinto aquela mistura de emoção, nervosismo e entusiasmo que me faz querer voltar e viver tudo de novo e a reação do público.
A praia é um lugar que eu gosto de visitar, mas é no palco que eu realmente sinto a adrenalina correr.
O SubSolo: Aos 17 anos, você já construiu uma carreira que muitos músicos levam décadas para alcançar. Como você lida com a responsabilidade e a pressão de ser vista como uma das jovens promessas da guitarra brasileira?
Melissa: Eu funciono bem sob pressão, e isso acaba sendo algo positivo para mim (risos). Quando surgem desafios, compromissos importantes ou situações que exigem mais responsabilidade, eu consigo manter o foco e fazer o que precisa ser feito. Acho que essa característica me ajudou bastante ao longo da minha trajetória.
Também tenho bastante apoio das pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença. Ter pessoas que acreditam no meu trabalho e incentivam meus objetivos me dá mais confiança para continuar seguindo em frente e buscando novos desafios.
Além disso, eu realmente gosto de estar no meio da música. É um ambiente do qual gosto de fazer parte, seja estudando, tocando, conhecendo outros músicos ou vivendo novas experiências. Hoje eu dedico minha vida 100% à guitarra. Grande parte da minha rotina é voltada para estudar, praticar, me apresentar e evoluir como musicista. É uma dedicação constante, mas é algo que faço porque realmente amo e porque não me imagino fazendo outra coisa.

O SubSolo: Kiko Loureiro é uma das maiores referências da guitarra mundial e também uma das suas maiores inspirações. Como foi receber o convite para participar do último show da turnê Theory of Mind? Você lembra da sua reação naquele momento?
Melissa: Eu fiquei muito feliz! A reação naquele momento foi parecida com a de receber um presente surpresa. Foi algo que eu não estava esperando e que me pegou completamente de surpresa, da melhor forma possível. Na hora, veio aquela mistura de alegria, empolgação e até um pouco de incredulidade, como quando você recebe algo que sempre quis, mas não imaginava que aconteceria naquele momento.
Ao mesmo tempo, eu também fiquei nervosa, porque sabia que precisava dar tudo certo. Quando uma oportunidade importante aparece, junto com a felicidade vem aquela responsabilidade de querer aproveitar o momento da melhor forma possível. Então foi uma mistura de emoções: muita alegria por estar vivendo aquilo e um certo nervosismo por querer corresponder às expectativas e fazer tudo da melhor maneira.
Acho que os momentos mais marcantes costumam ser assim, quando acontecem de forma inesperada. Foi uma felicidade muito genuína, difícil de esconder. É uma daquelas lembranças que ficam guardadas porque representam não só a conquista em si, mas também toda a emoção que veio junto com ela. Eu realmente fiquei muito feliz.
O SubSolo: Dividir o palco com o Kiko Loureiro em um show tão simbólico, marcando o encerramento de uma turnê, certamente tem um peso especial. O que essa participação representa para a Melissa artista e para a Melissa fã?
Melissa: O lado Melissa fã é muito parecido com estar ao lado de um amigo que você admira muito, fazendo algo que os dois gostam. Eu conheci o Kiko quando tinha 10 anos de idade, então ele acompanhou grande parte da minha trajetória e me viu crescer como pessoa e como musicista. Desde aquela época, eu aprendo com ele de diferentes formas, seja através dos ensinamentos diretos, das conversas ou simplesmente observando sua forma de encarar a música e a carreira.
Por isso, quando estamos juntos tocando ou compartilhando algum momento, existe essa admiração que continua presente. É uma sensação muito natural, porque além de ser uma grande referência para mim, ele faz parte da minha história como guitarrista desde muito cedo.
Já pelo lado artístico, o significado também é muito grande. Receber o reconhecimento de alguém como o Kiko tem um peso especial, porque ele é uma referência mundial da guitarra e da música. É uma pessoa que conquistou respeito internacional através do seu trabalho, então saber que ele acompanha minha evolução, valoriza o que faço e acredita no meu potencial é algo que tem muito significado para mim. É um reconhecimento que traz motivação e mostra que estou no caminho certo, vindo de alguém que sempre foi uma das minhas inspirações e de outros guitarristas.
O SubSolo: Ao longo dos últimos anos você também teve a oportunidade de tocar ao lado de nomes como Bruno Valverde e Felipe Andreoli. O que esses encontros ensinaram sobre profissionalismo, música e carreira?
