No
feriadão de 07 de setembro de 2018, tivemos um motivo peculiar para comemorar a
independência, pois o River Rock Festival, em sua 15ª edição inaugura sua sede
própria em um local nada mais sugestivo que a rota KM 66 da BR 470, trazendo
novos ares para um dos mais tradicionais públicos de festivais da região.

15º River Rock - Entrada

Ao
chegarmos nos portões, ainda fechados, pois chegamos cedo para acompanhar tudinho,
pudemos perceber um pré acampamento de
pessoas, (principalmente de cidades mais distantes) que haviam chego mais cedo
também. Com pontualidade britânica, às 8:00, abriram-se os portões para entrada
do pessoal, que foi orientado para alocação de seu acampamento, estrategicamente posicionado, em frente ao salão e
abrindo campo para as direções norte e sul, dispondo de um grande espaço para
barracas e gazebos que logo deram cor ao campo verde.


15º River Rock Festival Camping Antes

15º River Rock Festival Camping Depois





A estrutura onde foi montado o palco,
estava muito bem preparada com uma equipe de som e luz de alta qualidade.
Salvas falhas técnicas durante alguns shows, as bandas tiveram um
suporte magistral para execução de suas apresentações. No salão ainda, pudemos
contar com serviço de bar e cozinha, tendo uma boa variedade de bebida e
alimentos, para os mais variados gostos, e com um preço justo. Nota particular do
autor: Inclusive vinho seco, que raramente é encontrado nos fests!
 Seguindo,
uma área com mesas para quem quisesse se alimentar sem precisar sair de perto
dos shows. Uma
 sala de recepção ficou instalada nas primeiras horas do evento, e para ajudar o público
exagerado, os banheiros contando com um
vomitódromo, especialmente desenhado
para aqueles que precisam de uma forcinha no fim da noite quando o corpo não
aguenta mais do que a vontade de beber do indivíduo.

15º River Rock

Na parte externa em frente ao salão, área infantil com cama elástica para a família.


15º River Rock - Área da Famíla

Vale ressaltar que a praticidade do estacionamento, bem
posicionado próximo às barracas, permitiu um acampamento vasto e acessível,
tanto para quem quisesse ficar perto do palco, quanto para quem deixou seus
pertences no carro, sob vigilância da equipe de segurança presente.

Antes de começarem as apresentações, os
organizadores Adilson, Regiane e Adriano deram algumas palavras ao público,
como forma de agradecimento pelo apoio, e informando as novidades da nova casa Centro de Eventos Rota KM66, que está
aberta para organização de outros eventos.
O vereador de Indaial Diego Pandini fez questão de ressaltar que sua presença no evento
estava caracterizada pelo
Diabo Loiro apelido pelo qual a
maioria o conhece, e também deu sua palavra ao evento. Além de agradecer aos
organizadores e ao público pelo fortalecimento da cena, falou sobre possíveis projetos
para o futuro do
Dia do Rock em Indaial.
15º River Rock Festival



Depois dos discursos, hora de desatar a fita de
inauguração! Com uma puxada aqui, outra ali, o Laço que o River Rock possui 
com seu público é
tão forte, que foi necessário partir para o
plano B do Adilson e cortar com uma
tesoura. Assim foi declarado aberto o 15º River Rock Festival.

15º River Rock - Inauguração

1º dia
Galera estava empolgada com o camping, por conta do
sol que se mostrou raiante na tarde de sexta feira.
E diferentemente do habitual, Volkmort – Timbó/SC teve início de seu
show nestas condições. Porém isso não foi motivo para um palco sem público. A primeira
banda a tocar na 15ª edição do River Rock, já mandou um som pesado, abrindo o
fest com grande estilo. Na sequência, banda que vem nos impressionando
festivais afora, pela qualidade de som, misturada com um figurino
ortodoxalmente montado, a banda Viletale
Blumenau/SC exibe um som pesado e maduro. Eutha – Florianópolis/SC, por sua vez, não deixa peteca cair com
seu Hardcore de excelente qualidade, o qual proporcionou os primeiros moshs.
Certamente não passou em branco o fato de o peso do metal de Steel Warrior – Itajaí/SC
fazer a energia elétrica do local cair duas vezes. Mas, isso não foi um
problema, pois, como dito pelo próprio Adilson, o Plano B foi posto em
prática. Um gerador de energia não deixou o som parar, e o heavy metal mais
tradicional de SC continuou ao som de Steel Warrior, com quase 25 anos de história, que não poupa energia
humana em palco. Para quem vinha agitando desde o início da festa, encontrou
certa dificuldade em acompanhar o ritmo brutal do som e dos moshs ao som de Flesh Grinder – Joinville/SC que está
comemorando 25 anos de metal catarinense.
Para aliviar um pouco o clima, Brasil Papaya –Laguna/SC,
nos trouxe uma mistura de sons em seus instrumentais, para apreciação e encanto
do público como um todo.
Brasil Papaya


