O SubSolo: O GaiaBeta surgiu em 2017, em Feira de Santana, e rapidamente conquistou espaço na cena local. Olhando para esses primeiros anos, quais foram os principais desafios enfrentados pela banda até chegar ao momento atual e o que vocês acreditam que foi determinante para essa evolução?
GaiaBeta: Primeiro lugar, quero dizer, em nome de toda a banda, que é uma honra ter espaço com vocês, que são, em nossa opinião, um dos melhores e mais confiáveis meios de divulgação da cena no Brasil. Sobre a pergunta… para nós, no Nordeste e interior do Nordeste, tudo é mais difícil e até coisas simples ganham um peso maior, mas posso dizer que tudo se resume em dois ou três pontos: primeiro, tem que ter boas composições. Sem isso, nada anda. Segundo, mão de obra qualificada. Além de ser bom tecnicamente, tem que ter bom equipamento, ser bom de convívio e ser comprometido e visionário, porque hoje é fácil conseguir alguém, já que o som e os bons reviews falam pelo GaiaBeta, mas no início geralmente o cara chegava e, se em seis meses você não o colocasse no Wacken, ele puxava o freio de mão. Quem tem banda sabe bem do que estou falando. E, por último, boa gestão. Nem sempre o cara que é fodão tecnicamente sabe gerenciar a coisa. Eu dei sorte por ter encontrado um cara visionário e bom em um monte de coisas para colar comigo, que é o Mr. Kitaro.
Relembre: GaiaBeta apareceu aqui em 2021 em um post: https://osubsolo.com/topfive-cinco-bandas-para-ouvir-neste-final-de-semana-207/
O SubSolo: A banda possui uma sonoridade que transita pelo Power Metal, Heavy Metal tradicional e elementos progressivos, tendo como referências nomes como Iron Maiden, Helloween, HammerFall e Black Sabbath. Como vocês trabalham essas influências para que elas façam parte da identidade do GaiaBeta sem fazer com que a banda perca sua própria personalidade?
GaiaBeta: Bom, como eu, Marcos, concebi a banda do zero, acabei dando o direcionamento musical baseado na minha escola. Eu cresci ouvindo esses caras que você citou e, quando a banda estabilizou a formação, eu já tinha composto a maioria das canções, mas sempre tendo o cuidado de deixar presentes as influências, porém sem que nunca soassem como cópia. Creio que, para o segundo álbum, teremos uma participação maior dos demais integrantes.
O SubSolo: Em 2021, vocês entraram em estúdio para registrar três músicas e, posteriormente, chegaram ao selo português Dymm Records, que lançou os singles Ashes from the Stars, The Last Warriors e Back to the Past. Como essa primeira experiência com um selo estrangeiro impactou a trajetória da banda?
GaiaBeta: Foi uma experiência incrível. Com eles, eu aprendi muita coisa. Além das bandas brasileiras coirmãs Loss e Medjay, tinha um monte de artistas gringos. Com eles e, principalmente, com os donos da Dymm Records, eu aprendi muita coisa e percebi o quanto eu era amador (risos). Isso me fez buscar realmente o conhecimento do business. Eles me ajudaram bastante e me fizeram perceber que estávamos fazendo um som bacana.
O SubSolo: O álbum de estreia ficou pronto em 2024, mas vocês optaram por esperar e buscar um selo que pudesse proporcionar uma projeção ainda maior. Como aconteceu o contato com a Pitch Black Records e o que pesou na decisão de assinar com o selo da Ilha de Chipre?
GaiaBeta: Além da Pitch Black Records, outros dois selos se interessaram, mas o fato de a Pitch Black ser maior e o Mr. Phivos, o dono, ser fã do Maiden, fez com que ele aceitasse lançar as três primeiras canções como faixas bônus. Sem falar que ele curtiu bastante o álbum e o divulgou por toda a Europa.
O SubSolo: O debut foi lançado mundialmente em maio de 2025 e recebeu avaliações positivas em diversos países, além de aparecer em veículos importantes como Metal Hammer e Road Crew. Como foi para vocês acompanhar a repercussão internacional de um trabalho que começou sendo construído dentro da cena de Feira de Santana?
GaiaBeta: Caaaaaaraaa, isso foi demais. Só da Alemanha foram dois reviews e um deles, segundo o dono da Pitch Black, era muito exigente e nos deu uma nota muito boa. Creio que isso nos levou à Metal Hammer.