Melissa: Eu pude ver de perto como eles são profissionais extremamente criteriosos, cada um no seu instrumento. É algo que me lembra muito o trabalho de um médico cirurgião: existe uma atenção enorme aos mínimos detalhes e uma preocupação constante em fazer tudo da melhor forma possível. Nada é feito de qualquer jeito ou deixado para a sorte.
Uma coisa que me chamou bastante atenção foi a importância que eles dão ao aquecimento antes dos shows. Todos levam isso muito a sério. No cronograma do dia já existe um horário reservado especificamente para essa preparação, e não é algo colocado ali apenas para preencher a agenda. É uma parte do trabalho que eles consideram essencial para chegar ao palco com o melhor desempenho possível.
Ver isso de perto foi muito interessante, porque mostra que existe muita disciplina e preparação por trás de cada apresentação. O público vê o resultado final no palco, mas existe todo um processo antes para garantir que tudo aconteça da melhor maneira.
Ao mesmo tempo, apesar de toda essa seriedade e profissionalismo, eles são pessoas muito engraçadas e bem-humoradas. Mesmo em dias corridos, com viagens, compromissos e cansaço, o clima costuma ser leve e descontraído, da parte dos músicos e de toda a equipe. Achei muito legal ver esse equilíbrio entre a dedicação ao trabalho e a capacidade de manter o bom humor, porque uma coisa não exclui a outra.
O SubSolo: O cenário da guitarra, especialmente dentro do rock e do heavy metal, historicamente foi dominado por homens. Você sente que a nova geração está mudando essa realidade? Como enxerga o espaço das mulheres instrumentistas atualmente?
Melissa: Sim, está mudando a realidade. Hoje existe mais espaço do que existia há alguns anos, mesmo que ainda não haja o mesmo reconhecimento que muitas vezes é dado a um menino. Ainda existem diferenças, mas acredito que a situação vem melhorando cada vez mais.
O que faz a diferença é quando músicos e profissionais já consolidados ajudam a abrir essas portas. Quando nomes como Kiko Loureiro, Bruno Valverde e Felipe Andreoli dão oportunidades, incentivam e mostram que esse espaço também pertence às meninas, o impacto é muito grande. Isso não ajuda apenas uma pessoa, mas acaba servindo de referência para muitas outras que estão começando.
A mudança não acontece de uma hora para outra, mas ela começa justamente nesses exemplos. Quando artistas tão respeitados valorizam o trabalho de meninas instrumentistas e ajudam a dar visibilidade para elas, a realidade começa a mudar de forma concreta. Aos poucos, mais meninas passam a se enxergar nesse meio e a acreditar que também podem ocupar esse espaço através do seu trabalho e da sua dedicação.
O SubSolo: Além da sua técnica na guitarra, muitos fãs têm elogiado suas interpretações vocais em músicas de metal. Existe o desejo de explorar mais esse lado como cantora em futuros projetos?
Melissa: Sim, gosto de cantar gutural e é algo que faz parte dos meus interesses dentro da música. Sempre achei interessante a técnica, a expressão e a energia que esse tipo de vocal pode transmitir, especialmente dentro dos estilos que eu gosto de ouvir e tocar.
Além do gutural, atualmente também estou estudando o canto melódico. Tenho buscado desenvolver essa outra abordagem para ampliar minhas possibilidades musicais e entender melhor diferentes formas de usar a voz. É um processo de aprendizado que exige prática e dedicação, mas estou gostando bastante de explorar esse lado também.
Acho interessante poder transitar entre estilos e técnicas diferentes, porque cada um deles traz desafios e características próprias. No momento, estou focada em continuar evoluindo tanto no gutural quanto no melódico
O SubSolo: Você é artista da PRS Guitars e possui reconhecimento internacional ainda muito jovem. Em que momento percebeu que seu trabalho estava ultrapassando as fronteiras do Brasil e alcançando músicos de outros países?
Melissa: Quando a Diretora de Relações com Artistas e Comunidade começou a me seguir. Na hora, fiquei bastante surpresa e feliz, porque ela é uma figura muito importante dentro do mercado musical e alguém que acompanha de perto o trabalho de muitos artistas.
Ela é a principal responsável por gerenciar parcerias e conexões com artistas consagrados da marca, então saber que meu trabalho chegou até ela teve um significado muito grande. Mais do que um simples follow, para mim foi um sinal de que o que venho construindo está sendo visto pelas pessoas certas.