Mais uma banda de renome sobe ao palco comemorando
seus 25 anos de metal catarinense, foi uma porrada na orelha de quem estava
perto do palco. Com muita firmeza, presença e atitude, Rhestus mantém o nível
de seu show com qualidade absurda.
Rhestus

Neste momento, nosso anfitrião Adriano Ribeiro deixa o crachá de organizador, e sobe ao palco para
completar power trio Khrophus – São josé/SC
também com seus 25 anos, fecha o ciclo de um
século de metal catarinense
, que honrou a bandeira do estado, mais uma vez
sobre o palco, mantendo acesa a chama deixada pela banda anterior, numa
sequência de muito death metal. E o pessoal da Leite de Velha – Rancho Queimado/SC contou uns causos na forma de
rock progressivo ou Gaudrock de bolicho.
Virtuosidade e simpatia sobraram no palco com os gaudérios presentes.
Como citado no início da matéria, a pontualidade
britânica se fez presente durante todos os shows mencionados. Regra esta
quebrada por uma adaptação de cunho técnico, que fez as bandas Slammer – Curitiba/PR e Necrotério – Curitiba/PR invertessem a
ordem apresentada no cartaz e no cronograma. Apesar da troca, nenhum problema
para o público ou bandas. Aliás, dois shows à altura do que o festival vem
apresentando. Muito peso e muito mosh. Por sua vez Grimpha – Curitiba/PR trazendo muito death metal old school, encerrou
o primeiro dia com o palco cheio.
2º dia
Às 09:00 da manhã de sábado, um longo “BOM DIA INDAIAL!” chamou o público para
a frente do palco. Era a vez do Sr. Carlos Fernandes, também conhecido como Carlão da Khrophus, compartilhar conhecimentos
em bateria, adquiridos em sua vasta experiência. Juntamente com seu colega de
banda Adriano Ribeiro (guitarra),
Carlão deu dicas, macetes e exemplos de técnicas e práticas para o estudo do
instrumento. Tirou dúvidas e, após seu workshop, bateu um papo com o pessoal que
tinha interesse em agregar conhecimento.
15º River Rock - Carlão Workshop - Khrophus



Após o workshop, o pessoal da Casa de Orates – Itajaí/SC trouxe ao público um som singular,
misturando rock progressivo, com interpretações cênicas, que contraiu a atenção
do público que já se encontrava presente em frente ao palco e arredores do
salão. Na vibe do rock progressivo,
Xei
e a banda
Sons in Black – Florianópolis/SC
com metal alternativo e experimental, marcaram as primeiras horas de metal do
dia. A banda da casa,
Fatal Encarnad
– Indaial/SC deu sequência ao som, levantando os primeiros moshs com muito death
metal.
Ok, moshs levantados, hora da banda Escória – Timbó/SC apresentar seu
trabalho. Muito punk e d-beat se fizeram presentes e, houve até uma singela
homenagem ao prefeito de Timbó.
E num combo de responsa, Alkanza – Laguna/SC deixando a marca do seu thrash, juntos até o
último mosh
, Cervical – Macaé/RJ com uma
apresentação mais curta do que o comumente apresentado, porém não menos
impactante, Affront – Rio de
Janeiro/RJ fazendo um crossover de respeito, e Armum – Goiania/GO com um brutal death metal na voz de Camila Andrade, tivemos uma tarde de
peso, adentrando a noite com muito metal.
Outra grande atração que deixou sua marca no hall das
bandas destaque, foi Cartel de Cevada
– Porto Alegre/RS, que com suas letras irreverentes e animadas, fez a gauchada
se sentir em casa. E claro, não podia faltar a presença dele, que é da
Fronteira, O Diabo encarnou no palco e chamou a galera pro abraço.
Cartel de Cevada



Os apreciadores de Imago Mortis – Rio de Janeiro/RJ foram agraciados com uma dose de
nostalgia, relembrando canções clássicas desta banda, que consegue atrair até
mesmo os menos adeptos do estilo para a frente do palco, e mantê-los fixos até
o final.
Último show antes da pausa no palco, Reytoro
– Montevidéu/UY não poupou energia em nenhum momento do show, que proporcionou
diversas e violentas rodas, sob um som pesado e marcante que mistura heavy com
thrash metal.


