Início Coberturas Cobertura: Charlotte Wessels, Epica, Amaranthe (Helsinque / FI)

Cobertura: Charlotte Wessels, Epica, Amaranthe (Helsinque / FI)

A noite de 14 de março de 2026, em Helsinque, foi marcada por poderosas vozes femininas ecoando na arena Helsingin Jäähalli: as bandas Epica e Amaranthe e a cantora Charlotte Wessels trouxeram a Helsinque a turnê “Arcane Dimensions” e o resultado foi uma celebração vibrante, reafirmando a força das mulheres na cena atual do metal.

Os shows aconteceram na tradicional arena de hóquei no gelo Helsingin Jäähalli, também conhecida como Nordis. Mas ao invés de contar com toda a estrutura da arena, o show adotou o conceito “black box” (caixa preta, em português), em que as arquibancadas do ginásio são inutilizadas e cobertas por enormes cortinas pretas. Assim, a área do evento resume-se ao palco e à pista. O conceito tem sido bastante adotado em shows de bandas de porte médio que são capazes de encher uma pista com capacidade para cerca de 3.000 pessoas, mas não um ginásio inteiro com capacidade para mais ou menos 7.500 pessoas.

Charlotte Wessels | Países Baixos

Charlotte Wessels abriu a noite em Helsinque provando que há muita vida (e talento) além do Delain, banda a qual esteve à  frente entre 2005 e 2021. A cantora seguiu carreira solo com sucesso após sair da banda, lançando uma trilogia de álbuns iniciada com Tales from Six Feet Under.

Acompanhada por Timo Somers (guitarra), Otto Schimmelpenninck van der Oije (baixo), Joey Marin de Boer (bateria) e Sophia Vernikov (piano/teclados) — Charlotte apresentou um show coeso, sensível e tecnicamente preciso. No palco, a artista construiu uma estética própria: posicionada em uma plataforma circular elevada, atrás de um pedestal de microfone adornado com girassóis artificiais, ela se distanciou do visual todo preto mais tradicional do metal.

Com um carisma e simpatia evidentes, Charlotte iniciou sua apresentação com Chasing Sunsets e Dopamine, música que originalmente conta com a participação de Simone Simons (Epica), criando uma conexão direta com o que viria a seguir na programação. O show ainda teve o recente single After Us, the Flood e Tempest, uma faixa não lançada oficialmente.

Charlotte Wessels e sua banda apresentaram um show muito bem estruturado. Charlotte alterna momentos no pedestal ao centro do palco, mas também fora dele, o que garante espaço para que sua banda também brilhe. Antes de encerrar, Charlotte fez questão de saudar as bandas da noite, Epica e Amaranthe, e anunciou a faixa The Exorcism. Embora sua performance vocal tenha principalmente um aspecto etéreo, ao fim de The Exorcism, Charlotte demonstrou saber também fazer uns guturais impressionantes, que eu confesso que nem sabia que ela era capaz de fazer. Nota dez para a apresentação!

Fotos: Michelle Koukkola

Epica | Países Baixos

A noite continuou com a apresentação da banda Epica, numa ordem um pouco diferente de algumas apresentações europeias em que o Epica foi, na verdade, a última banda a se apresentar. No início do show, uma voz sombria nos alto-falantes convidou gentilmente a plateia a “viver o momento sem os celulares” (um recado compreensível, mas que, convenhamos, não surtiu muito efeito).

Eis que Simone Simons (voz) surge ao palco, acompanhada de Mark Jansen (guitarras), Coen Janssen (sintetizador e piano), Ariën van Weesenbeek (bateria), Isaac Delahaye (guitarras) e Rob van der Loo (baixo). Fiel à sua fama de teatralidade nos shows, o Epica entregou um espetáculo visual, com efeitos de LED pulsantes em músicas como Unleashed. Já em Fight to Survive, o palco parecia estar completamente incendiado. Efeitos realmente lindos para os olhos dos espectadores!

Coen Janssen roubou a cena em vários momentos, circulando pelo palco com um teclado portátil de formato abaulado, que lhe permitia estar na frente do palco animando a plateia e interagindo com seus colegas de banda. Além disso, a participação de Charlotte Wessels em Sirens foi um presente para o público. Porém, foi na música Cry for the Moon (simplesmente a minha favorita do Epica) que Simone reafirmou seu poder e alcance vocal (e que voz, minha gente!). Tanto nessa música quanto em Beyond the Matrix, o público foi projetado por uma câmera nos telões. Este efeito deu o toque final de grandiosidade à apresentação do Epica, que terminou a noite, com o perdão do trocadilho, de forma verdadeiramente épica.

Fotos: Michelle Koukkola

Amaranthe | Suécia

Após a grandiosidade do Epica, o Amaranthe tinha a missão de manter o nível da noite. Bem, posso dizer que, embora o Epica tenha vencido no quesito teatralidade e efeitos visuais, os suecos do Amaranthe compensaram com carisma e uma óbvia sintonia entre os membros. A mega potência vocal de Elize Ryd (voz), o vocal melódico de Nils Molin (voz) e a agressividade de Mikael Sehlin (voz) funcionaram em perfeita harmonia e foram completados no palco por Olof Mörck (guitarra), Johan Andreassen (baixo) e Morten Løwe Sørensen (bateria).

O setlist foi um passeio por vários álbuns da banda. Por exemplo, o show começou com Fearless, do álbum Manifest (o melhor deles, na minha humilde opinião), também trouxe Digital World, do álbum Massive Addictive, e ainda Damnation Flame, do The Catalyst. Outros momentos, como o da balada Amaranthine e da intensa Call Out My Name (esta última acompanhada de lasers hipnotizantes), evidenciaram a versatilidade musical da banda, que junta desde refrões pop a riffs pesados e arranjos melódicos.

Na volta para o encore, o grupo entregou Archangel, That song, com trechos de We Will Rock You do Queen, e, por fim, Drop Dead Cynical, que fechou a noite de modo contagiante. A energia única do Amaranthe conquistou o público de forma absoluta!!

Fotos: Michelle Koukkola

Esta foi uma noite verdadeiramente memorável, em que Power e Metal Sinfônico se misturaram às influências de Death, Progressivo e até do Pop. Tanto Charlotte Wessels quanto o Epica e o Amaranthe souberam exatamente como cativar o público de Helsinque. A noite foi uma verdadeira celebração do protagonismo feminino dentro da cena metal!

 

Agradecimentos especiais às bandas Charlotte Wessels, Epica e Amarante e à Tuska Live. Kiitos! Bedankt! Tack! 🙂