Foi um daqueles momentos que trazem uma motivação extra para continuar trabalhando e evoluindo. Quando alguém com tanta experiência e relevância dentro da indústria musical demonstra interesse pelo seu trabalho, você percebe que todo o tempo dedicado aos estudos, aos shows e à construção da carreira está valendo a pena.
Além da felicidade, também senti uma grande responsabilidade, porque esse tipo de reconhecimento faz você querer continuar entregando o seu melhor. Foi uma conquista que me marcou bastante e que guardo com muito carinho.
O SubSolo: Como professora e criadora de conteúdo, você conversa diariamente com jovens que sonham em viver da música. Qual é o conselho que costuma dar para quem admira sua trajetória e quer seguir um caminho parecido?
Melissa: Estude e se dedique muito. Acho que não existe atalho quando falamos de música. A evolução vem com prática, consistência e muitas horas de dedicação, mesmo nos dias em que a motivação não está tão alta. Quanto mais você investe no seu desenvolvimento, mais preparado fica para aproveitar as oportunidades quando elas aparecem.
No meu caso, uma coisa que eu não tenho é plano B (risos). Eu sempre fui muito focada na guitarra e decidi dedicar minha vida a isso. Então, de certa forma, eu brinco que, se não der certo como guitarrista, eu moro na rua. É uma brincadeira, claro, mas ela mostra o quanto estou comprometida com esse caminho.
Essa responsabilidade acaba funcionando como uma boa pressão para mim. Em vez de me desanimar, ela me motiva a estudar mais, buscar evolução constante e levar cada oportunidade a sério. Quando você realmente acredita no que está fazendo, a dedicação deixa de ser um sacrifício e passa a fazer parte da rotina.
Por isso, meu conselho é simples: estude, pratique e seja persistente. Os resultados nem sempre aparecem rapidamente, mas o trabalho consistente ao longo do tempo faz muita diferença. Muitas vezes, o que separa quem alcança seus objetivos de quem desiste é justamente a capacidade de continuar se dedicando mesmo quando o caminho não é fácil.
O SubSolo: Depois de tantos marcos importantes antes mesmo dos 18 anos, incluindo o convite para participar do encerramento da turnê de Kiko Loureiro, quais são os próximos sonhos que Melissa Menegotto ainda quer transformar em realidade?
Melissa: São tantos que fica até difícil escolher um só! Tenho muita vontade de viver experiências diferentes dentro da música, tocar com outras pessoas, conhecer novas bandas e aprender com músicos de estilos variados.
Também quero conhecer novos lugares através da música. Acho muito legal como a guitarra pode abrir portas e conectar pessoas de realidades diferentes. Poder viajar, tocar em cidades e países diferentes, subir em palcos novos e compartilhar a música com públicos variados é algo que me anima muito.
Além disso, tenho curiosidade de trabalhar com artistas que admiro e aprender com músicos que têm experiências e trajetórias diferentes da minha. Estar cercada de pessoas que vivem a música de forma séria e apaixonada sempre traz aprendizado e inspiração.
No fim, acho que o mais importante é continuar aproveitando tudo o que a música pode proporcionar. Tocar com outras pessoas, conhecer novas bandas, viver novas experiências e explorar lugares diferentes são alguns dos sonhos que ainda quero realizar ao longo da minha caminhada como guitarrista.
O SubSolo: Para encerrar quero agradecer sua disponibilidade, elogiar sua trajetório que tem sido muito linda dentro da música e deixar esse espaço para você deixar uma mensagem para o leitor.
Melissa: Quero agradecer a’O SubSolo pelo apoio e pelo espaço. É muito importante ter canais como o de vocês, que valorizam a música e ajudam a divulgar o trabalho de artistas, abrindo oportunidades e dando visibilidade para quem está construindo a sua trajetória.
Acredito que esse incentivo faz diferença, porque ninguém cresce sozinho. Ter pessoas e projetos que acreditam no seu trabalho acaba motivando ainda mais a continuar evoluindo e buscando novos desafios.
E, para quem está começando, acho que fica uma mensagem importante: não adianta só acreditar no sonho, você tem que construir ele. Sonhar é o primeiro passo, mas é a dedicação, o estudo e a constância que fazem as coisas acontecerem. Todos os dias é preciso fazer um pouco, continuar trabalhando para estar preparado para as oportunidades que aparecem no caminho.
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