O SubSolo: O GaiaBeta já recebeu por duas vezes o reconhecimento de veículos como Sistema do Estado e Radar Alternativo como melhor banda do estado dentro do seu estilo. O que esses prêmios representam para vocês, especialmente vindo de uma cena como a baiana, que possui uma história tão forte dentro da música pesada brasileira?
GaiaBeta: O pessoal do Sistema do Estado e da Radar Alternativo são cobras criadas, como se diz aqui na Bahia. Os caras ouviram nosso som bem antes do lançamento do álbum, fizeram matéria e nos premiaram como melhor banda do estado no estilo. O site Bahia Pesada fez uma consulta popular em dezembro sobre os melhores álbuns lançados na Bahia em 2025 e ficamos em primeiro lugar, concorrendo com bandas de alto nível. Isso tudo nos honra e enche de orgulho, mas sempre com os pés no chão, claro.
O SubSolo: A Bahia possui uma cena extremamente rica e diversificada, mas muitas bandas ainda enfrentam dificuldades para alcançar outras regiões do Brasil. Na visão de vocês, o que falta para que mais artistas baianos consigam romper essas barreiras e conquistar espaço no cenário nacional e internacional?
GaiaBeta: Cara, esse lance que dizem que a Bahia é terra do Axé só vai até a página 2. As bandas aqui são muito boas e capacitadas para tocar em qualquer festival. Malefactor já tocou no Wacken, o Headhunter DC já tocou pela Europa e elas fizeram isso quando era tudo muito mais difícil. O Sindrome K já abriu para o Angra, então aqui nós fazemos metal com ódio (risos). O fator financeiro é muito importante, o mais, eu acho, mas, se não souber gerenciar, a coisa não sai do lugar. É uma soma de muitas coisas.
O SubSolo: As composições do GaiaBeta apresentam riffs técnicos e pesados, bastante melodia e, em algumas faixas mais longas, estruturas progressivas. Quando vocês estão compondo, o que vem primeiro: uma ideia musical, um riff, uma melodia, uma história ou a própria letra? Como funciona o processo criativo da banda?
GaiaBeta: Eu, particularmente, começo pelo riff. Se ele me gerar tristeza, alegria, temor etc., daí eu parto para a letra. Mas isso sou eu. Kitaro, por exemplo, fez uma bela canção, Get Your Freedom, e, como eu escrevi a letra, acho que ele também vai logo é enforcar a guitarra para ela parir um riff foda (risos).
O SubSolo: O GaiaBeta tem construído uma trajetória que passa pela cena independente, pelos festivais, por selos internacionais e pela conquista de público fora do Brasil. Pensando nos próximos passos, quais são os principais objetivos da banda? Podemos esperar novidades em relação a novas músicas, um próximo álbum, shows ou uma expansão ainda maior para o mercado internacional?
GaiaBeta: Ah, sem dúvidas. O objetivo é crescer. Somos adultos, mas aquele pensamento que nasceu desde garoto ainda persiste: colocar o pé fora do país como artistas. Como turistas é bom, mas como artistas deve, e vai, ser fantástico. Já há alguns anos venho estreitando laços e participando de gravações com artistas como Jack Starr, Kevin Burns, John Macaluso e, mais recentemente, Kenny Rhino (ambos ex-Manowar), e a Pitch Black sabe desse nosso desejo. Temos o forte apoio de nossa agência MS Metal Agency. O Duda é um cara excepcional e está trabalhando para isso.
O SubSolo: Agradecemos a oportunidade e o tempo cedido à nossa redação. Queremos deixar esse último espaço para uma mensagem da banda.
GaiaBeta: Nós sempre olhamos daqui o crescimento do O SubSolo. Tomara que um dia nos enxerguem (risos), e esse dia chegou. Somos gratos pela oportunidade. Nosso álbum, com oito canções, está disponível nos streams. Nosso álbum físico está disponível na Shopee, pelo Direct da banda no Insta, e pelo meu contato pessoal, assim como agendamentos de shows (75 99156-3878). Temos muita vontade de tocar para os amigos e irmãos de outros estados. Forte abraço a todos.
A formação do GaiaBeta conta com:
Marcos Diantoni – vocal
Mr. Kitaro – guitarra e backing vocal
Daniel Fauaze – guitarra e backing vocal
Danton Lago – baixo e backing vocal
Valter filho – bateria