Reytoro

Após a celebração do matrimônio do organizador Adriano
Ribeiro com sua noiva Ana Cláudia, e o baile de debutante, a dupla Carla Domingues e Thiago Gonçalves interpretou ao som de piano e vocal lírico, algumas
canções de bandas como Nightwish, Iron Maiden e Metallica, finalizando assim, o Recital de Metal.
Enquanto isso, no backstage, as equipes de som e luz
preparavam o palco para a chegada da atração mais aguardada da noite. Após um
bom tempo de espera em relação ao horário previsto para o início da
apresentação, Sepultura finalmente
sobe ao palco e, faz valer os minutos de espera. Pisando pela segunda vez na
casa do River Rock, um show sincronizado de som e luz, além da sintonia com o
público, que se instaurou no auge da noite do River Rock Festival. Além das músicas
do seu novo álbum Machine Messiah, Sepultura
relembrou algumas canções ícones na trajetória do grupo.



Sepultura
Para descansar os ouvidos e o corpo A Banda de Um Homem Só, Cadaverick Hotel – Jaraguá do Sul/SC, toca
canções irreverentes e descontraídas com muito talento e humor.
Cadaverick Hotel



A
banda Save Our Souls – Porto Alegre/SC não pode comparecer, e publicou
uma nota em seu perfil do Facebook, que pode ser conferido abaixo:



Cassandra – Curitiba/PR nos trouxe
algumas previsões trágicas, em canções que passam por várias vertentes desde Post-Metal,
Doom, Stonner a Dark Ambience, o duo apresenta um som experimental e envolvente,
fechando a noite de sábado.
3º dia
Último dia de River! Mas o povo ainda está animado. Iniciando a sequência de shows, às 10:00 no
palco, com
mensagens de reflexão, autoconhecimento, Paraverso – Florianópolis/SC surpreendeu o público com uma mistura
de bom humor, performance teatral e muito rock’n roll em suas sacadas sobre o
pensamento humano e seu cotidiano. Segue evento com Rec on Mute – Jaraguá do Sul/SC com um som Post-Rock/Noise.
Com muita atitude e uma baita técnica, as meninas da Velvet Lips – Florianópolis/SC deram um
verdadeiro show com suas composições e apresentando a nova música Inner Battles do
EP Bella, além de covers de
clássicos do heavy metal.



Belvet Lips


Depois de um período sabático, uma das mais
tradicionais bandas de Doom Metal de Blumenau. Pain of Soul – Blumenau/SC retorna aos palcos com uma proposta
muito mais envolvente, surpreendendo o público que estava acostumado com suas
antigas músicas.
Hora de fazer o chão literalmente tremer no palco do
River Rock. Turba Iracunda – Buenos Aires/ARG
vem com energia
de sobra, desempenhando uma baita performance, no palco. Com 2 vocalistas,
quem não está acostumado com o ritmo de um verdadeiro Hard Core, perde o fôlego
logo na primeira música.
Não se contentando em esgotar as energias do público
com seu ritmo acelerado, o vocalista Oscar Osiris Sosa decide cair no mosh com a galera, fechando assim com chave de ouro a
apresentação.



Turba Iracunda


Agony Voices – Blumenau/SC também com
sua marca registrada, mostrou o conhecido doom/progressivo com alternâncias
entre passagens rápidas a cadenciadas. 
Em clima de despedida, porém ainda no ânimo da festa, Blues Etílicos – Rio de Janeiro/RJ com
o mais tradicional blues brasileiro, fechou a tarde, e após um show onde a
galera pediu bis, foi declarada encerrada a 15ª edição do River Rock.

Blues Etílicos

Deste modo, mais uma vez, mostrando que é um evento tradicional
e ao mesmo tempo, versátil, proporcionou uma interação de públicos dos mais
variados estilos, criando um ambiente de fraternidade, como é comum neste meio.
E provou que os públicos podem se misturar, curtir e conhecer coisas novas, fazendo jus ao seu slogan: A festa das tribos. Agora nos resta aguardar as próximas edições, para ver as surpresas que estão sendo preparadas.

Analista de TI, acordeonista e tecladista da banda Isla de la Muerte. Entusiasta de fotografia, já trabalhou para os projetos Vírus Rock e Opus Creat, como redator e fotógrafo em ambas. Não limitado a um subgênero do metal, tem como preferências: folk metal, doom metal, sinfônico, death metal, black metal, heavy metal. Gaúcho de coração, valoriza a cultura tradicionalista gaudéria, a qual inspira suas composições. Interesses globais: Música, ciência, tecnologia e pão de alho.