Foi no histórico prédio Vanha Ylioppilastalo (em português, “a antiga Casa dos Estudantes”), bem no coração de Helsinque, que os suecos do Soen e do Vulkan, além da banda alemã Xandria, trouxeram seus talentos para uma noite maravilhosa de metal progressivo e sinfônico. O evento aconteceu no domingo, dia 8 de março de 2026, e confesso que sair de casa naquela noite parecia quase uma missão impossível: depois de um fim de semana corrido e cheio de compromissos, eu e a queridíssima Michelle Koukkula tivemos que vencer a preguiça típica de domingo para encarar o frio e seguir rumo ao show. Como se isso já não bastasse, ainda conseguimos nos perder tentando nos encontrar no centro da cidade, o que chegar ao Vanha Ylioppilastalo já pertinho do Vulkan inaugurar o palco. Mas depois de algumas mensagens desesperadas, caminhadas apressadas e boas risadas, claro, finalmente conseguimos chegar ao Vanha Ylioppilastalo.
Vulkan | Suécia
Abrindo a noite, o Vulkan levou um rock progressivo moderno, técnico e extremamente criativo para o palco. Desde os primeiros minutos, ficou evidente que havia algo especial acontecendo ali, porque a banda é concisa, bem preparada e mesmo ocupando apenas uma parte do palco (situação comum para bandas de abertura), o Vulkan conseguiu criar uma sonoridade íntima e envolvente.
Eu havia escutado a banda algumas vezes antes e já havia me surpreendido positivamente com o álbum Technatura (2020). As músicas do Vulkan apresentam diversas camadas instrumentais, algumas mudanças de dinâmica e detalhes sonoros sutis. O vocalista Jimmy Lindblad se destacou pelo vocal limpo e pela precisão em meio aos arranjos complexos. Mas a nítida simpatia e competência de seus colegas de banda — Olle Edberg (teclados), Johan Norbäck (bateria), Oscar Pettersson (baixo) e Christian Fredriksson (guitarra) — também mereceram aplausos. Entre as suas músicas do setlist, destaco duas das minhas favoritas, Consequence of Ignorance e The Madness Sees No End.
Após o show do Vulkan, eu e a Michelle trocamos rapidamente algumas palavras com todos os integrantes da banda na área do merchandise e aproveitamos para tirar uma foto também. Simpatissísimos!
Fotos: Luciana Paltila
Xandria | Alemanha
Trazendo um estilo um pouco diferente do das outras bandas da noite, o Xandria apresentou seu metal sinfônico e grandioso. A banda, que é liderada pela vocalista Ambre Vourvahis, impressionou principalmente por conseguir criar uma atmosfera elegante na sua apresentação, apesar do estilo do grupo não ser exatamente o que os fãs de metal progressivo desejavam escutar. Além do mais, Ambre Vourvahis tem uma versatilidade vocal que transita entre vocais líricos, passagens agressivas e até guturais, sempre com enorme controle técnico. A performance vocal foi, sem dúvida, o grande destaque do show.
O repertório incluiu faixas como Ghosts, Valentine e Nightfall. Ambre ainda retornou ao palco durante o show do Soen para participar da música Hollowed, a qual originalmente já conta com a colaboração da cantora. A banda ainda conta com os músicos Rob Klawonn (guitarra), Tim Schwarz (baixo), Dimitrios Gatsios (bateria) e Marco Heubaum (guitarra).
Fotos: Luciana Paltila
Soen | Suécia
A grande atração da noite, Soen, chegou a Helsinque promovendo seu mais recente álbum, Reliance. Após outros cinco shows em diferentes cidades finlandesas, a banda mostrou uma produção visual simples, porém elaborada, transformando o palco em um cenário sombrio e introspectivo, bem como são as músicas do Soen cá entre nós.
Musicalmente, o grupo entregou exatamente aquilo que os fãs esperavam: riffs pesados, melodias marcantes e um equilíbrio eficiente entre agressividade, sofisticação e emoção. As novas músicas encaixaram-se perfeitamente ao repertório. Faixas como Mercenary, que abriu o show, e Primal destacaram a identidade moderna da banda, misturando refrões fortes e atmosferas melancólicas e um aspecto até um tanto quanto sedutor nas canções. Na balada Lotus, foi lindo ver toda a plateia cantando e vibrando junto com o solo de guitarra. A outra balada Indifferent, que veio no encore, chegou até a arrancar algumas lágrimas de fãs, tamanha a beleza e emoção não só da música, mas da sua execução.
E convenhamos: Joel Ekelöf tem uma voz simplesmente incrível tanto no álbum quanto no palco, e sua presença é elegante e confiante. Durante o show, o cantor alterna figurinos que vão de casacos militares a roupas mais simples, sem nunca perder o carisma.
O repertório do show do Soen teve ainda Martyrs, Lascivious (duas das minhas favoritíssimas), Violence e Unbreakable, fechando a noite com chave de ouro e uma plateia animadíssima.
Martin Lopez (bateria), Lars Enok Åhlund (guitarra e teclado), Cody Lee Ford (guitarra) e Stefan Stenberg (baixo) também merecem aplausos não apenas pelo carisma, mas também pela competência absoluta enquanto músicos.
Fotos: Michelle Koukkula
No fim das contas, valeu muito a pena vencer o cansaço, a correria do fim de semana e o frio daquela noite de domingo. As três bandas entregaram apresentações incríveis, e o setlist do Soen foi um verdadeiro presente para nós fãs. Sem contar que na saída do show, ainda conseguimos cumprimentar
Queremos mais? Com toda certeza. Já estamos ansiosas pela próxima vez!
Agradecimentos à Nahka Agency e às bandas Soen, Vulkan e Xandria! Kiitos, thanks, tack, danke!
























































