Meus amigos,admito que esta é uma resenha cujo o início me fora desafiador, pois, a vontade de já sair falando pelos cotovelos sobre o que achei deste trabalho é tanta, que tenho que me segurar para não soltar nada antes do seu devido tempo.

Recebi este primeiro trabalho do Acacia Crown através da minha parceria com a Extreme Sound Records. Recordo-me de ter visto o Caio indicando o som dos caras pelo status do WhatsApp. E de fato, o capricho dessa edição lançada pelo selo Heavy Metal Rocks, despertou em mim o desejo de conferir o som do grupo. Quando comentei sobre o CD com o Caio, ele de prontidão me enviou o que seria um dos melhores trabalhos que tive o prazer de conhecer nesse ano de 2022.

Formado atualmente pela dupla Fabrício Sawaya e Herverton “Áscari” Souza, o Acacia Crown apresenta um Metal Extremo puxado para elementos mais experimentais, porém sem deixar de lado as pitadas de vertentes já conhecidas como o Doom, o Black Metal e o Death Metal melódico.

O disco que trago na resenha de hoje, se trata do primeiro álbum do grupo, lançado oficialmente em 15 de julho deste ano, com vocês: The Last Acacia.

Logo de cara posso alegar e atestar o quão esse trabalho da banda é singular, afinal de contas, quantos álbuns de Metal Extremo que você conhece que se iniciam fazendo uso de um Bouzouki?

Pois bem meus amigos, é nessa levada quase arábica, que a faixa título nos é apresentada, com um belíssimo arranjo dedilhado e um som de flauta muito bem executado, dando-nos a vontade de ficarmos imersos nessa atmosfera de The Last Acacia por horas a fio…

“Nada grita mais alto que o som do silêncio”. Essa frase do ator e comediante Nipsey Russel cai como uma luva na segunda faixa do disco.

Behind The Silence apresenta uma combinação de sintetizadores com vocais guturais, cujo resultado é estranhamente fantástico. Os vocais variam entre coros mais límpidos e os famigerados urros. Já a letra, trata justamente sobre toda a angústia, dor  e o desespero daqueles que sofrem calados. Essa é uma faixa de diversas camadas, que sempre contrastam entre melodia, raiva, melancolia e toques sutis de uma beleza quase mórbida. Uma música com uma veia saltadamente progressiva, porém, cativante.

The Wait é a faixa mais longa de todo o álbum. Tendo inicio com uma climatização amena que subitamente é tirada dos nossos ouvintes, em uma pedrada de proporções épicas, e claro, uma tonelada de novas camadas e expressões sentimentais sonoras. De viés quase filosófico, a letra da música divaga sobre os efeitos do tempo em nossas vidas e em nosso psicológico, nos colocando a refletir sobre o real sentido do mesmo, e até mesmo sobre a sua existência.

Belíssimas melodias de guitarra compõem o início de Guilty Dreams. Harmonias estas, que aos poucos se esvaem, dando início a uma igualmente linda levada de violões em um total efeito de transe. Os poucos versos entoados nessa faixa, passam a sensação de serem gritados por alguém em meio a uma tempestade, tentando exorcizar certos “demônios” que o atormentam durante o sono.

Ainda pairando sobre uma atmosfera amena, Blast Vaccum até pode enganar se passando por uma balada, mas logo a música cresce, e quando os guturais adentram aos ouvidos, meus amigos, a sensação chega a ser épica!

E é nessa montanha russa que a faixa se calca,entregando ao final, mais um belíssimo momento instrumental. No quesito letra, posso afirmar que está é uma das mais incríveis de The Last Acacia, sendo uma quase jura de amor e um desejo de eterna comunhão com todo o esplendor do vazio. Que faixa, meus amigos, que faixa…

E quando todos os elogios parecem já ter sido usados à exaustão, sou obrigado mais uma vez a enaltecer a banda com a chegada da quase medieval Clamour Ad Vitam. Aqui, os violões entram em harmonia com sintetizadores, e até mesmo violinos nos momentos finais. A escolha por deixar os vocais de lado foi acertadíssima, pois considero que qualquer elemento adicional seria capaz de estragar toda a atmosfera que este instrumental proporcional. Sem sombra de dúvidas, outro ponto positivo para o disco.

Fechando o trabalho de forma magistral, temos Black Wind, faixa que com certeza agradará os mais puristas. O que se apresenta nesta faixa, é um Black Metal tradicionalíssimo e furioso, varrendo tudo o que encontra pelo caminho, em um encerramento digno, para um álbum que não deixa a peteca cair nem por um milésimo de segundo.

Proporcionando um bis para quem estiver com a incrível versão de digipack em mãos, o Acacia Crown adicionou o single de estreia da banda Gallery of Lies como faixa adicional.

Produzido por Andre A. Lien, produtor que já trabalhou com bandas como Vile Existence, Opus Tenebrae, Sumerian Project, entre outros, o primeiro disco do Acacia Crown levou cerca de três anos para ficar pronto. E com certeza esse tempo de maturação fora precioso, uma vez que a sonoridade do álbum bate de frente tranquilamente com qualquer produção estrangeira. Todos os instrumentos e detalhes são perceptíveis sem comprometer em nada o peso do metal extremo do grupo.

Outro ponto importante a se ressaltar é o trabalho gráfico. A edição física do disco conta com a arte do artista russo Yaroslav Gerzhedovich. O CD é uma verdadeira edição de luxo em digipack fosco, com a arte de capa de Yaroslav e slipcase (inédito até então em formatos do tipo) com outra capa editada pelo vocalista Heverton, contendo detalhe gráfico em hotstamp, que reflete a luz sobre o símbolo da banda.

The Last Acacia é um trabalho experimental, cujas nuances são impossíveis de discernir em uma primeira audição, mas todas essas experiências e texturas são tão cativantes, que garanto a você que o fator replay deste álbum não será nenhum infortúnio. A sensação que tive ao final de cada faixa do disco foi que um tornado acabara de passar sobre mim. E o baque é tamanho que a célebre expressão “uou!”, fora uma constante durante a audição do álbum. Ouça e disco com as letras em mãos e a viagem será ainda mais imersiva.

É gratificante ver uma banda como o Acacia Crown pairando sobre nosso underground, trazendo ares de um ineditismo quase raro nos dias de hoje. Ouvir este trabalho é mais do que o simples ato de consumir música, é uma experiência única e edificante. Quem ouvir comprovará…

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Tracklist
1-The Last Acacia
2-Behind The Silence
3-The Wait
4-Guilty Dreams
5- Blast Vaccum
6-Clamour Ad Vitam
7-Black Wind 
8- Gallery of Lies* (Bônus track exclusivo da versão física)

Nascido no interior de São Paulo, jornalista e antigo vocalista da Sacramentia. Autor do livro O Teatro Mágico - O Tudo É Uma Coisa Só. Fanático por biografias e colecionismo.